Arquivo da categoria ‘São Gonçalo’

Após a descoberta do esquema de não contestação das cerca de 200 ações trabalhistas movidas contra o Tamoio Futebol Clube – cujo objetivo, segundo as investigações, era levar as dependências e bens do clube a leilão –, policiais do Núcleo de Homicídios da 72ª DP (Mutuá) tentam identificar quem arrematou por R$ 660 mil o terreno do estacionamento da entidade, na última semana.

Esse foi o primeiro leilão ao qual o clube foi submetido e a verba será destinada ao pagamento da dívida trabalhista do irmão do ex-presidente da entidade. Como dezenas de outros processos que tramitam no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), esse também foi julgado à revelia (quando o réu não comparece ao tribunal para se defender) e iniciou a possível perda de um patrimônio de R$ 10 milhões do Tamoio, o que pode selar o fim de um dos clubes mais tradicionais do Estado.

As investigações têm como base o dossiê entregue ao Ministério Público pelo vice-presidente do clube, José Carlos Sant´anna, de 61 anos, executado a tiros no último dia 3 de março. Conforme o jornalista Gustavo Carvalho revelou com exclusividade, o objetivo da “máfia” que se instalou no Tamoio era adquirir as propriedades do clube por valores abaixo do mercado – através de compradores “laranjas” – e dividir parte do dinheiro entre os envolvidos na trama. Por trás do interesse no terreno de mais de 12 mil m², estaria a especulação imobiliária.

Crime – O vice-presidente do Tamoio Futebol Clube, José Carlos Sant´anna, 61 anos, foi executado com dois tiros quando saía das dependências da entidade, na Brasilândia, no dia 3 de março. O crime ocorreu por volta das 16h na Rua Moisés Mota. Três semanas após o crime, a Justiça decretou a prisão temporária do presidente do clube, Elias Vargas Cardoso e de seu segurança particular, Antônio Marcos Alves, 35.

De acordo com a Polícia, eles são suspeitos de participação na morte de Sant’anna. No dia 5 de abril, o advogado Lauro Caldeira Constantino, 59, diretor jurídico da agremiação, também foi preso sob acusação de participação no crime. Segundo os policiais, Caldeira responde por dois homicídios praticados em 1999. Ele é suspeito de envolvimento nas mortes de Marcos e Edma Valadão, presidente da Associação Brasileira de Enfermagem e presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Rio de Janeiro, respectivamente. Assim como Sant’anna, o casal denunciou um esquema de fraude e desvio de verba nas entidades em que Caldeira prestava assistência jurídica.

História – A crise que atingiu o Tamoio, fundado em novembro de 1917, refletiu na freqüência dos sócios do clube que já foi palco da abertura oficial do carnaval carioca com o famoso Concurso de Fantasias de Luxo, nas décadas de 60, 70 e 80, transmitido na TV em rede nacional. Atualmente, dos 25 mil associados, apenas 200 contribuem com a taxa de manutenção da entidade.

O evento carnavalesco contava com a participação de grandes artistas, como Wilza Carla, Evandro Castro Lima, Flávio Rocha, Clovis Bornay, o que tornou o Tamoio um dos mais tradicionais do Estado e conhecido em todo o país. A característica de clube estritamente familiar foi fundamental para atrair novos sócios a partir da década de 50, período do desenvolvimento industrial de São Gonçalo e surgimento da alta sociedade gonçalense, que contribuiu para o crescimento da entidade. Além da importância no carnaval carioca, o clube marcou sua história com a participação no campeonato carioca de futebol. Os tempos áureos do Tamoio também são lembrados com nostalgia pelos mais antigos pelos famosos bailes das Debutantes, da Terceira Idade e da Flaponte.

Testemunha dos tempos de glória do Tamoio, o deputado estadual gonçalense José Luiz Nanci traz na memória os anos dourados do clube. Tamoiense de coração, como ele mesmo se define, até hoje ele frequenta o clube e torce pela reestruturação da entidade. Aliás, a história do Tamoio se confunde com a da sua própria família. Seu tio, Thomaz Nanci Júnior, de 71 anos, se emociona ao recordar do surgimento do clube, o qual ele atuou na diretoria de 1960 a 1990, sendo como presidente no período de 86 a 90.

“Vejo essa nova fase do clube com muita tristeza. Foi um patrimônio tão difícil para se conquistar e hoje o vemos nas mãos de pessoas sem nenhum compromisso”, lamenta.

Não há como falar em Clube Tamoio sem citar os criadores daquele espaço: Aécio Nanci (ex-prefeito de São Gonçalo), Thomaz Nanci (pai do ex-presidente do Tamoio), Ismael Branco, Alberto Jardim da Mota e capitão Belarmino de Mattos.

Deputado estadual José Luiz Nanci

Ao recordar a juventude, José Luiz Nanci, hoje com 58 anos, destaca o quão importante foi o Tamoio na sociedade gonçalense, durante décadas.

“Além de ser o point do verão naquela época, o clube também oferecia diversas opções na área do esporte. Tinha basquete, futebol, vôlei, entre outros. Todos os eventos realizados lá eram um sucesso e bastante concorridos, porque todo mundo queria fazer parte”, lembra o deputado.

De acordo com Nanci, a festa de Réveillon reunia quase 20 mil pessoas nas dependências do clube.

“Era um momento muito bom para as famílias da cidade, porque muitos já estavam morando fora daqui, por estudo, trabalho, e era nesta ocasião que retornavam para visitar os pais e amigos”, recorda José Luiz Nanci.

Tentativa de reerguer o clube – Após Elias renunciar à presidência do clube, na última semana, o cargo e o desafio de tentar reerguer o Tamoio foi assumido por Ivo Manuel de Santana. Ele afirma que o principal objetivo de sua gestão é tentar refazer o quadro social do clube através do resgate das famílias. Para isso, entretanto, o departamento jurídico da entidade terá que tentar reverter as sentenças indenizatórias que podem levar outros terrenos do clube a leilão.

“Essas ações foram fraudulentas, pois foram julgadas sem contestação dos antigos gestores. Todos os processos serão avaliados, pediremos a anulação de alguns deles e o embargo dos leilões. Vamos pagar apenas o que for justo, pois não podemos deixar que acabem com o patrimônio de um clube histórico”, concluiu o advogado Lamar Cidaco, atual diretor jurídico do clube.

RELEMBRE:

Tamoio Futebol Crime: dossiê revela esquema que terminou em morte


Vice-presidente do Tamoio é assassinado após denunciar irregularidades financeiras no clube

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Josival Carlos Macedo, o Macaco Louco, 22 anos

Apontado como um dos gerentes da maconha no Complexo da Coruja, no bairro Vila Lage, em São Gonçalo, Josival Carlos Macedo, o Macaco Louco, 22 anos, foi preso por policiais do Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 7º BPM (São Gonçalo), na tarde desta quinta-feira, dia 27 de janeiro.

Os PMs seguiram para a comunidade após receberem uma denúncia anônima informando que traficantes envolvidos no confronto no Morro do Martins, em Neves – que terminou com um policial baleado, na noite da última quarta-feira, dia 26 – estariam se refugiando no conjunto de favelas vizinho, dominado pela mesma facção criminosa: o Comando Vermelho (CV).

O jovem foi surpreendido com um rádio transmissor em uma viela e não resistiu à prisão. Ele levou os policiais a uma casa, no alto do morro, onde foram encontrados 116 pequenos tabletes de maconha, uma carabina calibre 22 com uma luneta acoplada, uma pistola calibre 45 e 5 mil cápsulas utilizadas como embalagem para cocaína, além de uma máscara de macaco com a inscrição CV.

O acusado, que ostentava um cordão de ouro com a inicial de seu apelido, foi encaminhado à 74ª DP (Alcântara), onde foi autuado por tráfico de drogas e associação para o tráfico.

Suspeitos de forjar um auto de resistência (quando há morte de criminosos durante confronto com a Polícia), no Complexo do Salgueiro, no bairro de mesmo nome, em São Gonçalo, em outubro do ano passado, seis policiais militares – na época lotados no Serviço de Inteligência (P-2) do 7º BPM (São Gonçalo) – tiveram a prisão preventiva decretada pela juíza Patrícia Acioli, da 4ª Vara Criminal do município. Entre os presos está um oficial, chefe do setor da unidade operacional.

Os PMs foram denunciados pelo promotor Paulo Roberto Mello Cunha Júnior com base no laudo cadavérico da vítima, identificada como George da Conceição Silvestre, 17 anos, e nos depoimentos dos familiares do adolescente e dos próprios policiais envolvidos na ação.

Os pedidos de prisão contra o major Rodrigo Bezerra de Barros, os sargentos Cláudio Araújo Santos e Adriano de Oliveira Luz, e os cabos Wellington Antunes dos Santos, Cleutom Martins Coelho e Anderson Souza de Matos foram cumpridos entre os dias 21 e 25 de janeiro. Todos foram encaminhados ao Batalhão Especial Prisional (BEP), em Benfica, na Zona Norte do Rio, onde aguardarão decisão judicial.

Em depoimento, os PMs alegaram que a ordem para socorrer o adolescente – o que foi proibido após um acordo firmado entre as Polícias e membros do judiciário – partiu do major. Entretanto, o oficial negou que tenha dado tal determinação. Dos seis policiais acusados, apenas dois compareceram para depor na 72ªDP (Mutuá), onde o caso foi registrado.

O comandante do 7º BPM, tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, informou que encara com bastante tristeza a participação de policiais em atos irregulares.

“Respeito a decisão do poder judiciário. Se a magistrada tomou essa decisão, cabe aos advogados desses policiais acompanharem o caso. Todos os acusados, com exceção do major, já haviam deixado a P-2. Dois deles, inclusive, já não estavam mais no batalhão. Um sargento havia sido transferido para o 5º BPM ( Praça da Harmonia) e outro para o 41º (Irajá)”, explicou o oficial.

Confronto – O suposto confronto entre os policiais militares e traficantes do Complexo do Salgueiro, que terminou na morte do adolescente, ocorreu na localidade conhecida como Recanto das Acácias, no dia 21 de outubro do ano passado. Na ação, o rapaz foi baleado e levado pelos PMs para o Pronto Socorro de São Gonçalo (PSSG), no Zé Garoto, onde teria chegado morto.

Inicialmente, o caso foi registrado na 74ª DP (Alcântara). Na delegacia, os policiais disseram que encontraram no short da vítima 35 cápsulas de cocaína, 49 trouxinhas de maconha, além de uma pistola calibre 9mm com 13 munições intactas. O adolescente possuía uma anotação criminal na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

Acordo – Em março de 2009, um acordo firmado entre representantes da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, da 2ª Central de Inquéritos, do 7º BPM, do 20º Grupamento de Bombeiros Militar (20º GBM – São Gonçalo) e da Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (CRPI-SG) determinou que os policiais solicitem a presença de uma ambulância em ações que resultem nos chamados autos de resistência no município.

Antes, os baleados eram socorridos pelos próprios policiais e encaminhados ao hospital, o que no entendimento dos agentes desfaz o local do fato e compromete o resultado do laudo pericial.

O Ministério Público solicitou, portanto, que todos os confrontos com baleados registrados a partir de janeiro de 2007 fossem desarquivados pela Polícia Civil e investigados. A decisão desagradou alguns PMs, que afirmam que a iniciativa inibe a atividade policial.

Em 2007, as delegacias de São Gonçalo registraram 53 casos de autos de resistência. No ano seguinte, esse número aumentou para 62. Já em 2009, ano em que o acordo foi assinado, foram registradas apenas 20 ocorrências desse tipo, número que se manteve até novembro de 2010.

Suspeito de participação no assassinato do sargento da Polícia Militar Elmo dos Santos Martins, 47 anos, crime ocorrido em setembro do ano passado, na Região de Pendotiba, em Niterói, Fabiano da Silva Ramos, o Xaropinho, 23, foi preso por policiais do Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 7º BPM (São Gonçalo), no início da tarde desta quarta-feira, dia 19 de janeiro.

Apontado como o chefe do tráfico de drogas na Favela Nova Grécia, no bairro de mesmo nome, ele foi surpreendido pelos PMs na Rua Augusto Gonçalves Cardoso, no interior da comunidade. O acusado foi reconhecido através das tatuagens que possui: um leão no braço e a inscrição “O preço da traição é a morte” nas costas.

Abordado pelos policiais, ele os levou até sua residência, onde foram encontrados um Palio preto – roubado em Maria Paula, no último sábado –, 146 trouxinhas de maconha, três tabletes de crack, dois potes contendo pó branco, um saco de cocaína, além de 22 munições calibre 22, outras 18 calibre 44, material para embalagem da droga e um livro com instruções para manuseio de armas de fogo.

O criminoso foi encaminhado à 74ª DP (Alcântara), onde foi autuado por tráfico de drogas e receptação. Na delegacia, os policiais constataram que Xaropinho estava foragido da Justiça por roubo. Embora tenha sido apontado por policiais do 12º BPM (Niterói) como o principal suspeito de ter atirado sargento, agentes da 79º DP (Jurujuba) informaram que ainda não há provas que o associem ao crime. Entretanto, ele deverá ser ouvido no inquérito sobre a morte do PM.

Crime – Lotado no 12º BPM, o sargento Elmo dos Santos Martins foi morto a tiros em uma suposta tentativa de assalto, na Estrada Caetano Monteiro, em frente ao campo do Cruzeiro, no Badu, na noite do dia 22 de setembro do ano passado. A vítima estava acompanhada de uma amiga, identificada como Giovenice de Moraes, que também foi atingida pelos disparos.

De acordo com a Polícia, o sargento Martins – como era chamado – conduzia o seu Vectra prata, placa GXT-9092, quando, ao parar próximo a um sinal de trânsito, foi abordado por dois homens que estavam em um Nissan Sentra prata. Desconfiado, o policial se abaixou para pegar sua arma e foi surpreendido por outros dois homens em uma motocicleta. A dupla efetuou vários disparos e fugiu sem levar nada.

O PM estava na corporação há 25 anos, e, desde 1994, realizava um trabalho pioneiro no batalhão, onde era o responsável pela farmácia, que servia tanto aos policiais da ativa quanto aos da reserva.

Um assalto a uma van que fazia o trajeto Alcântara-Niterói terminou em perseguição e na prisão de dois jovens dentro de um hipermercado no bairro São Lourenço, em Niterói, no início da tarde desta sexta-feira, dia 29 de outubro. De acordo com policiais do 12º BPM (Niterói), Carlos Alberto de Jesus, 24 anos, e um menor, de 17, entraram no coletivo na Rua Jovelino de Oliveira, esquina com Avenida Maricá, em Alcântara.

Após percorrer aproximadamente 10 km, a dupla anunciou o assalto na altura da Avenida Professor João Brasil, no Fonseca, na Zona Norte de Niterói. Com um revólver calibre 38 apontado para a cabeça do motorista, os criminosos ameaçaram matar os dez passageiros, caso eles não os repassassem dinheiro e objetos de valor. Eles recolheram os pertences das vítimas e saltaram do veículo na Avenida Feliciano Sodré, próximo ao Moinho Atlântico.

Os passageiros comunicaram o roubo a policiais da Supervisão do 12º BPM, que perseguiram os criminosos até o hipermercado Extra, próximo à Favela do Sabão, com o apoio do helicóptero do Grupamento Aeromarítimo (GAM) e outras cinco viaturas. Um dos bandidos foi alcançado no estacionamento do hipermercado e o outro no interior da loja. Com eles, foram encontrados mais de R$ 600 em espécie, celulares, relógios e jóias, além da arma utilizada no assalto.

A dupla, que é moradora do bairro Itaúna, em São Gonçalo, foi encaminhada para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), onde o caso foi registrado. Na especializada, os agentes constataram que o menor já possuía uma passagem por assalto à mão armada. Ele acabou sendo autuado novamente em fato análogo pelo mesmo ato infracional. Já Carlos Alberto foi indiciado por roubo e corrupção de menores.

Presidente da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, Wilson Vieira Alves, conhecido como Moisés, foi preso em sua casa, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, durante operação da Polícia Federal batizada de Alvará e deflagrada no início da madrugada desta segunda-feira, dia 15 de abril.

Com Moisés, os agentes encontraram R$ 42 mil. Além dele, foram presos dois diretores da escola de samba e um assessor da presidência. Ao todo, a 4ª Vara Federal de Niterói expediu 51 mandados, sendo 29 de prisão. Destes, 24 haviam sido cumpridos, até o início da noite, em endereços no Rio, Niterói, São Gonçalo, Maricá e Nova Iguaçu. Entre os presos, havia um policial civil e sete PMs, sendo um oficial que foi chefe do Serviço de Inteligência (P-2) do 7º BPM (São Gonçalo).

Militar reformado – ele foi sargento do setor de informação da Brigada de Infantaria Paraquedista-, Moisés chegou à Vila Isabel em meados de 2004 por intermédio do ex-presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães. Através do padrinho, em pouco tempo alcançou a presidência da escola.

A prisão de Moisés ocorreu dois anos e três meses após a briga dele com o policial civil e presidente da Escola de Samba Unidos do Viradouro, Marco Antônio Lira de Almeida. A discussão teria antecedido a decisão de dar a Moisés o controle de todas as máquinas caça níqueis instaladas em estabelecimentos comerciais nos municípios de Niterói e São Gonçalo.

“A banca de bicheiros repartiu o Estado do Rio em territórios e a região de Niterói e São Gonçalo coube a Moisés”, explicou o delegado Marcos Aurélio Costa de Lima, chefe da Delegacia de Polícia Federal de Niterói.

No dia 11 de janeiro de 2008, Moisés e Marco Lira discutiram no interior do Bar do Capitão, localizado na esquina das ruas José Joaquim de Oliveira e Olinto Pereira, na localidade conhecida como Paiva, no bairro de Neves, em São Gonçalo.

Moradores do local afirmam que o estabelecimento é ponto de encontro de contraventores que exploram as máquinas caça níqueis no município e na cidade vizinha e contaram que a briga teria sido motivada no momento da divisão do dinheiro arrecadado com as máquinas. Na ocasião, Marco Lira foi baleado na perna, mas alegou que tinha sofrido assalto na porta da quadra da Viradouro.

Coincidentemente, logo após o fato a banca de bicheiros – que seria composta por Antônio Petrus Kalil, o Turcão, Capitão Guimarães e Aniz Abrahão David, o Anísio, presidente de honra da Beija-Flor – decidiu dar a Moisés o controle das máquinas nos dois municípios. Os três chegaram a ser presos, em abril de 2007, durante a operação Hurricane, que levou à prisão 25 suspeitos de envolvimento em uma rede de corrupção e de tráfico de influência, que beneficiaria a máfia do jogo. O trio também estava no grupo de 14 bicheiros condenados por formação de quadrilha pela juíza Denise Frossard, em 1993.

No carnaval deste ano, após ver a Viradouro ser rebaixada, Marco Lira disse que foi injustiçado e que sabia que a escola seria rebaixada.

“A escola caiu por questões pessoais. Eles são uns pilantras, desonestos. Mas vou dar os nomes e falar toda a verdade na hora certa”, afirmou, na ocasião.

O policial civil preso ontem foi identificado como Lúcio Teixeira Tibau. Lotado na Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter), ele foi flagrado com R$ 115 mil em espécie. No total, os policiais federais apreenderam R$ 386 mil. Enquanto R$ 42 mil estavam na casa de Moisés, R$ 99 mil foram encontrados na casa de José Alfredo Vilas Boas Filho, o Alfredinho, apontado como um dos principais maquineiros do esquema. Os agentes também realizaram a apreensão de duas armas e máquinas caça-níqueis e estiveram no escritório de Capitão Guimarães, no bairro do Ingá, na Zona Sul de Niterói, onde recolheram documentos, computadores e agendas.

Alguns dos presos foram identificados como Isabel Cristina Melo Dias Russo, Everaldo Lima Barreira, Gilberto Gomes de Souza, Sérgio Lúcio Teixeira Tibau, Luiz carlos Pereira Januário, José Alfredo Villas Boas Filho, Antônio Ricardo da Silva Ramos, Luciano Almeida Gomes, Júnior César Ferreira da Silva, André Martins Dorte, Celso Martins Dorte, Wagner Alves Coimbra, Nilo Antônio de Almeida Rocha, Erivan Vitorino Ramos e Alexandre Ramos.

“Prendemos um banqueiro e 11 maquineiros, que pediam autorização à banca do bicho para poder instalar caça níqueis na região. Eles recebiam um selo para marcar as máquinas e pagavam de R$ 200 a R$ 300 por mês por cada. Além disso, pagavam de 15% a 20% para o comerciante permitir a instalação do equipamento e também tinham que pagar a policiais para que eles não apreendessem as máquinas”, revelou o delegado Marcos Aurélio.

Os presos vão responder por contrabando, formação de quadrilha, extorsão, corrupção e facilitação do contrabando.

“Iniciamos as investigações pois queríamos chegar à pessoa responsável por explorar as máquinas. Vínhamos apreendendo sistematicamente máquinas e, apesar da importância dessas apreensões, os inquéritos paravam nos comerciantes. Queríamos saber quem compra, quem instala, quem paga e quem tem lucro com isso e agora haverá desdobramentos”, garantiu o delegado.

No último dia 8, o contraventor Rogério Andrade sofreu um atentado. Em liberdade condicional desde o ano passado, ele estava em um Corolla que era dirigido pelo filho, Diogo Andrade, 17, e que explodiu na Avenida das Américas, esquina com a Rua Baltazar da Silveira, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. Escoltados por dois carros com seguranças, eles haviam acabado sair de uma academia de ginástica.
A Polícia investiga se o explosivo foi colocado dentro do carro e acionado à distância ou se o artefato seria uma espécie de bomba-relógio. Segundo peritos, a explosão ocorreu de dentro para fora e de baixo para cima do carro. O impacto foi tão forte que arrancou o teto do veículo, arremessou o para-brisa a cerca de 70 metros, incendiou parte de um Vectra – onde havia dois seguranças de Rogério – e atingiu um Peugeot. Outro Vectra, com mais três PMs da escolta, foi abandonado a 150 metros do local.

Um dos suspeitos pelo atentado é Fernando Iggnácio. O também contraventor é genro do bicheiro Castor de Andrade, morto em 1997, e foi preso em outubro de 2006, conseguindo habeas corpus também em 2009. Ele é acusado de tentativa de homicídio na guerra da máfia dos caça-níqueis, além de ser o suposto chefe de uma das quadrilhas que disputam o controle dos caça-níqueis na Zona Oeste.

No fim da vida, Castor de Andrade teria dividido o território onde operava entre o sobrinho Rogério Andrade, que cuidaria do jogo do bicho, e o genro Fernando Iggnácio, que ficaria com as máquinas caça-níqueis. Diante da queda do movimento no jogo de bicho, Rogério teria decidido avançar sobre a área de Fernando.

No dia 21 de outubro de 1998, a vítima foi Paulinho de Andrade, 47, filho de Castor. Dirigente da Mocidade Independente, ele foi executado a tiros na Barra da Tijuca, também na Zona Oeste. Rogério Andrade foi condenado a 19 anos pela morte do primo Paulinho, que no dia do crime estava acompanhado de apenas um segurança, que também foi morto. Paulinho estava no carona de uma Cherokee quando um homem fez vários disparos de uma submetralhadora contra os dois. Ano passado, Rogério conseguiu um habeas corpus.

Em setembro de 2004, outra guerra pelos pontos do bicho foi travada. O patrono da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro Waldemir Paes Garcia, o Maninho, integrante da cúpula do jogo do bicho, foi morto a tiros, quando saía da Academia Body Planet, na Estrada do Gabinal, na Freguesia, na Zona Oeste. Ele saía de moto da academia quando homens em um carro passaram atirando. Levado para o Hospital Municipal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, ele acabou morrendo com três tiros. Maninho era o dono dos pontos de jogo de bicho e de máquinas de caça-níquel na Zona Sul do Rio.

O crime aconteceu por volta das 20h30, quando Maninho deixava a academia onde costumava se exercitar com o filho, conhecido como Mirinho. Ele estava em sua moto, uma Kawasaki, quando foi atingido pelos vários disparos no tórax e no braço. Policiais que estavam no local, informaram que, pelo menos, três tiros atingiram o patrono da Escola de Samba dos 10 disparados. Os suspeitos de praticar os praticar o crime fugiram em direção à Barra da Tijuca, segundo testemunhas.

Maninho, herdeiro dos pontos do pai, o bicheiro Miro, foi o contraventor mais jovem a ser condenado pela juíza Denise Frossard em 1993, quando a cúpula do bicho foi para a prisão. Ele deveria cumprir seis anos da pena, mas ficou detido apenas por três anos.

Entre a madrugada do último sábado, dia 27 de março, e a tarde desta segunda-feira, dia 29, cinco policiais militares foram baleados no Estado do Rio. Lotado no 22º BPM (Benfica), o soldado Gualter Antônio Neves dos Santos, 22 anos, se dirigia para o batalhão quando foi cercado por criminosos, na Avenida Brasil, na altura da Penha, na Zona Norte, nesta segunda-feira. Ele reagiu e acabou sendo atingido na troca de tiros.

Horas antes, o cabo Jeferson da Silva Pereira, 36, e o soldado Anderson Azevedo Taveira, 28, lotados no 6º BPM (Tijuca), haviam sido atacados por traficantes do Morro do Encontro, no Grajaú, também na Zona Norte do Rio.

Os PMs realizavam patrulhamento de rotina e passavam pela Estrada Grajaú-Jacarepaguá quando foram atingidos. O cabo Jeferson levou um tiro no queixo e foi operado. De acordo com a assessoria da PM, seu estado de saúde é estável e ele não corre risco de morrer. Já Anderson levou um tiro de raspão no braço, foi medicado e liberado em seguida.

Também nesta segunda-feira, o cabo Edmilson Andrade Vidal, 31, lotado no 37º BPM (Resende), prestou depoimento na 93ª DP (Resende), após ter alta do Hospital São João Batista, no bairro São Geraldo, em Volta Redonda, onde estava internado desde a madrugada do último sábado. Ele havia sido baleado no pé esquerdo durante troca de tiros com dois homens que estavam em uma moto, na Rua Três de Março, no bairro Retiro, onde ocorria um baile funk.

O PM contou que seguia em seu Honda Civic em direção a uma lanchonete na Avenida Antônio de Almeida quando viu uma aglomeração e foi avisado por populares de que ocorria um tumulto na saída de um baile funk próximo à Praça Tiradentes, por volta das 4h40.

Suspeito de ter protagonizado o confronto, Janir Oliveira Ferreira Júnior, o Juninho, 25, recebeu alta médica do mesmo hospital, também ontem, e foi indiciado pelo delegado Michel Floroschk, adjunto da 93ª DP, por tentativa de homicídio. No tiroteio, três pessoas foram vítimas de balas perdidas: o técnico em mecânica Jefferson Rodrigo Lessa da Silva, 26, e José Pedro Paulo da Fonseca e Luiz Paulo Fonseca, ambos de 57.
Ainda em depoimento, o policial disse que se deparou com uma dupla na Rua Rubi e que um deles segurava um revólver, no momento em que gritou “é polícia, é polícia”.

“Ao passar por eles, o que estava armado atirou em minha direção. Um dos disparos atingiu a lataria do meu carro. Parei e fui baleado ao descer do veículo, mas, mesmo ferido, consegui revidar os tiros”, disse o PM, que conseguiu balear Janir.

Segundo ele, logo em seguida uma viatura passou e o socorreu, levando-o ao Hospital São João Batista. O suspeito foi preso quando deu entrada na mesma unidade de saúde e foi reconhecido pela vítima. Outras três pessoas foram levadas para a delegacia, mas foram soltas por falta de provas.

Também no sábado, dia 27, um outro PM foi baleado. O cabo Marco Antônio dos Santos Ferreira, 41, lotado no 12º BPM (Niterói), foi atingido em um bar em Itaboraí e não resistiu.

A poucas horas do mês de abril, 50 policiais fluminenses já foram alvos de atentados no Estado do Rio. A estatística possui 21 PMs mortos, 4 PCs mortos, 21 PMs baleados, 2 PC baleado, 1 PF morto e 1 PF baleado. Dos 50 policiais, 24 estavam de serviço. Quatro eram reformados.

Leia mais aqui:


Estatística de Policiais Mortos e Baleados  2009

Estatística de Policiais Mortos e Baleados  2010

Um arsenal vindo da Bolívia com o objetivo de fortalecer traficantes do Morro do Martins, em Neves, São Gonçalo, foi apreendido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), na localidade de Guairacus, em Miranda, Mato Grosso do Sul, na tarde desta última quarta-feira, dia 10.

Para a surpresa dos agentes, os sete fuzis calibre 5.56 estavam no Vectra placa HTA 2052 ocupado por dois pastores da Igreja Mundial do Poder de Deus. Segundo a Polícia, os religiosos receberiam R$ 20 mil para realizar o transporte das armas do sul da região Centro-Oeste do Brasil para o Rio de Janeiro. Esta foi considerada a maior apreensão de fuzis dos últimos anos no Estado. Cada arma foi comprada por R$ 15 mil pelos religiosos, totalizando um prejuízo de R$ 105 mil para os criminosos da comunidade gonçalense.
O veículo seguia pela BR 262, quando foi abordado pelos agentes que realizavam a Operação Formiguinha, cujo objetivo é coibir o transporte de armas e drogas realizado em pequena escala de países que fazem fronteiras com o Brasil para as comunidades dominadas por traficantes.

Na abordagem, o condutor Sebastião Braz da Fonseca Neto, 42 anos, e o acompanhante Francisco Ferreira Moura, 31, disseram aos policiais que tinham ido até Corumbá, que faz fronteira com a Bolívia, para fazer pregação aos fiéis da congregação “A mão de Deus está aqui”, de Três Lagoas, localizada na Rua Augusto Correia da Costa, no bairro Vila Nova. Entretanto, a dupla estava visivelmente nervosa e acabou apresentando contradições sobre informações a respeito do que fizeram naquela cidade.

Após realizarem uma minuciosa revista no automóvel, os policiais encontraram as sete armas – todas de fabricação norte-americana, marca Bushmaster, modelo M-15, calibre 5,56 – que estavam escondidas em um compartimento de fundo falso nas portas dianteira e traseira e no assento traseiro do veículo.

O armamento estava desmontado para que pudesse ser acondicionado e envolvido por material adesivo plástico. O pastor Sebastião contou aos policiais que eles iriam encontrar uma pessoa em Campo Grande. De lá, a dupla ia viajar para São Gonçalo, onde os fuzis seriam entregues nas mãos de traficantes do Morro do Martins, em Neves, comunidade onde há dois dias equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do 7º BPM (São Gonçalo) destruíram uma mansão que era utilizada como quartel-general do tráfico de drogas. Os policiais foram até Campo Grande, onde prenderam o também pastor Felipe Jorge da Silva Freitas, 36, próximo à sua residência no bairro Nova Bandeirantes.

Os três religiosos, que ministram cultos há pelos menos dois anos, foram encaminhados à sede da Superintendência da Polícia Federal em Campo Grande, onde foram autuados por tráfico internacional de drogas.

A Bolívia e o Paraguai são os principais fornecedores de armas para traficantes do Brasil, principalmente os que agem nas favelas do Rio de Janeiro. Na Bolívia, armas de todos os calibres podem ser compradas até em lojas de eletrodomésticos. Na maioria das vezes, os próprios vendedores indicam aos compradores pessoas para atravessar a fronteira com o material.

Luiz Cláudio Gomes, o Pão com ovo

De acordo com a Polícia, o líder do tráfico no Morro do Martins é Luiz Cláudio Gomes, o Pão com ovo. Ex-chefe da venda de drogas na Favela Nova Brasília, na Engenhoca, ele teria deixado as bocas-de-fumo da comunidade da Zona Norte de Niterói para assumir o controle do tráfico na comunidade de São Gonçalo.

Ligado à facção criminosa Comando Vermelho (CV), Pão com ovo teve a prisão preventiva decretada pela Justiça por sequestrar um estudante de 18 anos, no último dia 29 de setembro, na entrada do Morro dos Marítimos, no Barreto, também na Zona Norte de Niterói, cujas bocas de fumo são controladas pela facção rival Amigos dos Amigos (ADA). Os principais comparsas do criminoso são Mário Sérgio Rocha Martins, o Gugui, e Bruno Bezerra da Silva, o Bruninho BR.

Preso em 2006 por agentes da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae) no Morro do Tabajaras, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, Gugui foi beneficiado com a liberdade condicional há cerca de cinco meses. Nesse período, ele encontrou o apoio de criminosos do Morro da Mangueira, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, e da Favela do Fallet, em Santa Teresa.

Mário Sérgio Rocha Martins, o Gugui

Fotos: Fellippo Brando e Roberto Moreyra

Acusado de ter sido contratado para executar o subsecretário de Transportes de Niterói, Adhemar Reis, o sargento da Polícia Militar Adair Correia da Silva Filho, o “Daizinho”, de 40 anos, foi preso por agentes da 77ª DP (Icaraí), na manhã desta quarta-feira, dia 3 de fevereiro. O PM foi intimado a se apresentar no 35º BPM (Itaboraí) – onde era lotado – e recebeu voz de prisão por força de um mandado de prisão temporário por 30 dias, expedido pela 3ª Vara Criminal de Niterói.

De acordo com o delegado titular da distrital, Mário Luiz da Silva, o sargento foi reconhecido por uma testemunha-chave do inquérito policial como o autor dos três disparos que mataram o subsecretário, no último dia 20. A vítima investigava fraudes nas concessões de autonomias para taxistas no município, esquema que ficou conhecido como a “máfia dos táxis”.

“Tudo levar a crer que ele foi contratado para cometer esse crime, pois não havia qualquer motivo pessoal para cometê-lo. Mas a investigação não se encerra com essa prisão. O próximo passo é identificar o mandante da morte do Adhemar e o homem que estava no veículo com esse policial”, explicou o delegado.

Os policiais contaram que chegaram ao acusado a partir de uma denúncia anônima que apontava um homem conhecido como “Daizinho” como o autor do crime. Cerca de 20 agentes da 77ª DP e da Corregedoria Geral Unificada (CGU) participaram da ação que terminou com a prisão do sargento, por volta das 11 horas.

“Nos dividimos em duas equipes para tentar prendê-lo em sua residência, no Pacheco, em São Gonçalo, já que havia informação que ele não estaria de serviço. Não o encontramos em casa, portanto deixamos um mandado de prisão com familiares para que ele se apresentasse no batalhão. Antes do meio dia, o policial já estava espontaneamente na unidade militar”, afirmou o diretor operacional da Corregedoria Geral Unificada (CGU), delegado Jayme Berbat Filho.

Satisfeito por chegar ao autor dos disparos que mataram o subsecretário, mas triste pelo fato do acusado ser um policial militar. Foi dessa maneira que o delegado Mario Luiz da Silva resumiu a prisão efetuada por sua equipe e ainda revelou uma curiosa coincidência. O sargento Adair Correia da Silva Filho ingressou na PM no mesmo dia em que o hoje titular da delegacia de Icaraí entrou para a corporação como soldado, no dia 11 de setembro de 1986.

“Não fico feliz em prender um policial. É doloroso para os bons profissionais ver um agente público praticar um crime como esse. Não podemos deixar que isso manche uma instituição tão valorosa, que é a Polícia Militar”, comentou o delegado.

Da máfia das vans a máfia dos táxis – Candidato a uma vaga no Lesgislativo de São Gonçalo nas últimas duas eleições (2004-2008), “Daizinho” possui uma extensa ficha criminal, com anotações por homicídio, extorsão e formação quadrilha.

Segundo os agentes, a maioria desses crimes está associada ao envolvimento do policial na disputa pelo controle do transporte alternativo em São Gonçalo, a chamada “máfia das vans”, responsável por 50 homicídios na região nos últimos 10 anos.

Em novembro de 2008, o ele e outras 30 pessoas – a maioria delas policiais militares e civis – foram presos por agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) sob a acusação de extorquir motoristas de vans a partir da imposição de um pedágio para circular em determinadas áreas no município. Os motoristas que não se adequassem ao esquema eram mortos pelos criminosos, que passavam a assumir a cooperativa a qual a vítima era associada.

O grupo, ainda segundo as investigações, atuava sob o comando do sargento reformado da Marinha e ex-vereador do município Edson da Silva Mota, o Mota da Copasa, de 54 anos, presidente da Cooperativa de Transportes Santa Isabel. Ele e seus dois filhos, sendo um deles ex-PM, também foram presos pela polícia civil, que cumpriu 45 mandados de prisão e 70 de busca e apreensão.

Na ação, 31 pessoas acusadas de envolvimento com a Máfia das Vans na Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro foram presas. Entre elas, oito policiais militares da ativa, um PM reformado, um policial civil e cinco ex-PMs.

Execução – Adhemar Reis, 68 anos, foi morto quando saía de casa, na Rua Joaquim Távora, em Icaraí, na Zona Sul de Niterói. Ele foi socorrido e encaminhado ao Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), no Centro, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na mesa de cirurgia. O subsecretário investigava um suposto esquema que consistia na venda de falsas autonomias de táxi.

Fotos: Pedro Pantoja

Leandro Marcelo dos Santos, o Araquém, 29 anos

O casal acusado de envolvimento na execução do chefe do Setor de Investigações (SI) da 72ª DP (Mutuá) e de outro policial da unidade foi preso em duas operações distintas, menos de doze horas após o crime. A primeira prisão foi efetuada por policiais do 12º BPM (Niterói) lotados no Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) da Engenhoca, por volta das 22h desta quarta-feira, dia 20.

Os PMs surpreenderam Jéssica Cristina Pereira Bento, 19 anos, no interior do Colégio Municipal Duque de Caxias, na Favela Grota do Surucucu, em São Francisco, em Niterói. Grávida de oito meses, ela estava escondida com ajuda do irmão, que é zelador da unidade de ensino.

Jéssica Cristina Pereira Bento, 19 anos

Namorada de Leandro Marcelo dos Santos, o Araquém, 29, – responsável pelos disparos que tiraram a vida do detetive Antônio César Fonseca Stockler, 50, – que era chefe do SI da 72ª DP – e do investigador João Carlos Gomes Coelho, 47, ela disse aos PMs endereços na Favela Fazenda dos Mineiros, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, onde seu namorado estaria escondido.

Aproximadamente duas horas depois, cerca de 30 agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil localizaram o criminoso dentro de uma casa. Quando o mesmo percebeu a presença dos policiais, tentou fugir pulando de laje em laje, até ser preso.

Os agentes da Core contaram que Araquém resistiu à prisão de todas as formas, e foi necessário mais de 10 homens para conseguir contê-lo e algemá-lo. Com o bandido, os policiais apreenderam uma pistola, que pode ser a arma do crime.

De acordo com investigações da 72ª DP, Araquém faz parte da facção criminosa Comando Vermelho (CV) e gerencia a venda de maconha nas bocas-de-fumo do Complexo do Salgueiro – composto pelas localidades Salgueiro, Itaúna, Conjunto da Marinha, Itaoca, Fazenda dos Mineiros, Recanto das Acácias, Conjunto da PM, Manoel da Ilhota, Rato Molhado, Palmeiras e Curral -, no bairro de mesmo nome.

Ainda na parte da manhã desta quarta-feira, momentos antes da execução dos dois policiais, Michael Santana Fonseca, o Carneiro, 23, apontado como gerente da venda de cocaína, e sua namorada, Vanessa Cortes Lima, 22, já tinham sido presos. Com o casal, foi apreendida uma metralhadora e recuperada uma moto roubada.

Enquanto Araquém tem passagem pela 74ª DP (Alcântara) por tráfico de drogas – nos anos de 2002 e 2004 – Carneiro tem passagem também pela 74ª DP, pelos crime de formação de quadrilha, em 2005, e roubo à mão armada, em 2008.

“Infelizmente perdemos esses dois policiais experientes e queridos pela Polícia. Não queríamos que as famílias sofressem com isso, mas conseguimos cumprir o papel da Polícia e dar uma resposta rápida a esse crime”, ressaltou o delegado Adilson Palácio, titular da 72ª DP.

“Por ordens pessoais do Chefe de Polícia Civil todas as equipes ficaram à disposição da 72ª DP para ajudar nas buscas a esses bandidos. Logo após o crime nós já começamos as operações para prendê-los. A resposta veio de forma rápida e eficiente, em torno de 12 horas”, enfatizou.

Após ser velado na Academia de Polícia Sylvio Terra (Acadepol), no Centro do Rio, o corpo do detetive Stockler foi sepultado no Mausoléu da Polícia Civil, no Cemitério do Caju, na Zona Norte do Rio, na tarde desta quinta-feira, dia 21. Já o corpo do investigador Coelho foi enterrado na tarde desta sexta-feira, dia 22, no Cemitério Parque da Colina, no Cantagalo, na Região de Pendotiba, em Niterói.

Os quatro presos foram autuados em flagrante por duplo homicídio, associação para o tráfico e porte ilegal de armas. Somadas, as penas chegam a 45 anos.

Mesmo com as recentes mortes de policiais em serviço, a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro acredita que o maior número de policiais nas ruas pode explicar o número de agentes mortos nos últimos dias. Do dia 5 de janeiro ao dia 20, 19 policiais já foram baleados no Estado do Rio. Destes, nove morreram – sendo seis policiais militares e três policiais civis. Dos 19 policiais, 15 estavam de serviço e um era PM reformado.

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