Arquivo da categoria ‘Zona Sul do Rio’

Onze meses após ameaçar processar o Pauta do Dia por divulgação do jingle eleitoral inspirado em funk proibidão usado na campanha pela presidência da União Pró-Melhoramentos dos Moradores da Rocinha (UPMMR), o agora candidato a vereador do Rio de Janeiro, Leonardo Rodrigues Lima, o Léo Comunidade, será investigado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).

O órgão, por intermédio da 205ª Promotoria Eleitoral, ajuizou ação de investigação eleitoral por abuso de poder econômico, abuso de poder político e captação ilícita de sufrágio em face de Léo Comunidade.

Com base em depoimentos de testemunhas, diligências e relatórios da Coordenadoria de Polícia Pacificadora da Polícia Militar, a ação relata que Léo coage e alicia moradores da Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, em troca de votos, com uma série de estratégias ilícitas, entre elas distribuição de cestas básicas, de botijões de gás e cobrança ilegais de taxas de mototaxistas.

O candidato, ex-presidente da União Pró-Melhoramentos dos Moradores da Rocinha, segundo investigações do MPE, também associou sua campanha política ao tráfico de drogas local.

A Promotoria requereu à Justiça Eleitoral a cassação do registro ou do diploma, se eleito for, de Léo Comunidade, a aplicação da multa prevista na Lei 9.504/97, além de declaração de inelegibilidade para as eleições dos próximos 8 anos.

De acordo com o MPE, a distribuição de cestas básicas ocorre na sede da associação de moradores mediante um cadastramento, sendo obrigatória a apresentação do título de eleitor. Além do cadastro, os beneficiários têm que cumprir outras etapas para conseguir a cesta, como, por exemplo, comparecer às reuniões organizadas em prol da campanha eleitoral de Léo Comunidade.

Em um dos encontros, no Clube Emoções, um policial da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha gravou áudio em que o representado afirma que, se for eleito, ampliará a entrega das cestas básicas: “Se eu ganhar, eu vou é aumentar a cesta (sic)”.

As investigações apontam que os cabos eleitorais do candidato, que também trabalham na associação de moradores, são os responsáveis pela entrega das cestas básicas. Policiais da UPP Rocinha também constataram que Léo Comunidade distribui botijões de gás em uma tenda na Rua do Valão, uma das principais da favela, onde uma pessoa faz anotações cadastrais dos moradores.

“Os benefícios, quais sejam, cestas básicas, botijões de gás, são oferecidos aos moradores da região em troca de voto; assim, a natureza desta estratégia denota inegável abuso de poder econômico, além de evidente captação ilícita de sufrágio, ilícitos a serem coibidos pela Justiça Eleitoral, à vista da inegável aptidão para macular o processo eleitoral e desequilibrar o pleito”, narra trecho da ação.

O MPE cita que a ligação de Léo Comunidade com o traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, 36 anos, pode ser comprovada com a música de campanha eleitoral. Carros de som do candidato circulam pela Rocinha tocando o jingle “Galo da Favela e seu elenco fabuloso”, em nítida associação ao funk “Bonde do mestre e seu elenco fabuloso” que era usado por Nem (preso em novembro de 2011) e seu bando em suas incursões pela favela e em pagodes e bailes realizados na comunidade.

A música do candidato a Vereador fala: “(…) Mas o Rio é o Léo! Tá tudo monitorado, deixa eles vim! Tá tudo dominado, e na hora de votar não tem nenhum mistério! É dezenove, zero, zero, zero…Vota no Léo… É um cara sério… É dezenove, zero, zero, zero… É o mano Léo que fortalece é o nosso povo. Sou o Galo da favela do elenco fabuloso”.

Segundo investigações, as pessoas que integravam a quadrilha de Nem eram chamadas de “elenco fabuloso”. O MP também requereu a retirada dos vídeos de Léo Comunidade e de Nem que estão disponíveis no Youtube.

“A aptidão para desequilibrar o pleito é evidente, pois a população local, seja por medo de retaliações de traficantes que, ainda presos, atemorizam a comunidade, seja por gratidão pelo assistencialismo político, acaba votando no candidato escolhido pelo poder paralelo”, narra a ação.

Diligências da equipe de fiscalização da Justiça Eleitoral na Rocinha constataram ainda que Léo Comunidade mantinha um esquema de cobrança de diária para mototaxistas e motofretes que trabalham na favela. Testemunhas contaram que o candidato ou representantes da associação de moradores cobravam R$ 13 de cada um dos motoqueiros, com a ameaça de que se não pagassem seriam expulsos do ponto e proibidos de trabalhar. Uma das testemunhas denunciou que um dos mototaxistas inadimplentes chegou a ser espancado.

A ação do MPE relata, ainda, que o major Edson Raimundo dos Santos, comandante da UPP Rocinha, foi vítima de tentativa de aliciamento pelo candidato a vereador. Acompanhado de dois homens, tentou induzir o PM a intervir na cobrança ilegal da taxa de mototaxistas, alegando que a destinação dos recursos seria para regularizar o exercício da atividade de transporte alternativo de pessoas e para a compra de cestas básicas para mil pessoas da comunidade.

Denúncia feita com exclusividade pelo Pauta do Dia, em novembro de 2011
Relembre aqui:
PF prende policiais civis e militares que faziam escolta de “Elenco Fabuloso”


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Doze apostadores flagrados em um bingo em Copacabana, na Zona Sul do Rio, foram parar na delegacia, na noite desta segunda-feira, dia 1º de outubro. A casa de jogos, localizada na Rua Raul Pompéia, foi estourada por policiais da Delegacia de Repressão
aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM). As duas funcionárias do estabelecimento foram presas em flagrante. Os agentes apreenderam 12 máquinas caça-níqueis e uma máquina de cartão de crédito.

O delegado Alessandro Thiers, titular da DRCPIM, revelou que a especializada chegou até o bingo após denúncia de um filho
que não suportava mais ver sua mãe sair todas as noites para jogar.

“Os dois responsáveis pela instalação do bingo naquele local já foram identificados e a prisão preventiva pedida à justiça”, ressaltou Thiers.

As funcionárias, identificadas como Marta Cristiane Montijo Leite, 31 anos, e Juliana Hermita Alves da Silva, 28, foram encaminhadas à Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter). Os apostadores foram identificados e liberados após assinarem termo se comprometendo a comparecer em juízo quando solicitados.

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Um detalhe que poderia passar despercebido acabou originando uma investigação conjunta que terminou com a identificação de uma quadrilha que realiza assaltos na Região Oceânica de Niterói e na Zona Sul do Rio.

Wallace Ferreira da Silva Gomes, 19 anos

Ao notar que vítimas de roubos nas duas cidades descreviam um dos criminosos como um homem com seis dedos em uma das mãos, os delegados Gabriel Ferrando, titular da 81ª DP (Itaipu), e Fábio Barucke, titular da 15ª DP (Gávea), perceberam que os assaltos eram praticados pela mesma quadrilha.

Willian Ferreira da Silva Gomes, 19 anos

Após dois meses de investigações, os policiais das duas distritais conseguiram identificar sete dos assaltantes. Quatro dos integrantes do bando foram presos na manhã desta sexta-feira, dia 25 de maio, durante incursão na Favela do Jacarezinho, no Jacaré, na Zona Norte do Rio. A ação foi coordenada por equipes da 81ª DP e da 15ª DP, com apoio de policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e de delegacias especializadas.

Leandro Floriano da Silva Regis

Batizada como Domus – nome dado às residências da nobreza romana – a operação ocorreu na localidade conhecida como Pica-Pau, onde quatro dos assaltantes foram surpreendidos com objetos das vítimas. Um menor de idade e dois maiores continuam sendo procurados.

Luiz Felipe da Silva Reis, o Macarrão, 23 anos

Todos possuem contra si mandados de prisão temporária e preventiva. Contra o menor também há um mandado de busca e apreensão. Todos os mandados são relacionados a 16 procedimentos instaurados nas duas unidades: 10 inquéritos na 81ª DP e seis na 15ª DP.

Jhonatan Deyvison Santos da Silva, o Be, 21 anos

Os presos foram identificados como os irmãos gêmeos Wallace Ferreira da Silva Gomes e Willian Ferreira da Silva Gomes – que completaram 19 anos hoje -, além de Denylson Nascimento dos Santos – que vai completar a mesma idade no próximo domingo, dia 27 – e Leandro Floriano da Silva Regis – que é primo do líder da quadrilha.

A Polícia continua as buscas ao líder da quadrilha, Luiz Felipe da Silva Reis, o Macarrão, 23, e aos seus comparsas, Jhonatan Deyvison Santos da Silva, o Be, 21, e a um menor de 17 anos de idade.

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A 23ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal da 1ª Central de Inquéritos do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro requereu à 9ª Vara Criminal da Comarca da Capital, nesta segunda-feira, dia 4 de abril, a prisão temporária dos cinco policiais da 10ª DP (Botafogo) acusados de torturar José dos Santos Filho, funcionário de um ferro-velho.

De acordo com o Inquérito 036/2011 da Corregedoria Interna da Polícia Civil, Jorge Alessandro Xavier Pereira, Rodrigo Soares de Assis Mariz, Thiago Santos Castro Del Rio, Antônio Carlos Nogueira Moraes Cardoso e Marcelo Xavier da Silva teriam praticado os crimes dentro da delegacia.

Com base nos autos, os promotores de Justiça Homero Freitas, Márcio José Nobre de Almeida e Alexandre Murilo Graça entendem que a prisão temporária é necessária para evitar que os indiciados possam influir, negativamente, na colheita de provas – por haver, ainda, testemunhas a serem ouvidas e outras diligências a serem realizadas. Além disso, com a decretação da prisão dos policiais, o MP pretende identificar outros possíveis coautores.

No texto do pedido de prisão temporária, os promotores informam que a medida visa a possibilitar as investigações policiais, já que os indiciados, “são perigosos e suas condutas são altamente reprováveis, afetando a própria estrutura social e a tranquilidade da comunidade local, até por serem agentes do Estado com o poder/dever de proteger a população”.

Presidente da Escola de Samba Unidos de Vila Isabel, Wilson Vieira Alves, conhecido como Moisés, foi preso em sua casa, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, durante operação da Polícia Federal batizada de Alvará e deflagrada no início da madrugada desta segunda-feira, dia 15 de abril.

Com Moisés, os agentes encontraram R$ 42 mil. Além dele, foram presos dois diretores da escola de samba e um assessor da presidência. Ao todo, a 4ª Vara Federal de Niterói expediu 51 mandados, sendo 29 de prisão. Destes, 24 haviam sido cumpridos, até o início da noite, em endereços no Rio, Niterói, São Gonçalo, Maricá e Nova Iguaçu. Entre os presos, havia um policial civil e sete PMs, sendo um oficial que foi chefe do Serviço de Inteligência (P-2) do 7º BPM (São Gonçalo).

Militar reformado – ele foi sargento do setor de informação da Brigada de Infantaria Paraquedista-, Moisés chegou à Vila Isabel em meados de 2004 por intermédio do ex-presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães. Através do padrinho, em pouco tempo alcançou a presidência da escola.

A prisão de Moisés ocorreu dois anos e três meses após a briga dele com o policial civil e presidente da Escola de Samba Unidos do Viradouro, Marco Antônio Lira de Almeida. A discussão teria antecedido a decisão de dar a Moisés o controle de todas as máquinas caça níqueis instaladas em estabelecimentos comerciais nos municípios de Niterói e São Gonçalo.

“A banca de bicheiros repartiu o Estado do Rio em territórios e a região de Niterói e São Gonçalo coube a Moisés”, explicou o delegado Marcos Aurélio Costa de Lima, chefe da Delegacia de Polícia Federal de Niterói.

No dia 11 de janeiro de 2008, Moisés e Marco Lira discutiram no interior do Bar do Capitão, localizado na esquina das ruas José Joaquim de Oliveira e Olinto Pereira, na localidade conhecida como Paiva, no bairro de Neves, em São Gonçalo.

Moradores do local afirmam que o estabelecimento é ponto de encontro de contraventores que exploram as máquinas caça níqueis no município e na cidade vizinha e contaram que a briga teria sido motivada no momento da divisão do dinheiro arrecadado com as máquinas. Na ocasião, Marco Lira foi baleado na perna, mas alegou que tinha sofrido assalto na porta da quadra da Viradouro.

Coincidentemente, logo após o fato a banca de bicheiros – que seria composta por Antônio Petrus Kalil, o Turcão, Capitão Guimarães e Aniz Abrahão David, o Anísio, presidente de honra da Beija-Flor – decidiu dar a Moisés o controle das máquinas nos dois municípios. Os três chegaram a ser presos, em abril de 2007, durante a operação Hurricane, que levou à prisão 25 suspeitos de envolvimento em uma rede de corrupção e de tráfico de influência, que beneficiaria a máfia do jogo. O trio também estava no grupo de 14 bicheiros condenados por formação de quadrilha pela juíza Denise Frossard, em 1993.

No carnaval deste ano, após ver a Viradouro ser rebaixada, Marco Lira disse que foi injustiçado e que sabia que a escola seria rebaixada.

“A escola caiu por questões pessoais. Eles são uns pilantras, desonestos. Mas vou dar os nomes e falar toda a verdade na hora certa”, afirmou, na ocasião.

O policial civil preso ontem foi identificado como Lúcio Teixeira Tibau. Lotado na Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter), ele foi flagrado com R$ 115 mil em espécie. No total, os policiais federais apreenderam R$ 386 mil. Enquanto R$ 42 mil estavam na casa de Moisés, R$ 99 mil foram encontrados na casa de José Alfredo Vilas Boas Filho, o Alfredinho, apontado como um dos principais maquineiros do esquema. Os agentes também realizaram a apreensão de duas armas e máquinas caça-níqueis e estiveram no escritório de Capitão Guimarães, no bairro do Ingá, na Zona Sul de Niterói, onde recolheram documentos, computadores e agendas.

Alguns dos presos foram identificados como Isabel Cristina Melo Dias Russo, Everaldo Lima Barreira, Gilberto Gomes de Souza, Sérgio Lúcio Teixeira Tibau, Luiz carlos Pereira Januário, José Alfredo Villas Boas Filho, Antônio Ricardo da Silva Ramos, Luciano Almeida Gomes, Júnior César Ferreira da Silva, André Martins Dorte, Celso Martins Dorte, Wagner Alves Coimbra, Nilo Antônio de Almeida Rocha, Erivan Vitorino Ramos e Alexandre Ramos.

“Prendemos um banqueiro e 11 maquineiros, que pediam autorização à banca do bicho para poder instalar caça níqueis na região. Eles recebiam um selo para marcar as máquinas e pagavam de R$ 200 a R$ 300 por mês por cada. Além disso, pagavam de 15% a 20% para o comerciante permitir a instalação do equipamento e também tinham que pagar a policiais para que eles não apreendessem as máquinas”, revelou o delegado Marcos Aurélio.

Os presos vão responder por contrabando, formação de quadrilha, extorsão, corrupção e facilitação do contrabando.

“Iniciamos as investigações pois queríamos chegar à pessoa responsável por explorar as máquinas. Vínhamos apreendendo sistematicamente máquinas e, apesar da importância dessas apreensões, os inquéritos paravam nos comerciantes. Queríamos saber quem compra, quem instala, quem paga e quem tem lucro com isso e agora haverá desdobramentos”, garantiu o delegado.

No último dia 8, o contraventor Rogério Andrade sofreu um atentado. Em liberdade condicional desde o ano passado, ele estava em um Corolla que era dirigido pelo filho, Diogo Andrade, 17, e que explodiu na Avenida das Américas, esquina com a Rua Baltazar da Silveira, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. Escoltados por dois carros com seguranças, eles haviam acabado sair de uma academia de ginástica.
A Polícia investiga se o explosivo foi colocado dentro do carro e acionado à distância ou se o artefato seria uma espécie de bomba-relógio. Segundo peritos, a explosão ocorreu de dentro para fora e de baixo para cima do carro. O impacto foi tão forte que arrancou o teto do veículo, arremessou o para-brisa a cerca de 70 metros, incendiou parte de um Vectra – onde havia dois seguranças de Rogério – e atingiu um Peugeot. Outro Vectra, com mais três PMs da escolta, foi abandonado a 150 metros do local.

Um dos suspeitos pelo atentado é Fernando Iggnácio. O também contraventor é genro do bicheiro Castor de Andrade, morto em 1997, e foi preso em outubro de 2006, conseguindo habeas corpus também em 2009. Ele é acusado de tentativa de homicídio na guerra da máfia dos caça-níqueis, além de ser o suposto chefe de uma das quadrilhas que disputam o controle dos caça-níqueis na Zona Oeste.

No fim da vida, Castor de Andrade teria dividido o território onde operava entre o sobrinho Rogério Andrade, que cuidaria do jogo do bicho, e o genro Fernando Iggnácio, que ficaria com as máquinas caça-níqueis. Diante da queda do movimento no jogo de bicho, Rogério teria decidido avançar sobre a área de Fernando.

No dia 21 de outubro de 1998, a vítima foi Paulinho de Andrade, 47, filho de Castor. Dirigente da Mocidade Independente, ele foi executado a tiros na Barra da Tijuca, também na Zona Oeste. Rogério Andrade foi condenado a 19 anos pela morte do primo Paulinho, que no dia do crime estava acompanhado de apenas um segurança, que também foi morto. Paulinho estava no carona de uma Cherokee quando um homem fez vários disparos de uma submetralhadora contra os dois. Ano passado, Rogério conseguiu um habeas corpus.

Em setembro de 2004, outra guerra pelos pontos do bicho foi travada. O patrono da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro Waldemir Paes Garcia, o Maninho, integrante da cúpula do jogo do bicho, foi morto a tiros, quando saía da Academia Body Planet, na Estrada do Gabinal, na Freguesia, na Zona Oeste. Ele saía de moto da academia quando homens em um carro passaram atirando. Levado para o Hospital Municipal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, ele acabou morrendo com três tiros. Maninho era o dono dos pontos de jogo de bicho e de máquinas de caça-níquel na Zona Sul do Rio.

O crime aconteceu por volta das 20h30, quando Maninho deixava a academia onde costumava se exercitar com o filho, conhecido como Mirinho. Ele estava em sua moto, uma Kawasaki, quando foi atingido pelos vários disparos no tórax e no braço. Policiais que estavam no local, informaram que, pelo menos, três tiros atingiram o patrono da Escola de Samba dos 10 disparados. Os suspeitos de praticar os praticar o crime fugiram em direção à Barra da Tijuca, segundo testemunhas.

Maninho, herdeiro dos pontos do pai, o bicheiro Miro, foi o contraventor mais jovem a ser condenado pela juíza Denise Frossard em 1993, quando a cúpula do bicho foi para a prisão. Ele deveria cumprir seis anos da pena, mas ficou detido apenas por três anos.

Fotos: Pedro Pantoja

Recrutado pelo traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, 33 anos, considerado um dos criminosos mais procurados do Estado, para ser seu segurança particular e lhe passar informações privilegiadas sobre operações realizadas pela Polícia Civil na Favela da Rocinha, em São Conrado, Zona Sul do Rio, o ex-soldado da Polícia Militar Carlos Henrique Pereira Januária, também conhecido como Caíque, 29, foi preso por agentes da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter), na manhã desta sexta-feira, dia 26 de março.

O acusado foi surpreendido em sua casa na Favela da Tijuquinha, no Itanhangá, na Zona Oeste do Rio, território que, curiosamente, é controlado por um grupo paramilitar. No endereço, os policiais encontraram R$100 mil em espécie, o Astra placa KYI-0885, a motocicleta Yamaha placa KNT-4662, além de uma pistola Glock 9 mm, que teria sido furtada de um policial civil, munições de diversos calibres e dois rádios transmissores.

Segundo as investigações, o ex-PM atuava como uma espécie de agente duplo, ora como informante (X-9) da Polícia, levando informações aos agentes sobre esconderijos de armas e drogas, ora repassando ao chefão do pó da Rocinha dados pontuais sobre ações policiais que seriam realizadas na comunidade da Zona Sul, considerada o reduto da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA). Por cada informação precisa sobre a atividade policial, o acusado recebia R$20 mil das mãos do próprio Nem.

“Ele é o primeiro de muitos outros policiais militares e civis que serão presos por colaborar com o crime organizado. Essa ação é um recado claro para quem frequenta a delegacia travestido de informante, mas tem envolvimento com traficantes”, enfatizou o chefe de Polícia Civil, delegado Alan Turnowsky.

Nos últimos quatro anos – mesmo período em que o acusado serviu à Polícia Militar – todas as operações realizadas na Rocinha tiveram vazamento de informação, entre as principais aquela que terminou com a descoberta de uma refinaria de cocaína no alto da favela, em junho do ano passado, e a ocorrida no último dia 11, na qual sete seguranças diretos de Nem foram mortos e uma adolescente de 13 anos acabou ferida por estilhaços durante confronto entre policiais e traficantes.

Ainda de acordo com as investigações, Nem conseguiu escapar de pelo menos cinco grandes operações durante esse período. Em agosto de 2007, o inspetor da Polícia Civil Sérgio Luiz Albuquerque, 49, foi preso sob a acusação de vazar informações sobre uma operação feita por 12 delegacias especializadas. Em novembro de 2009, outra ação coordenada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e pela Polícia Federal para prender Nem e Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, morto na última terça-feira, dia 23, foi abortada logo no início. Os dois foram alertados por informantes e conseguiram fugir.

A relação do traficante com o ex-PM ia além do interesse por informações sobre as ações da Polícia. O chefão da Rocinha mantinha certo grau de confiança e amizade com o criminoso, inclusive para andar em seu carro pelas ruas da comunidade.

“Ele trazia boas informações que batiam com nossas investigações, mas em determinado momento do processo apuratório descobrimos o envolvimento dele com os bandidos. Ele fazia jogo duplo. Queria ficar bem com a Polícia e com os traficantes”, completou Turnowsky.

Para o delegado, com a morte de Roupinol, considerado o maior fornecedor de drogas da ADA, de sete seguranças do chefão da comunidade e a prisão do ex-PM, Nem está ficando cada vez mais vulnerável.

“Só falta pegar o camisa 10 desse time”, brincou.

Em nota divulgada à imprensa, a Polícia Militar informou que o ex-soldado pertenceu à corporação durante quatro anos. Em sua folha de serviço constam falhas administrativas, como faltas constantes ao trabalho. Para evitar ser considerado desertor, ele geralmente se apresentava antes que o prazo expirasse. Entretanto, Carlos Henrique acabou expulso da corporação no último dia 9 de março.

Não é a primeira vez que informantes da Polícia Civil se utilizam da instituição para atender interesses criminosos. Ano passado, o também ex-PM Francisco César da Silva de Oliveira, o Chico Bala, auxiliou nas investigações da 35ª DP (Campo Grande), cujo titular era o delegado Marcus Neves, para desarticular a milícia autodenominada Liga da Justiça, que agia na Zona Oeste do Rio. Com o desmantelamento do bando, o grupo paramilitar chefiado pelo ex-policial, o Comando Chico Bala (CCB), acabou ocupando os espaços deixados pelo grupo rival e passou a controlar a maior parte dos serviços de segurança e transporte ilegal na região. No dia 25 de fevereiro, Chico Bala foi preso em uma mansão de luxo em Guarapari, no Espírito Santo.

“Policiais como esse serão tratados piores do que bandidos, pois, além de servir ao crime, eles colocam a vida de outros policiais em risco”, finalizou o Chefe da Polícia Civil.

Fotos: Pedro Pantoja

Polícia

As estatísticas e os recentes casos de assaltos em prédios levantaram uma questão sobre o preparo de funcionários de prédios e condomínios. No último dia 29 de setembro, três assaltantes conseguiram entrar no Edifício Solar da Praia, localizado na Rua Francisco Otaviano, em Ipanema, na Zona Sul do Rio, depois que um deles se identificou para o porteiro como funcionário da Companhia Distribuidora de Gás do Rio de Janeiro (CEG). Cinco apartamentos foram invadidos e 23 pessoas foram feitas reféns – sendo 18 moradores, dois funcionários do prédio e três empregados que realizavam obras em imóveis.

Segundo estatísticas divulgadas pelo Instituto de Segurança Pública, foram registrados 42 roubos a residências na região de Copacabana e Leblon, na Zona Sul, e Tijuca, na Zona Norte, entre janeiro e julho de 2008. No mesmo período desse ano, foram 72 casos naquela região – representando um acréscimo de 85%. O aumento maior ocorreu na Área Integrada de Segurança Pública (AISP) 6 – que engloba Tijuca, Grajaú, Andaraí, Vila Isabel, Maracanã, Praça da Bandeira e Alto da Boa Vista. Nos meses de maio, junho e julho do ano passado, foram feitos três registros – uma média de um por mês. Já esse ano, foram 17 – mais de cinco assaltos mensais, significando um aumento de mais de 200%.

ipanema assalto

Especialistas em Segurança Pública garantem que a colaboração de empregados e moradores é essencial para a segurança do prédio funcionar bem e que o preparo técnico de porteiros pode evitar que o número de vítimas aumente. A Polícia Militar ministra cursos destinados não somente a porteiros e outros funcionários de edifícios e condomínios, mas também aos síndicos.

O secretário de Estado de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, informou que esses criminosos faziam parte do tráfico em comunidades atualmente ocupadas por Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s) e passaram a assaltar como nova forma de conseguir dinheiro, a partir do momento em que deixaram de poder vender drogas. O secretário garantiu que vai manter a estratégia de combater o tráfico de drogas nas favelas e pediu mais atenção aos funcionários de prédios para evitar a entrada de assaltantes.

Policia

“Os bandidos hoje estão usando estratégias diferenciadas, como identificando-se nessas portarias como funcionários, como foi o caso em Copacabana, como funcionários dos Correios ou de outro órgão. Após essas pessoas adentrarem o prédio fica muito difícil para Polícia identificar. O batalhão vai fornecer cursos no sentido de preparar as portarias para que possam fazer essa triagem”, ressaltou Beltrame.

Diretor para assuntos trabalhistas e previdenciários do Sindicato dos Empregados em Edifícios do Município do Rio de Janeiro, José Ibiapina revelou que o órgão pretende reativar, nas próximas semanas, o curso de qualificação para porteiros.

“A violência fugiu do controle das autoridades e hoje nos atinge até mesmo dentro de nossas casas. Oferecíamos um curso com duração de um mês e aulas três vezes por semana, mas a procura era pequena. Hoje, eles estão mais interessados e procuram por essa qualificação. Estamos reativando a proposta do curso para que os funcionários possam colaborar na prevenção desses roubos em edifícios”, garantiu, aproveitando para criticar a desvalorização sofrida pela classe.

Polícia

“Às vezes, por causa de R$ 100, eles preferem contratar porteiros sem qualificação. Não adianta ter câmeras e equipamentos de segurança se o trabalhador está desestimulado ou não sabe lidar com aquela tecnologia. Os profissionais têm que ser valorizados. Sem material humano fica mais difícil”, enfatizou Ibiapina, que estima que somente na capital existam cerca de 100 mil empregados em edifícios. Aproximadamente 60 mil são sindicalizados.

Polícia

Enquanto cursos de ação preventiva para porteiros podem custar R$ 280 e o piso salarial definido por tabela do sindicato é de R$ 528, mais benefícios, os profissionais interessados em se qualificar podem participar dos cursos gratuitos oferecidos pela Polícia Militar. Um dos batalhões com maior número de procura, o 19º BPM (Copacabana) está com inscrições abertas.

Apesar de ficar sediado na Zona Sul do Rio, o curso do batalhão é procurado até mesmo por porteiros, síndicos e zeladores de Campo Grande, na Zona Oeste, e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Atualmente, há 180 inscritos. A aula é ministrada em forma de palestra e tem quatro horas de duração. Os interessados devem ligar para 2233-9250.

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A unidade – responsável pelo policiamento e patrulhamento ostensivo nos bairros Copacabana e Leme – abrange uma área de 5,3 quilômetros quadrados e 138.674 moradores e faz parte da AISP 19. De janeiro a julho do ano passado, as delegacias da área – 12ª DP (Copacabana) e 13ª DP (Ipanema) – registraram 14 roubos a residência. No mesmo período de 2009, foram 23.

Já a AISP 23 – que engloba os bairros São Conrado, Vidigal, Gávea, Leblon, Lagoa, Jardim Botânico e Ipanema – apresentou uma queda nos índices. Enquanto de maio a julho de 2008 houve 11 casos, de maio a julho desde ano foram 6. A queda também ocorreu em um período maior: de janeiro a julho de 2008 as delegacias da área – 14ª DP (Leblon) e 15ª DP (Gávea) – registraram 18 casos de roubo a residência, enquanto no mesmo período desse ano os registros caíram para 13.

Polícia

No início do mês de setembro, seis pessoas foram mantidas reféns por cerca de cinco horas em um prédio da Rua Assis Brasil, em Copacabana, após assalto que começou no Largo do Machado. Um dos criminosos foi baleado de raspão no braço direito, depois que uma das vítimas conseguiu se libertar e atirou contra ele.

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Também em setembro, no dia 21, criminosos aproveitaram o momento em que um morador chegava em seu automóvel no Edifício Aquidauana, na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana, na Zona Sul, para também entrar no prédio pela garagem. Eles renderam funcionários e todos que chegavam e mantiveram pelo menos 30 pessoas no depósito de lixo do edifício. Antes de fugir, eles colocaram lixeiras na porta do depósito e mandaram que as vítimas esperassem cinco minutos para que pudessem sair.

apartamento assaltado

Alguns dias antes, três ladrões invadiram o prédio de número 85 da Rua General Roca, na Tijuca, na Zona Norte, e também assaltaram alguns apartamentos, enquanto mantinham moradores reféns. O crime ocorreu no dia seguinte ao assalto no Edifício Golden Coast, que fica no número 232 da Avenida Delfim Moreira, no Leblon. Por cerca de duas horas, foram feitos reféns moradores de três apartamentos, além do porteiro e outros empregados do prédio. Os bandidos fugiram em um Passat vermelho, pertencente a um dos moradores, levando R$ 5,7 mil, US$ 13 mil, 4 mil euros, um laptop, jóias e celulares.

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Fotos: Pedro Pantoja

Polícia

Moradores do Edifício Solar da Praia, localizado na Rua Francisco Otaviano, em Ipanema, na Zona Sul do Rio, viveram momentos de tensão ao serem mantidos reféns durante um assalto que começou no início da manhã de ontem e durou cerca de duas horas. Os criminosos conseguiram entrar no prédio depois que um deles se identificou como funcionário da Companhia Distribuidora de Gás do Rio de Janeiro (CEG).

“Ele falou para o porteiro que era da companhia de gás e que ia fazer a medição. O porteiro abriu a porta da garagem e ele entrou, acompanhado por outros dois homens”, contou o engenheiro Elias Mansur, 55 anos, que mora há três décadas no local e foi surpreendido pelos assaltantes quando retornava de um passeio com sua cadela.

Polícia

“Fui rendido quando voltava da praia. O porteiro e outros moradores estavam sendo mantidos reféns. Ainda tentei voltar para a rua, mas não consegui. Fui obrigado a levá-los até o meu apartamento, que fica no primeiro andar, e eles levaram os outros reféns para lá também. Alguns moradores ficaram trancados em um quarto e outros ficaram em um segundo quarto”, revelou Elias, dizendo que um pedreiro que trabalhava em uma obra em seu apartamento chegou a ser agredido com uma coronhada no nariz.

“Eles avisaram que iriam continuar no prédio e mandaram que não saíssemos do apartamento”, ressaltou o engenheiro, acompanhado por uma outra moradora que não quis se identificar e que disse que os bandidos ameaçaram cortar seu dedo, caso ela escondesse alguma coisa.

“Tive medo dele ficar muito revoltado e machucar alguém. Não tinha quase nada em casa e ele me ameaçava, caso achasse alguma coisa que eu dizia que não tinha. Fui levada para o apartamento no primeiro andar, onde fiquei uns 40 minutos, junto com outros moradores. Ninguém queria arriscar ir na janela ou chamar a Polícia, pois ninguém sabia se eles ainda estavam lá”, relembrou.

ipanema assalto

De acordo com as vítimas, o trio de assaltantes entrou no edifício por volta das 7h45 e a Polícia Militar foi chamada somente duas horas depois. Um morador do prédio ainda jogou um bilhete da janela tentando ajudar na identificação dos criminosos. No papel, o homem avisava que os assaltantes eram três, sendo um negro e dois morenos de aproximadamente 1,70 m.

“Os moradores que desconfiaram da ação e não foram assaltados poderiam ter acionado a PM há mais tempo. Lamentavelmente houve atraso nessa chamada e quando chegamos não foi possível localizar os criminosos”, declarou o comandante do 23º BMP (Leblon), coronel Sérgio Alexandre Rodrigues do Nascimento.

Polícia

Além de 15 homens do 23º BPM, equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) também foram deslocadas para o local.

“Isolamos as entradas e saídas do prédio, pois a informação inicial era a de que poderia haver um morador sendo feito refém em um dos apartamentos. Acionamos o Bope preventivamente”, explicou o oficial.

O edifício, que fica em frente ao Parque Garota de Ipanema, tem sete andares e possui 14 apartamentos. Destes, oito foram assaltados. Muitos dos imóveis estão passando por obras. Além de 18 moradores, dois funcionários do prédio – o porteiro e um faxineiro – e três funcionários que trabalhavam na reforma de um apartamento no 5º andar foram mantidos reféns.

Polícia

O delegado Gustavo Valentine, da 14ª DP (Leblon), esteve no local e ouviu informalmente todas as vítimas.

“Agora vamos ouvir todas na delegacia para formalizar os depoimentos e estou solicitando as imagens das câmeras dos prédios próximos, já que este edifício não possui circuito de segurança. Os criminosos levaram jóias e dinheiro e deixaram de roubar várias coisas, como notebooks e outros eletroeletrônicos”, declarou Gustavo, que vai disponibilizar os álbuns do Setor de Investigação Policial (SIP) da 14ª DP para que os moradores vejam as fotos.

“Vamos solicitar a confecção de retratos-falados e também mostrar fotografias cadastradas para verificar se algum é reconhecido”, destacou o delegado, que solicitou que perícias do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) e também do Instituto Félix Pacheco (IFP) fossem realizadas nos apartamentos em que os bandidos estiveram.

Polícia

O delegado também vai apurar a informação de que os assaltantes entraram no edifício perguntando por um morador, que seria ourives.

“Fomos no apartamento deste morador, mas ele não estava. Estamos investigando todas as hipóteses. O crime pode ter sido praticado por uma quadrilha especializada, pode ter envolvimento de ex-funcionários ou pessoas que já freqüentaram o prédio e sabiam da inexistência de câmeras ou pode ter sido premeditado tendo como alvo alguém específico”, afirmou.

Em nota, a CEG informou que está à disposição da Polícia para colaborar com a investigação e alertou os clientes sobre alguns cuidados para evitar a entrada de falsos funcionários nos prédios. Entre eles, a empresa esclareceu que as visitas são previamente agendadas e que dúvidas podem ser esclarecidas pelo telefone 08000-247766.

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Fotos: Pedro Pantoja e Cláudio César (divulgação)

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“A compaixão nem sempre é uma virtude. Quem poupa a vida do lobo, condena à morte as ovelhas.” A célebre citação do escritor e poeta francês Victor Hugo serviu de inspiração para o comandante geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio de Brito Duarte, comentar o episódio em que um assaltante que mantinha uma comerciante refém foi morto ao ser atingido por um disparo efetuado por um atirador de elite da PM. O episódio ocorreu na última sexta-feira, dia 25, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, quando Sérgio Ferreira Pinto Júnior, o Serginho, 24 anos, fugia da Polícia e manteve a comerciante Ana Cristina Garrido, 48, como escudo. O major João Jaques Busnello, 39, lotado no 6º BPM (Tijuca), foi o responsável pelo tiro certeiro.

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“Numa ocorrência com refém, o Estado, que deve preservar vidas, corre o risco de sacrificar a vida inocente ameaçada se agir com vacilações a pretexto de preservá-las, todas, a qualquer custo”, destacou o coronel Mário Sérgio no texto intitulado “Sobre lobos e ovelhas” e publicado em seu blog “Segurança Pública – Idéias e Ações” e também no “Blog do Comandante Geral”. Na publicação, ele lembra casos emblemáticos em que a ação da Polícia foi questionada pela sociedade por não ter tido o mesmo êxito da ação da última semana.

assaltante

Além de citar um caso paulista ocorrido em 1990, quando um cabo da PM de São Paulo acertou com precisão a cabeça do criminoso, mas acabou também matando a refém – uma professora – quando o projétil atravessou o alvo e atingiu também a vítima, o oficial recordou o seqüestro do ônibus 174, ocorrido no Rio, há nove anos.

sandro 174

“Um assaltante descontrolado que mantinha reféns foi inutilmente preservado em detrimento das vítimas que ameaçava. Durante longos minutos esteve sob mira de atiradores de precisão do BOPE, que aguardavam uma ordem para agir. O desfecho foi trágico. A ordem não foi dada, o alvo não foi posto fora de ação e mais uma dor encheu as páginas dos jornais por semanas”, ressalta o comandante da PMERJ nos blogs.

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O seqüestro do ônibus da viação Amigos Unidos que fazia a linha 174 (Central-Gávea) – posteriormente extinta e substituída pela 158 – teve início às 14h20 do dia 12 de junho de 2000. O coletivo, que transportava 11 passageiros, ficou detido no bairro Jardim Botânico por quase 5 horas, por Sandro Barbosa do Nascimento, sobrevivente da Chacina da Candelária, ocorrida sete anos antes. Ele tinha 21 anos, estava armado com um revólver e acabou sendo morto por asfixia dentro de uma viatura que o conduziria à delegacia.

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Última refém do criminoso, a professora Geísa Firmo Gonçalves, com 20 anos na época, morreu baleada por um PM que tentou atingir Sandro quando este saiu do ônibus com a professora como escudo. A tragédia foi retratada no documentário “Ônibus 174”, do diretor José Padilha, em 2002. Ao terminar o seu texto, o coronel Mário Sérgio finaliza: “Agora sim, o Zé Padilha pode fazer um filme com final feliz.”

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O final feliz não aconteceu para Sérgio Ferreira Pinto Júnior, o Serginho, 24 anos. Em sua página no Orkut, ele se descreve como um “guerreiro da paz treinado e preparado para a guerra e nascido para amar” e diz: “Sou fiel como um cão de guarda e feroz e faminto como um de caça, mas dócil e amável como um animal domesticado. Sou também mais um guerreiro sobrevivendo nesse mundo injusto e maldoso. Tímido por natureza, paciente por opção e malandro por experiência!”.

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Ex-militar do Exército, ele concluiu curso de Montagem e Manutenção de Computadores e chegou a trabalhar no cadastro de idosos e portadores de deficiência no RioCard. Em seu perfil profissional, ele diz que sua escola foi a rua e que estava matriculado no curso “Caçador de Aventura” da faculdade “Vida Loka”. Seu trabalho foi definido por ele como “Profissão Perigo: perigoso, mas lucrativo” e suas habilidades profissionais foram descritas como “belas artes e jóias raras”.

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Abaixo do seu apelido na página do site de relacionamentos – “Serginho Abençoado & Iluminado” – ele escreveu a frase: “Paz, Justiça e Liberdade” – lema da facção criminosa Comando Vermelho (CV).

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Em um dos seus álbuns de fotos, o criminoso – que já tinha duas passagens pela Polícia e já havia cumprido pena por porte de arma, desobediência, estelionato e furto – postou fotos de uma praia e uma cabana na montanha, revelando que aquele era o sonho dele para o futuro: “meu lar se deus kizer”, diz, embaixo de uma das imagens.

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Em outro álbum, ele posta a foto de uma pistola e escreve: “meu direito de defesa”. Há também fotos de um passeio feito em Itatiaia, em julho do ano passado. O criminoso, que, em nove meses de prisão, nunca recebeu visita da família, estava em liberdade desde abril, quando foi solto pela Justiça por falta de julgamento.

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Assista o Vídeo da Ação:

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Fotos: Bruno Gonzalez

A paraguaia Marcia Patricia Aranguren Benegas, que é química farmacêutica, denunciou policiais da DRAE por seqüestro e extorsão

A paraguaia Marcia Patricia Aranguren Benegas, que é química farmacêutica, denunciou policiais da DRAE por seqüestro e extorsão

Um cubano amigo da paraguaia que denunciou policiais civis por seqüestro e extorsão está sendo procurado pela Polícia. Naturalizado brasileiro, ele morava em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, e é suspeito de envolvimento no crime. Em seu depoimento na Delegacia Especial de Atendimento ao Turismo (Deat), a química farmacêutica Marcia Patricia Aranguren Benegas, 35 anos, disse que saiu de seu hotel, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, por volta das 23 horas do dia 22 de julho, após receber uma ligação do cubano a convidando para jantar na praça de alimentação do Rio Sul, em Botafogo, também na Zona Sul. Ela contou que não sabia que o horário de fechamento do shopping era às 22 horas e disse que foi abordada por homens que saíram de uma viatura caracterizada da Delegacia de Repressão às Armas e Explosivos (DRAE) pouco após sair do hotel.

Delegado Fernando Vila Pouca, titular da DEAT

Delegado Fernando Vila Pouca, titular da DEAT

“Eles já tinham a informação de que ela estaria de posse de uma alta quantia em dinheiro. Essa informação pode ter sido passada por uma pessoa no Brasil. Logo no primeiro momento, ela os identificou como policiais por causa do carro”, ressaltou o delegado Fernando Vila Pouca, titular da Deat, que remeteu o caso à Divisão de Assuntos Internos (Divai), da Corregedoria Geral da Polícia Civil, este mês.

O corregedor da Polícia Civil, informou que dois dos quatro policiais que teriam participado da ação já estão identificados. No entanto, dois meses após o registro da denúncia, eles ainda não prestaram depoimento.

“Através das investigações à extorsão praticada, em tese, por policiais civis, chegamos a esses dois policiais, que serão ouvidos na Corregedoria. O amigo dela, que é cubano, está sendo procurado para também ser ouvido. Ele morava em Niterói, mas se mudou e ainda não temos o novo endereço. Ele teria sido a isca que atraiu a paraguaia para o suposto crime”, afirmou José Augusto, dizendo que ele costumava acompanhar a química em suas vindas ao Brasil.

Delegado José Augusto Pereira de Souza, Corregedor da Polícia Civil

Delegado José Augusto Pereira de Souza, Corregedor da Polícia Civil

“Ele fazia o acompanhamento da vítima sempre que ela vinha ao Rio para comprar produtos químicos para a atividade que mantinha no Paraguai. Ela teria ligado para ele falando sobre a quantia e pedindo um guarda-costas, anteriormente ao fato. No dia do incidente, ela recebeu uma ligação dele e aceitou um convite para fazer uma refeição. Ela saiu do hotel para se encontrar com ele no Rio Sul, sem saber que o shopping já estava fechado naquele horário”, destacou o corregedor.

Acompanhada por uma empregada, a paraguaia – mãe de duas crianças – foi seqüestrada quando deixava o Copacabana Mar Hotel, na Rua Ministro Viveiros de Castro, em um Toyota, e a ação foi gravada por câmeras do sistema de segurança de prédios vizinhos ao hotel. Segundo a vítima em seu depoimento, dois dos policiais teriam entrado no veículo, que foi escoltado por uma Blazer com os adesivos da Drae até um ponto embaixo à Ponte Rio-Niterói. A especializada fica localizada na Zona Portuária, próximo a um dos acessos à Ponte.

Corregedor geral da Polícia Civil concedeu entrevista coletiva para falar sobre o caso

Corregedor geral da Polícia Civil concedeu entrevista coletiva para falar sobre o caso

Ainda de acordo com o relato da vítima à Polícia, ela teria sido mantida sob a mira de fuzis e agredida várias vezes com tapas no rosto, além de ter sido ameaçada por um dos supostos policiais de ser acusada de tráfico de drogas. A química teria permanecido embaixo da Ponte Rio-Niterói, escoltada por alguns policiais, enquanto outros retornaram ao hotel junto com a empregada.

Um deles teria se identificado ao recepcionista como namorado da paraguaia. Após recolherem as malas dela, eles voltaram para o local onde a haviam deixado e mandaram que ela fosse embora do Rio e não retornasse. Escoltada pela Blazer até a Rodovia Presidente Dutra, a paraguaia resolveu retornar e pedir ajuda na Deat, relatando que haviam levado os R$ 90 mil que ela possuía para comprar insumos químicos.

“O delegado entrou em contato comigo, revelando que duas paraguaias haviam seqüestradas e assaltadas e queriam voltar para o Paraguai. Ele me disse que não ficaria tranqüilo delas dirigirem sozinhas naquela noite. Eu mesma as peguei e trouxe para o prédio do consulado, onde ficaram hospedadas até a manhã seguinte. Depois do café, elas foram embora”, contou o cônsul do Paraguai, Ricardo Caballero Aquino, dizendo que a química havia dirigido aproximadamente dois mil quilômetros, chegando no Brasil após dois dias de viagem.

Cônsul do Paraguai no Rio, Ricardo Caballero Aquino

Cônsul do Paraguai no Rio, Ricardo Caballero Aquino

“É um assunto de extrema gravidade. Ela foi sequestrada e roubada, ao que tudo indica por policiais civis do Rio. Pessoalmente, comuniquei o caso ao meu governo e espero uma solução das autoridades brasileiras, em especial, das autoridades do Estado do Rio”, afirmou o cônsul.

A delegada Márcia Becker, titular da Drae, revelou que os agentes saíram da especializada para verificar uma denúncia de que haveria uma traficante paraguaia com drogas em um hotel de Copacabana. Ela não negou a ida dos policiais até o local, nem a abordagem à química, e confirmou que eles entraram no hotel e subiram até o apartamento da vítima – fatos constatados através das imagens gravadas por câmeras de segurança.

Delegada Márcia Becker Simões, titular da DRAE

Delegada Márcia Becker Simões, titular da DRAE

A delegada também revelou que os policiais apreenderam cerca de 70 quilos de produtos que seriam anfetaminas – parte estaria com a denunciante e outra parte no quarto do hotel. No entanto, não soube explicar o porquê da paraguaia não ter sido presa em flagrante, além de ter alegado que ainda não havia recebido o resultado do laudo do exame solicitado, no final do mês de julho, ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE).

Em janeiro deste ano, ela já havia denunciado outros policiais por extorsão. O caso, que teria ocorrido em Assunção – cidade onde ela mora – foi divulgado pelo jornal paraguaio Diário Popular, dois meses depois. Em seu perfil no Orkut, a paraguaia diz que pratica tiro e tem paixão por armas de fogo, viagens e experiências novas. Em sua frase de apresentação, a mensagem: “que pena lo siento mucho pero esas eran las reglas……y el que no cumple esta fuera de todo”. A tradução seria: “É uma pena, sinto muito, mas essas eram as regras e aquele não as cumpre está fora de tudo”.

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