FB denunciado por queda de helicóptero do GAM

Publicado: 10 de setembro de 2010 em Uncategorized

Quatro traficantes envolvidos na tentativa de invasão do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, foram denunciados pelo Ministério Público, por intermédio da 12ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal da 1ª Central de Inquéritos. A guerra entre criminosos da facção Comando Vermelho (CV) e rivais da Amigos dos Amigos (ADA) acabou com a derrubada de um helicóptero do Grupamento Aeromarítimo (GAM) da Polícia Militar e com a morte de três policiais.

Fabiano Atanásio da Silva, o FB, 34 anos

Foi pedida a prisão preventiva dos quatro acusados. O MPRJ requereu, ainda, a continuidade das investigações da 25ª DP (Engenho Novo) sobre a participação de outros 22 suspeitos no episódio ocorrido em outubro de 2009. Identificados como Fabiano Atanásio da Silva, o FB, 34 anos, Leandro Domingos Berçot, o Lacoste, Luiz Carlos Santino da Rocha, o Playboy, e Magno Fernando Soeiro Tatagiba de Souza, o Magno da Mangueira, 44, os quatro foram denunciados por triplo homicídio qualificado, seis tentativas de homicídio qualificado e associação armada para o tráfico de drogas.

Magno Fernando Soeiro Tatagiba de Souza, o Magno da Mangueira, 44 anos

Se a denúncia for recebida, eles responderão à ação penal perante o III Tribunal do Júri da Comarca da Capital. Um quinto suspeito, Michel Carmo de Carvalho, morreu antes do fim das investigações.

“As condutas delituosas praticadas pelos denunciados e seus comparsas, além de denotarem extrema audácia e crença na impunidade, provocaram grande inquietação no meio social, não só pela forma que se deu, mas também em razão da queda da aeronave, com a consequente morte de três policiais militares tripulantes, inclusive com grande repercussão nos meios de comunicação nacionais e internacionais”, ressalta o promotor de Justiça Eduardo Rodrigues Campos, responsável pela denúncia.

Liderados por FB, o grupo de traficantes invadiu, na madrugada do dia 17 de outubro de 2009, a comunidade do Morro dos Macacos através de acessos existentes no Complexo do Morro do São João. O objetivo da empreitada era tomar os pontos de venda de drogas dominados por uma facção criminosa rival. Houve troca de tiros, e a PM interveio para acabar com o confronto.

Entre 9h10 e 9h30, os criminosos reagiram à operação policial, ferindo os policiais Willian de Souza Noronha e André Luiz dos Santos Guedes. Por volta de 10h, na comunidade do Morro do São João, próximo ao Morro da Matriz, outras pessoas não identificadas dispararam contra a tripulação do Helicóptero Modelo AS 350 B2 “Esquilo” PR-EPM, denominação “Fênix 03”, da Polícia Militar. A queda da aeronave provocou a morte dos PMs Marcos Stadler Macedo, Edney Canazaro de Oliveira e Izo Gomes Patrício e feriu os policiais Marcelo Vaz de Souza, Marcelo de Carvalho Mendes e Anderson Fernandes dos Santos.

Por não vislumbrar, nos autos, suporte probatório mínimo, até o momento, atestando a participação deles na empreitada criminosa, o MP pediu à 25ª DP que prossiga com as investigações sobre os suspeitos Alexander Mendes da Silva, o Polegar, André Anchieta Duarte, Davi Moraes de Sá, Edilson Lourenço de Azevedo, Eliseu Felício de Souza, Emerson Ventapane da Silva, Fábio Gonçalves da Silva, Franklin Gomes dos Santos, Ilan Nogueira Sales, Luciano Martiniano da Silva, Luiz Augusto Oliveira de Farias, Luiz Cláudio Machado, Marcelo da Silva Soares, Marco Antônio da Silva Pereira, Paulo Rogério de Souza Paz, Regis Eduardo Batista, Ricardo Adão Amorim, Ricardo Severo, Sandra Helena Ferreira Gabriel, Sandro Batista Rodrigues, Tassio Fernando Faustino e Welington Fernandes de Freitas.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por intermédio da 8ª Promotoria de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania, propôs Ação Coletiva por Ato de Improbidade Administrativa contra o ex-chefe do Estado Maior da Polícia Militar, coronel Antônio Carlos Suarez David. De acordo com a ação, o oficial, que está aposentado, recebeu, ao longo de dez anos, R$ 79.229,63 em auxílio-moradia da corporação, embora vivesse em imóvel funcional da PM com a família.

O MP pede que o valor seja devolvido aos cofres públicos, acrescido de multa de três vezes este montante (conforme previsto no art. 12, I, da Lei de Improbidade Administrativa) – o que hoje totaliza R$ 316.918,52, sem incluir as atualizações devidas.

A ação aponta que o recebimento do auxílio-moradia, entre novembro de 2000 e fevereiro de 2009, “enquanto um imóvel público era ocupado, afronta o princípio da moralidade administrativa”. Para o Promotor de Justiça Gustavo Santana Nogueira, responsável pela denúncia, a prática adotada pelo militar configurou enriquecimento ilícito. No contracheque do Coronel constava que o valor recebido era devido a título de indenização. A ação proposta indica, também, que o réu, em nenhum momento, apresentou comprovante de eventual despesa ou reparação do imóvel.

“Considerando que houve uma verdadeira cumulação de atos de improbidade (auferir vantagem indevida – auxílio-moradia residindo em imóvel público – em razão da condição de Coronel da Polícia Militar e incorporar essa vantagem ao patrimônio individual), ainda que o Juízo entenda que tais atos são justificados na lei, eles ofendem de morte os princípios da moralidade administrativa, honestidade, legalidade e lealdade às instituições, razão pela qual deve ser aplicada uma sanção proporcional ao ilícito praticado ao longo de quase dez anos e que gerou uma perda da ordem de R$ 80 mil, sem correção”, narra a ação.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) ofereceu denúncia, nesta quinta-feira, dia 9 de setembro, perante o juízo da 4ª Vara Criminal de Niterói, em face da mãe e do padrasto de uma menina de 8 anos por terem espancado e torturado a criança, colocando um ovo superaquecido em suas mãos – o fato causou lesões que poderão levar a uma deformidade permanente.

A ação penal contra Josiane Gomes Soares e Joarder Gomes Santiago foi subscrita pela Titular da 6ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal (PIP), da 2ª Central de Inquéritos de Niterói, Elisabete Figueiredo Felisbino Barbosa Abreu. A tortura ocorreu no último dia 21 de julho, na residência da família, no bairro do Fonseca, na Zona Norte de Niterói.

Segundo a acusação, “os autores do delito, de forma fria e cruel, causaram intenso sofrimento físico à vítima, sob a roupagem de a estarem educando”. De acordo com a denúncia, o que ensejou a violência foi o fato de a menina ter subtraído R$ 2,60 da carteira do padrasto.

A Promotora destacou “que a mãe participou ativamente da tortura, nada fazendo para evitar o espancamento, ao contrário, assentiu com a conduta do companheiro, inclusive cozinhando o ovo”. Elisabete Abreu transcreveu também trecho do laudo em que o perito ressalta que “as queimaduras provocadas por objeto superaquecido nas palmas das mãos da menor podem levar a cicatrização patológica com debilidade da mobilidade das mãos”.

O espancamento também produziu hematomas em todo o corpo da criança. O MP assinala, ainda, que, nos autos do inquérito, conduzido pela 78ª DP (Fonseca), constam diversas declarações de familiares informando que a mãe e o padrasto tinham o hábito de agredir fisicamente a criança “com o intuito de educá-la, sempre extrapolando nos meios corretivos”.

No dia seguinte à agressão, os autores do crime saíram para trabalhar, quando a vítima procurou ajuda no Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) do Fonseca. Os acusados pelo crime de tortura estão presos temporariamente pelo prazo de 30 dias.

Infância roubada pelo crime

Publicado: 8 de setembro de 2010 em Uncategorized

“Aprendi uma coisa: o crime não compensa. Os que estão aqui, como eu, querem mudar de vida. Esse negócio de que foi levado ao erro por influência de amigos não cola mais”.

O ‘papo reto’ dado por um dos internos do Centro de Recursos Integrados de Atendimento ao Adolescente de São Gonçalo (Criaad-SG), na Estrela do Norte – unidade de semiliberdade que oferece medidas socioeducativas para menores que cometeram atos infracionais – aponta para uma triste realidade que atinge os municípios de Niterói, São Gonçalo e Maricá: o aumento no número de adolescentes envolvidos com o crime.

De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), nos seis primeiros meses desse ano houve um aumento de 41% na apreensão de menores na chamada Grande Niterói – área de abrangência dos três municípios – em relação ao mesmo período de 2009. Apenas em Niterói, 192 adolescentes foram apreendidos pelas polícias Civil e Militar – 64 a mais do que ano passado, representando um aumento de 168%.

O reflexo desses números está no próprio Criaad-SG, que opera com sua capacidade máxima (32 adolescentes), e no Centro de Atendimento Intensivo de Belford Roxo (Cai-Baixada), onde 70 % dos internos foram apreendidos em São Gonçalo.

Segundo o juiz Pedro Henrique Alves, da Vara da Infância, Juventude e do Idoso de São Gonçalo, 95% dos atos infracionais cometidos pelos menores da região estão direta ou indiretamente relacionados ao tráfico de drogas.

“O adolescente vê a figura do traficante como a de um ídolo. A sensação efêmera de poder dá a eles o acesso à roupas de marcas e prestígio entre as mulheres. Tudo isso associado à falta de oportunidade e, principalmente, ao enfraquecimento da estrutura familiar pode acarretar no cometimento de crimes”, explica o magistrado.

Desconstruir esse referencial é um dos principais desafios das equipes técnicas que trabalham nas unidades do Departamento Geral de Ações Sócio-Educativas (Degase). No Criaad-SG, que também recebe adolescentes das comarcas de Itaboraí, Magé e Tanguá, assistentes sociais, psicólogos e pedagogos acompanham o desenvolvimento dos menores em atividades culturais e cursos profissionalizantes com o objetivo de mudar essa realidade.

“Incutir outros valores nesses adolescentes é algo muito complexo. Falo para esses meninos que para conseguir alguma coisa eles têm que batalhar muito, correr atrás. Esses menores saem daqui cientes de suas responsabilidades e de que a mudança depende de cada um deles”, comentou a assistente social Roseane Palomar, da equipe técnica do Criaad-SG.

Para isso, segundo o magistrado, o apoio da família e da sociedade na reinserção social desses jovens é fundamental, mais do que a própria internação.

“A internação pela internação não leva a lugar algum. Leva, sim, à pós-graduação da ilicitude. O caminho é a inserção social através da Educação”, reforçou o titular da comarca de São Gonçalo.

E foi esse o caminho escolhido por X, 17 anos, cujo depoimento abriu essa matéria. Matriculado no curso de ladrilheiro na Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro (Faetec), ele preferiu não falar sobre o crime que cometeu, mas assume a responsabilidade de tê-lo praticado. Com a namorada grávida de cinco meses, o adolescente pretende ser exemplo para o filho.

“Olha o tamanho do muro. Se eu quisesse, não estaria mais aqui. Mas quero mudar minha história e esquecer o passado”, encerrou confiante.

Cerca de R$ 270 mil por mês. Este é o valor faturado por uma central clandestina de televisão por satélite que funcionava em Itaipuaçu, distrito de Maricá, na Região dos Lagos. A descoberta foi feita por agentes da Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Draco-IE), que estouraram o “Sky Gato”, no início da manhã desta quinta-feira, dia 2 de setembro.

Os policiais chegaram até a central clandestina – que utilizava dois imóveis localizados nas ruas Flamboyants e Girassóis – por acaso, após cumprirem um mandado de busca e apreensão expedido pela 2ª Vara Criminal de Maricá na sede da Fortinternet. A empresa, que oferecia planos de internet banda larga, funcionava em um posto de combustíveis na Estrada de Itaipuaçu.

“A empresa funcionava como fachada. As pessoas que assinavam o plano recebiam a proposta para assinar também a Sky”, revelou o delegado Alexandre Capote, substituto da Draco.

“Assim que chegamos à empresa, descobrimos que em duas ruas atrás do posto havia imóveis que funcionavam como centrais de distribuição dos sinais da televisão por satélite”, ressaltou, explicando que as investigações tiveram início em abril do ano passado.

Os proprietários do “Sky Gato” são dois policiais civis que já foram identificados. Um deles já responde a um inquérito por concussão (artigo 316 do Código Penal: “exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida”) e cumpre prisão no regime semi- aberto decretada pela 4ª Vara Criminal de São Gonçalo.

“Não vamos divulgar os nomes, pois o inquérito ainda não foi concluído, mas os dois já estão identificados”, declarou o delegado Cláudio Ferraz, titular da especializada.

Além de cabos, fios, estantes de metal para aparelhos utilizados no esquema e equipamentos para furtar e distribuir os sinais da operadora – como decodificadores, transformadores e fontes de alimentação -, os policiais também apreenderam amplificadores de distribuição – que são instalados em postes e além de furtar o sinal, também furtam energia elétrica.

“Eles lesavam a Sky e também a Ampla”, ressaltou um dos agentes que participaram da ação.
No terreno de uma das residências os policiais apreenderam três carros – o Gol verde placa KNJ 3495, o Palio branco placa KWW 0354 e o Uno branco placa LND 4625.

“Durante as investigações identificamos onze veículos que eram usados para a manutenção da central clandestina. Destes, pelo menos nove foram comprados financiados, repassados a terceiros e encontram-se em fase de alienação. As pessoas acabam não pagando os impostos e parcelas devidas e o automóvel acaba ficando com mandado de busca e apreensão”, enfatizou.

Os envolvidos no caso vão responder pelos crimes de furto qualificado de energia, distribuição ilegal de sinal de TV a cabo e formação de quadrilha.

Ninguém foi encontrado nos imóveis, mas todos os aparelhos – tanto os da empresa de internet como os da central clandestina de tevê via satélite – estavam ligados no momento da chegada das equipes. Na noite da véspera da ação, o serviço de internet não funcionou, mas os policiais não sabem se houve vazamento da operação – que contou com a participação de peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). Funcionários da concessionária de energia elétrica Ampla foram chamados e derrubaram antenas parabólicas de uma das casas e arrancaram as fiações ilegais dos postes.

Cerca de R$ 270 mil por mês. Este é o valor faturado por uma central clandestina de televisão por satélite que funcionava em Itaipuaçu, distrito de Maricá, na Região dos Lagos. A descoberta foi feita por agentes da Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Draco-IE), que estouraram o “Sky Gato”, no início da manhã desta quinta-feira, dia 2 de setembro.

Os policiais chegaram até a central clandestina – que utilizava dois imóveis localizados nas ruas Flamboyants e Girassóis – por acaso, após cumprirem um mandado de busca e apreensão expedido pela 2ª Vara Criminal de Maricá na sede da Fortinternet. A empresa, que oferecia planos de internet banda larga, funcionava em um posto de combustíveis na Estrada de Itaipuaçu.

“A empresa funcionava como fachada. As pessoas que assinavam o plano recebiam a proposta para assinar também a Sky”, revelou o delegado Alexandre Capote, substituto da Draco.

“Assim que chegamos à empresa, descobrimos que em duas ruas atrás do posto havia imóveis que funcionavam como centrais de distribuição dos sinais da televisão por satélite”, ressaltou, explicando que as investigações tiveram início em abril do ano passado.

Os proprietários do “Sky Gato” são dois policiais civis que já foram identificados. Um deles já responde a um inquérito por concussão (artigo 316 do Código Penal: “exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida”) e cumpre prisão no regime semi- aberto decretada pela 4ª Vara Criminal de São Gonçalo.

“Não vamos divulgar os nomes, pois o inquérito ainda não foi concluído, mas os dois já estão identificados”, declarou o delegado Cláudio Ferraz, titular da especializada.

Além de cabos, fios, estantes de metal para aparelhos utilizados no esquema e equipamentos para furtar e distribuir os sinais da operadora – como decodificadores, transformadores e fontes de alimentação -, os policiais também apreenderam amplificadores de distribuição – que são instalados em postes e além de furtar o sinal, também furtam energia elétrica.

“Eles lesavam a Sky e também a Ampla”, ressaltou um dos agentes que participaram da ação.
No terreno de uma das residências os policiais apreenderam três carros – o Gol verde placa KNJ 3495, o Palio branco placa KWW 0354 e o Uno branco placa LND 4625.

“Durante as investigações identificamos onze veículos que eram usados para a manutenção da central clandestina. Destes, pelo menos nove foram comprados financiados, repassados a terceiros e encontram-se em fase de alienação. As pessoas acabam não pagando os impostos e parcelas devidas e o automóvel acaba ficando com mandado de busca e apreensão”, enfatizou.

Os envolvidos no caso vão responder pelos crimes de furto qualificado de energia, distribuição ilegal de sinal de TV a cabo e formação de quadrilha.

Ninguém foi encontrado nos imóveis, mas todos os aparelhos – tanto os da empresa de internet como os da central clandestina de tevê via satélite – estavam ligados no momento da chegada das equipes. Na noite da véspera da ação, o serviço de internet não funcionou, mas os policiais não sabem se houve vazamento da operação – que contou com a participação de peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). Funcionários da concessionária de energia elétrica Ampla foram chamados e derrubaram antenas parabólicas de uma das casas e arrancaram as fiações ilegais dos postes.

Em meio às recentes denúncias sobre crimes praticados por agentes de Segurança Pública – principalmente policiais militares –, uma questão começa a preocupar a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária: onde abrir vagas para que eles cumpram penas ou aguardem o julgamento pelos crimes dos quais são acusados?

Na Penitenciária Lemos Brito, antiga Bangu 6, no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, cerca de 60 presos, entre eles ex-PMs, policiais civis, bombeiros e agentes penitenciários, cumprem pena junto com traficantes ligados à facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).

Familiares de ex-policiais denunciam que eles estão na galeria A2 da unidade – que tem capacidade para 512 presos e deveria receber apenas ex-funcionários da área de Segurança Pública.

“Esses 60 homens estão condenados à pena de morte. Os meliantes que ora eles combateram hoje frequentam o mesmo pátio de visitas. Familiares dos ex-funcionários públicos são humilhados e discriminados na fila de visita, sendo até ameaçados de morte por parte de familiares de presos do Terceiro Comando”, denuncia um irmão do ex-cabo da Polícia Militar Sidney da Silva Avelar Júnior, 37 anos.

“A Seap diz que a Lemos Brito é direcionada somente a policiais, o que não é verdade, e com isto induz muitos magistrados ao erro, pois os mesmos acreditam que essa unidade é somente de ex-policias. Toda vez que vou visitar meu irmão tenho que passar por um enorme constrangimento. Um cidadão que é ex-policial jamais poderia ficar misturado a detentos de facção criminosa”, desabafou.

Transferido para a Penitenciária Lemos Brito no dia 19 de agosto de 2009, o ex-PM, durante audiência realizada no dia 19 de novembro do ano passado no Tribunal de Justiça, falou sobre o risco de morte que corre ao juiz Ricardo Pinheiro Machado e ao promotor de Justiça Reinaldo Moreno Lomba, explicando que, embora esteja acautelado em uma cela com ex-servidores públicos do Estado, a maior parte do dia passa misturado a presos comuns, principalmente nos horários do banho de sol.

O advogado do ex-policial, Anderson Moura Rollemberg, ressaltou o artigo 84 da Lei de Execuções Penais (LEP), que diz que “o preso provisório ficará separado do condenado por sentença transitada em julgado” e ressalta, em seu parágrafo primeiro: “o preso primário cumprirá pena em seção distinta daquela reservada para os reincidentes”, e, no segundo: “o preso que, ao tempo do fato, era funcionário da Administração da Justiça Criminal ficará em dependência separada”.

O artigo 295 do Código de Processo Penal também foi utilizado para embasar o pedido de transferência, já que o texto determina que delegados de Polícia e guardas-civis dos Estados e Territórios, ativos e inativos, sejam recolhidos a quartéis ou à prisão especial, à disposição da autoridade competente, quando sujeitos à prisão antes de condenação definitiva.

Mesmo explicando que já havia sido lotado no Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (Gpae) do Morro do Estado, no Centro de Niterói – na época, um dos redutos do TCP no município – o ex-PM teve negado seu pedido de transferência para o Batalhão Prisional Especial (Bep), em Benfica, na Zona Norte do Rio.

No dia 30 de novembro de 2009, novo pedido de transferência foi feito pela defesa do ex-policial – condenado a pouco mais de 16 anos de reclusão como autor de um crime de extorsão e por crimes do Estatuto do Desarmamento e ameaça, em grau de recurso, e pronunciado por homicídio, cujo processo ainda está em tramitação. O novo pedido foi também negado, em março deste ano, pelo desembargador Adilson Vieira Macabu, que destacou, em sua sentença:

“Se o paciente, tendo sido excluído administrativamente da Corporação da Polícia Militar, a bem da disciplina, encontra-se acautelado em Presídio de Segurança Máxima – Bangu 6 -, em razão de condenação em primeira instância por crimes de ameaça e da lei de armas, na pena de dois anos de reclusão, com apelação em exame, além de ter sido pronunciado por homicídio qualificado, de competência do Júri, não faz jus à prisão especial no BEP.”

No dia 14 de julho deste ano, os desembargadores que integram a Seção Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro negaram, novamente, mais uma tentativa da defesa do ex-policial em transferi-lo para o Bep.

“Da mesma forma, deve ser sublinhado, que não significa que a unidade destinada a detentos que ostentaram a qualidade de policial militar deva estar, obrigatoriamente, localizada em quartel militar, bastando, tão somente, proporcionar-lhes condição especial de preservação à sua integridade física”, assinou o relator, desembargador Leite Araújo.

O secretário de Estado de Administração Penitenciária, César Rubens Monteiro de Carvalho, revelou que “por força da edição do Decreto nº 41.149, de 25 de janeiro de 2008, que vedou a custódia de presos com o benefício de prisão especial pela Polícia Civil do Estado, impondo a transferência destes custodiados ao Sistema Penitenciário e, em razão de o Estado do Rio de Janeiro não dispor de penitenciárias e presídios destinados a internos que gozam do status de presos especiais, tomou-se, imediatamente após a publicação do diploma legal, as seguintes providências: (a) a Penitenciária Pedrolino Werling de Oliveira foi destinada ao acolhimento de presos direito à prisão especial, custodiados, cujos processos estejam aguardando trânsito em julgado, transferindo-se os presos comuns que lá se encontravam para outras unidades prisionais; (b) uma ala específica da penitenciária Lemos Brito foi destinada aos ex-policiais presos que se encontravam no presídio Ary Franco; e (c) no tocante às presas com os mesmo direito, foram hospedadas no Presídio Nelson Hungria, em ambiente distinto do das demais presas.”

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, através de sua assessoria, informou que a sentença do juiz é dada a partir dos documentos entregues e que a obrigação em ir até o local verificar se a denúncia procede é do Ministério Público. A equipe do Jornal POVO do Rio também entrou em contato com o MP e com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária, mas, até o fechamento desta edição, nenhuma resposta havia sido enviada.

Mais uma vítima da "mineira" em SG

Publicado: 31 de agosto de 2010 em Uncategorized

O corpo encontrado carbonizado dentro de um Corsa na Avenida Santa Luzia, no bairro de mesmo nome, no último dia 26 de agosto, pode ser de mais uma vítima de um grupo formado por cinco homens que se identificam como policiais militares e matam suspeitos de envolvimento com o tráfico após extorqui-los.

De acordo com policiais do Núcleo de Homicídios da 72ª DP (Mutuá), a vítima seria um homem conhecido como Bochecha do Complexo do Mutuapira. Familiares denunciaram que ele está desaparecido desde a noite da última quarta-feira, dia 25, quando foi sequestrado pela quadrilha a poucos metros de casa. Os criminosos teriam exigido R$ 15 mil para libertá-lo. Entretanto, ainda não há informações se a quantia foi entregue aos falsos PMs. Caso seja confirmada a participação do bando no crime, este seria o décimo homicídio praticado pelo grupo em São Gonçalo. A Polícia aguarda o resultado do exame de DNA para confirmar a identificação do cadáver.

Ainda segundo as investigações, há indícios de participação de ex-policiais na quadrilha. Eles estariam utilizando um veículo de cor prata para praticar os crimes. A última vítima foi Dyego Virtuoso, o Bodinho, 26 anos, sequestrado no dia 13 de agosto em sua casa no Complexo do Salgueiro e encontrado morto com marcas de tiro no início da manhã do dia seguinte, na Rua Doutor Manoel Duarte, no bairro Gradim. Os criminosos teriam exigido o pagamento de R$ 50 mil em troca da liberdade do jovem.

Outro caso atribuído aos falsos policiais ocorreu no dia 13 de julho, quando os corpos de Rafael Dias de Miranda, 22, e Diego Torres da Silva, 20, foram encontrados dentro de um rio, na localidade conhecida como Ipuca, no Jardim Catarina. Eles foram sequestrados dois dias antes da execução na Rua Cuiabá, na Trindade, por ocupantes de um veículo prata.

Agentes do Núcleo de Homicídios da 72ª DP disponibilizaram os telefones 3119-3634 e 3199-1950 para quem tiver informações que possam auxiliar nas investigações. Os dados também podem ser encaminhados para a Central do Disque-Denúncia através do número 2253-1177. Não é preciso se identificar e o anonimato é garantido.

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Falsos PMs fazem mais uma vítima em São Gonçalo

Mais uma vítima da “mineira” em SG

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O corpo encontrado carbonizado dentro de um Corsa na Avenida Santa Luzia, no bairro de mesmo nome, no último dia 26 de agosto, pode ser de mais uma vítima de um grupo formado por cinco homens que se identificam como policiais militares e matam suspeitos de envolvimento com o tráfico após extorqui-los.

De acordo com policiais do Núcleo de Homicídios da 72ª DP (Mutuá), a vítima seria um homem conhecido como Bochecha do Complexo do Mutuapira. Familiares denunciaram que ele está desaparecido desde a noite da última quarta-feira, dia 25, quando foi sequestrado pela quadrilha a poucos metros de casa. Os criminosos teriam exigido R$ 15 mil para libertá-lo. Entretanto, ainda não há informações se a quantia foi entregue aos falsos PMs. Caso seja confirmada a participação do bando no crime, este seria o décimo homicídio praticado pelo grupo em São Gonçalo. A Polícia aguarda o resultado do exame de DNA para confirmar a identificação do cadáver.

Ainda segundo as investigações, há indícios de participação de ex-policiais na quadrilha. Eles estariam utilizando um veículo de cor prata para praticar os crimes. A última vítima foi Dyego Virtuoso, o Bodinho, 26 anos, sequestrado no dia 13 de agosto em sua casa no Complexo do Salgueiro e encontrado morto com marcas de tiro no início da manhã do dia seguinte, na Rua Doutor Manoel Duarte, no bairro Gradim. Os criminosos teriam exigido o pagamento de R$ 50 mil em troca da liberdade do jovem.

Outro caso atribuído aos falsos policiais ocorreu no dia 13 de julho, quando os corpos de Rafael Dias de Miranda, 22, e Diego Torres da Silva, 20, foram encontrados dentro de um rio, na localidade conhecida como Ipuca, no Jardim Catarina. Eles foram sequestrados dois dias antes da execução na Rua Cuiabá, na Trindade, por ocupantes de um veículo prata.

Agentes do Núcleo de Homicídios da 72ª DP disponibilizaram os telefones 3119-3634 e 3199-1950 para quem tiver informações que possam auxiliar nas investigações. Os dados também podem ser encaminhados para a Central do Disque-Denúncia através do número 2253-1177. Não é preciso se identificar e o anonimato é garantido.

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Um arsenal vindo da Bolívia com o objetivo de fortalecer traficantes de drogas que atuam nas comunidades de São Gonçalo e Niterói foi apreendido por agentes das polícias Federal e Rodoviária Federal, em Miranda, no Mato Grosso do Sul, na última quarta-feira, dia 25 de agosto. Cinco fuzis, uma metralhadora antiaérea calibre ponto 30 (capaz de derrubar aeronaves), além de uma pistola e munições, estavam em um Ford Fiesta, conduzido por um estudante de 23 anos. O veículo foi interceptado pelos agentes na BR-262, na altura de Guairacus, a mesma localidade onde há cinco meses dois pastores da Igreja Mundial do Poder de Deus foram surpreendidos transportando sete fuzis calibre 556. As armas seriam entregues a traficantes do Morro do Martins, em Neves, São Gonçalo.

De acordo com agentes da Superintendência Regional da Polícia Federal (PF), no Mato Grosso do Sul, o estudante, que é morador de Corumbá, não quis revelar quem receberia as armas e para qual comunidade do Rio de Janeiro elas seriam levadas. Em depoimento, o jovem informou que ganharia R$ 10 mil para realizar o serviço e que as orientações sobre o destino do arsenal seriam recebidas quando ele chegasse na Avenida Brasil. Os policiais acreditam que, por se tratar da mesma rota utilizada pelos pastores, as armas seriam levadas para comunidades de São Gonçalo e Niterói.

“Com o objetivo de dificultar nossas ações, os traficantes passaram a recrutar ‘mulas’ da região (pessoas que se dispõem a realizar o transporte de armas e drogas), que utilizam veículos com placas de suas cidades para não levantar suspeitas”, informou um agente da PRF.

Além do arsenal, os policiais também apreenderam, no carro do estudante, 350 cartuchos de vários calibres, cinco carregadores, um notebook, além de R$ 500 em espécie, quantia dada pelos traficantes para cobrir os gastos com a viagem até o Rio de Janeiro.

Ainda segundo os agentes da PF, todas as armas estavam com as numerações raspadas, sendo possível, portanto, identificar apenas os países fabricantes: Estados Unidos, Áustria, China e Egito. O armamento foi encaminhado para o Setor Técnico-Científico da PF. O estudante foi autuado por tráfico de armas.

De acordo com a PF, a Bolívia e o Paraguai são os principais fornecedores de armas para traficantes do Brasil, principalmente os que agem nas favelas do Rio de Janeiro. Na Bolívia, armas de todos os calibres podem ser compradas até em lojas de eletrodomésticos. Na maioria das vezes, os próprios vendedores indicam aos compradores pessoas para atravessar a fronteira com o material.

Sérgio Rocha Martins, o Gugui, 31 anos

No dia 10 de março, os pastores Sebastião Braz da Fonseca Neto, 42 anos, e Francisco Ferreira Moura, 31, também foram presos, em Miranda, no Mato Grosso do Sul, quando transportavam no Vectra placa HTA 2052 sete fuzis calibre 556. Eles receberiam R$ 20 mil para fazer o serviço.

As armas seriam entregues aos traficantes Sérgio Rocha Martins, o Gugui, 31, e Bruno Bezerra da Silva, o Bruninho BR ou Cabelo, 27. Apontado como o chefe do tráfico de drogas no Morro do Martins, em Neves, BR foi preso no último dia 3, no Porto da Pedra, em São Gonçalo. Segundo a Polícia, Gugui é um admirador dos fuzis e teria encomendado as armas a um dos religiosos, que seria seu amigo de infância. Atualmente, o traficante é considerado um dos principais “matutos” das bocas-de-fumo controladas pela facção criminosa Comando Vermelho (CV) no eixo Niterói -São Gonçalo.

Bruno Bezerra da Silva, o Bruninho BR ou Cabelo, 27 anos

Preso em 2006 por agentes da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae) no Morro do Tabajaras, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, Gugui foi beneficiado com a liberdade condicional há cerca de 10 meses. Nesse período, ele encontrou o apoio de criminosos do Morro da Mangueira, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, e da Favela do Fallet, em Santa Teresa, na região central da capital fluminense.

Relembre:

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