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Major do Exército Maurício Ribeiro Dainese, 49 anos

A Polícia está investigando a denúncia de que traficantes da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) que controlam a venda de drogas na Zona Oeste do Rio decretaram o início da “caça a militares”. O último caso teria sido o do soldado da Polícia Militar Thiago Moraes Pontes, 29 anos, que morreu na última segunda-feira, dia 1º de agosto, após ser baleado na porta de casa, na Pirituba, em Realengo, na Zona Oeste do Rio. O PM, que era lotado na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Cidade de Deus, ainda foi socorrido e levado para o Hospital Estadual Albert Schweitzer, mas não resistiu.

Quatro dias antes, a primeira vítima teria sido o major do Exército Maurício Ribeiro Dainese, 49 anos. Lotado na 9ª Brigada de Infantaria Motorizada, o oficial foi visto pela última vez na quinta-feira, dia 28 de julho, na loja de conveniência de um posto de combustível na Rua Piraquara, um dos acessos à Favela Minha Deusa, também em Realengo. Usando uma jaqueta de couro, ele estava com sua moto, a Yamaha XT660 preta, placa KVH 6169, e carregava uma pistola 9 mm.

O desaparecimento do major foi registrado no dia 31 de julho na 30ª DP (Marechal Hermes), sob o número 04378/2011. Familiares do oficial denunciaram que o Exército não tomou qualquer providência para descobrir o paradeiro do oficial. Nesta terça-feira, dia 2 de agosto, policiais do 14º BPM (Bangu) realizaram operação para verificar uma denúncia de que o corpo do major estaria no interior da Favela Minha Deusa. Não houve troca de tiros durante a ação e nenhum corpo foi encontrado.

“O assassino do PM é o líder do tráfico na Vila Vintém e suspeitamos que também tenha envolvimento no sumiço do oficial do Exército”, afirmou o tenente-coronel Djalma Beltrami, comandante do 14º BPM.

O suspeito de envolvimento na morte do PM e no sumiço do major é conhecido como Perigo, integrante da ADA. Quem tiver qualquer informação que auxilie nas investigações policiais e ajude a Polícia a localizar e prender o bandido e encontrar o oficial do Exército pode ligar para o Disque-Denúncia, através do número 2253-1177. Não é preciso se identificar.

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“Não importa a camisa do time, e sim se esse está ganhando.” Essa foi a frase do traficante Márcio José Sabino Pereira, o Matemático, 36 anos – um dos líderes da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) – ao ser questionado pelo comparsa Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, 32 – que controla as bocas-de-fumo do Morro do Dendê, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio – sobre a possibilidade de uma aliança com o rival Cristiano de Sá Silva, o Abelha, 38, integrante da facção Amigos dos Amigos (ADA) e irmão de Saulo de Sá Silva, o Saulo da Rocinha, 35.

O diálogo é um indício de que, oito anos e seis meses após a rebelião que selou o fim da parceria entre as facções Terceiro Comando (TC) e ADA – dando origem ao grupo criminoso que se intitulou TCP -, um pacto selado entre as principais lideranças dessas facções pode fazer com que as duas voltem a ser uma.

Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, 32 anos

Um dos intermediários da negociação é Joacy José Gomes de Santana, o Jojo Smith, 48, que saiu do Instituto Penal Ismael Pereira Sirieiro, no Fonseca, na Zona Norte de Niterói, após receber o benefício da liberdade condicional no último dia 4 de março. Ligado à cúpula da ADA, ele é apontado como um dos maiores matutos da facção – comprando drogas e armas e participando financeiramente de crimes.

Cristiano de Sá Silva, o Abelha, 38 anos

A justificativa para o interesse de traficantes do TCP em negociar a compra de cocaína com Abelha é atribuída à qualidade e pureza da droga comercializada pela quadrilha do irmão de Saulo da Rocinha, que seria encomendada na Bolívia.

Saulo de Sá Silva, o Saulo da Rocinha, 35 anos

Além de Guarabu, Abelha e Jojo Smith, o foragido Cleyton Dutra Santana, 25, – filho de Smith – também faria parte do esquema. Ele é considerado evadido do sistema penitenciário desde o dia 19 de janeiro do ano passado, quando saiu ao receber o benefício do Trabalho Extramuro – tendo direito a trabalhar durante o dia e voltar para dormir na cadeia – e não retornou.

Joacy José Gomes de Santana, o Jojo Smith, 48 anos

O pai dele possui um apartamento na Avenida Atlântica, no Leme, na Zona Sul do Rio, outro apartamento na Rua Roberto Dias Lopes, também no Leme, e um na Rua General Góes Monteiro, em Botafogo, também na Zona Sul, além de um imóvel na Rua Menezes Brum, em Guadalupe, e outro na Rua Joaquim Pinheiro, na Freguesia, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio.

Cleyton Dutra Santana, 25 anos

A rebelião em Bangu 1
O racha entre as facções Terceiro Comando (TC) e Amigos dos Amigos (ADA) ocorreu após a rebelião ocorrida no dia 11 de setembro de 2002 na Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino – mais conhecida como Bangu 1 – no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Na ocasião – primeiro aniversário dos atentados terroristas nos Estados Unidos -, o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, então com 34 anos, liderou a ação que durou 23 horas e provocou a morte dos maiores líderes do TC.

Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, hoje com 43 anos

O primeiro a ser executado foi Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, então com 33 anos, que pertencia ao CV e havia pulado, oito anos antes, para fundar o Terceiro Comando, após ordenar a morte do então comparsa Orlando da Conceição, o Orlando Jogador, que tinha 35 anos. No dia 13 de julho de 1994, cúmplices de Uê disseram a Orlando Jogador que ele tinha sido sequestrado por equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), que exigiam um resgate de cerca de 60 mil dólares.

Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, então com 33 anos

Após arrecadar a quantia, Jogador foi se encontrar com os homens de Uê e acabou sendo surpreendido por uma emboscada. Depois de pegar o dinheiro, Uê – acompanhado pelo dobro de homens que Orlando Jogador, e todos fortemente armados – ordenou a morte do antigo aliado e seus comparsas. No total, foram 11 traficantes do CV mortos. O corpo de Orlando e de seu irmão foram deixados no bairro Maria da Graça, na Zona Norte do Rio. Em 1998, Uê foi condenado a 209 anos de prisão pelas mortes.

Orlando da Conceição, o Orlando Jogador, então com 35 anos

Na rebelião de Bangu 1, como punição pela traição, Uê ainda teve o corpo queimado. Também foram mortos os dois cunhados de Uê: os traficantes Wanderley Soares, o Orelha – casado com a irmã de Uê, Evanilda Pinto Medeiros; e Carlos Roberto Cabral da Silva, o Robertinho do Adeus – casado com a outra irmã, Enivalda Pinto de Medeiros; além de Elpídio Rodrigues Sabino, o Robô.

Wanderley Soares, o Orelha

Integrante da ADA, Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, então com 41 anos, se aliou a Beira-Mar para conseguir sair vivo. Em troca, facilitou a entrada dos rivais na cela onde estava Uê, que era seu amigo pessoal. Após a ação, TC e ADA desfizeram a união e surgiu o Terceiro Comando Puro – sob comando de Matemático e Nei da Conceição Cruz, o Facão, 39.

Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, hoje com 49 anos

Fotos: Bruno Gonzalez e Vitor Silva

A proibição da entrada de pessoas que não fossem parentes no enterro e o velório a portas fechadas do corpo do traficante Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, 36 anos, levantou uma suspeita: será que o criminoso seria mais um integrante da facção Amigos dos Amigos (ADA) a se fingir de morto para conseguir identidade diferente e recomeçar vida nova desfrutando do dinheiro ganho com a venda de drogas?

Em janeiro deste ano, policiais da Divisão de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) descobriram que Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nêm, 33, líder do tráfico na Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, pagou ao médico Dalton Jorge por um atestado de óbito. Por assinar o documento, afirmando que o traficante havia morrido por insuficiência renal e diabetes – diagnóstico que garantiria que o corpo não passasse pelo Instituto Médico Legal (IML) para necropsia -, Dalton acabou sendo preso por falsidade ideológica e associação ao tráfico.

Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nêm, 33 anos

Também no atestado, ele havia registrado que o criminoso morreu em um imóvel no número 170 da Rua Major Rubens Vaz, na Gávea, na Zona Sul. No endereço fica localizada a 15ª DP (Gávea), delegacia responsável pelas investigações relativas ao tráfico de drogas na Favela da Rocinha. O enterro chegou a ser marcado: às 16h15 do dia 29 de janeiro no Cemitério do Catumbi, no bairro de mesmo nome – próximo ao Complexo do São Carlos, onde Roupinol teria morrido – e não haveria velório.

Quem assinou o pedido de sepultamento à Funerária Rio Pax de Copacabana foi Antônio Carlos Santana Rosa, cunhado de Nêm. No documento, ele declarava que o traficante havia morrido em casa, às 9h40m – menos de sete horas após o horário previsto para o enterro.

Preparado para uma nova vida, Nêm chegou a encomendar uma nova identidade, sem muitas alterações: mudou a data de nascimento de 25 para 24 de janeiro de 1976 e o nome de Antônio Francisco Bonfim Lopes para Antônio Francisco. O número pertence ao documento de uma outra pessoa – João Paulo Romildo dos Santos -, que não possui antecedentes criminais.

O delegado Márcio Mendonça, titular da DRFA, iniciou investigação para apurar a participação de funerárias, médicos e cemitérios na falsificação de atestados de óbito e realização de falsos enterros. Segundo o delegado, em casos como o de Nêm, cujo sepultamento seria feito sem velório, nenhum funcionário do cemitério observa se há cadáver no caixão.

Paulo César Silva dos Santos, o Linho, 38 anos

Parceiro de Roupinol, Nêm queria seguir os passos de outro líder da ADA: Paulo César Silva dos Santos, o Linho. Em 2003, aos 31 anos, ele teria sido morto em São Paulo. No entanto, o Disque-Denúncia continuou recebendo informações sobre possíveis esconderijos do traficante. De 2003 a 2008, foram 673 denúncias. O corpo nunca foi encontrado e até hoje ninguém conseguiu comprovar a morte, que teria sido anunciada pelo irmão dele, Wagner da Silva Santos.

Preso em janeiro de 2004, aos 29 anos, por agentes da extinta Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e da 40ª DP (Rocha Miranda), ele era acusado de participação na lavagem de dinheiro para a quadrilha do irmão e teria afirmado aos policiais que Linho havia sido morto em janeiro do ano anterior. De acordo com a Polícia, ele contou que o irmão desapareceu no dia 23 de janeiro de 2003.

Na ocasião, ele teria saído de casa, em um condomínio luxuoso no bairro Pinheiros, na Zona Sul de São Paulo, por volta do meio-dia, e seu último contato teria sido por telefone com a mulher, Michele Lucena Fernandes, 24, duas horas depois. Ainda de acordo com Wagner, no mesmo dia um dos comparsas do irmão, o traficante Ubiratan da Silva, o Bira, teria ligado para Michele dizendo que Linho havia sido seqüestrado por policiais que pediam R$ 2 milhões para o resgate. No dia 13 de fevereiro do mesmo ano, um corpo que seria de Bira foi encontrado sem a cabeça e as pernas.

Investigações policiais comprovaram que Linho morava em São Paulo desde 1997, tendo passado por 18 municípios. Em 2003, Linho – que usava documentos com pelo menos sete nomes falsos – teve residências em seis cidades. Ele também possuía, em nomes de terceiros, um posto de combustível e uma farmácia na capital paulista. Ainda segundo a Polícia, o irmão era o responsável por um lava a jato em Santo André. Ele vendeu o estabelecimento – sete meses após a suposta morte do irmão – e voltou para o Rio de Janeiro, onde acabou sendo preso em uma casa em Marechal Hermes, na Zona Norte, por força de um mandado de prisão expedido pela 2ª Vara Criminal da Ilha do Governador.

Enquanto a tentativa de Nêm foi frustrada, o sumiço de Linho é considerado uma fuga bem-sucedida entre integrantes da facção Amigos dos Amigos, hoje representada pelo traficante Edmilson Ferreira dos Santos, o Sassá, 39. Também conhecido como Samuca ou Coroa, ele foi preso em novembro de 2005 por policiais da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) que o encontraram em um buraco aberto no chão do depósito de um supermercado na Favela Salsa e Merengue, no Complexo da Maré, em Bonsucesso, na Zona Norte.

Ao perceber a chegada dos agentes, o criminoso gritou “perdi, perdi”. Depois, ofereceu R$ 1 milhão em troca da liberdade. No momento da prisão ele foi flagrado com duas pistolas, uma granada, cinco rojões de fabricação argentina e um lança rojão, além de quatro bombas caseiras e centenas de munições de diversos calibres. Ao ser questionado sobre a morte de Linho, respondeu: “ouvi dizer” e se limitou a falar que nunca mais havia mantido contato com ele.

Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, 36 anos

A morte de Roupinol foi divulgada na manhã da terça-feira, dia 23 de março, em ação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil. Mesmo tendo sido atingido por um tiro de fuzil no rosto, o corpo do traficante foi liberado do Instituto Médico Legal (IML) no mesmo dia e um velório em uma quadra no alto do Morro da Mineira foi anunciado através de cartazes espalhados pela comunidade.

Apesar do convite, ninguém conseguiu ver o corpo no caixão e o enterro, realizado no Cemitério Memorial da Igualdade, no bairro Santa Virgem, em Macaé, foi acompanhado somente por quem comprovou parentesco com o criminoso. Nenhum incidente – como ordens para fechamento do comércio ou ações de represália à morte do traficante – foi registrado nas proximidades do Complexo de São Carlos, composto pelos morros São Carlos, Mineira, Zinco, Querosene e Coroa – que corta os bairros Estácio, Rio Comprido e Catumbi, na Zona Central do Rio.

Ausência de luto forçado levanta suspeitas

A falta de luto em homenagem a Roupinol não é comum nos casos de morte de traficantes que ocupam cargos de liderança em morros e favelas do Rio de Janeiro. Um exemplo ocorreu no dia 28 de janeiro do ano passado, quando a morte do traficante Leandro Monteiro Reis, o Pitbull, levou tensão aos arredores do Complexo da Mangueira, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio.

Pertencente à família que domina o tráfico de drogas na favela desde a década de 80, ele morreu sete horas após ter sido baleado em confronto com policiais civis. Sobrinho de Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, 43, e primo de Alexander Mendes da Silva, o Polegar, ele trocou tiros com equipes da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), da Core e da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat), na localidade conhecida como Buraco Quente, por volta das 9 horas.

Atingido na barriga, ele ainda conseguiu descer por uma ribanceira e correu em direção à localidade conhecida como Elvis, onde teria se escondido na casa de moradores. Policiais revistaram diversos imóveis, mas não conseguiram encontrá-lo.

No início da tarde, equipes da 17ª DP (São Cristóvão), DRFC e DRFA também foram para a favela e policiais do 4º BPM (São Cristóvão) e do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) ocuparam os acessos ao complexo. Às 16h30, o traficante deu entrada no Hospital Municipal Souza Aguiar, já sem vida.

Mesmo antes da confirmação da morte do traficante, o clima ficou tenso no entorno do Complexo da Mangueira – composto pelos morros Telégrafos, Chalé, Faria, Santo Antônio, Red Indian, Olaria, Pedreira, Pindura Saia, Buraco Quente, Tengo-Tengo, Curva da Cobra, Joaquina, Candelária e Pedra. As primeiras equipes de policiais chegaram ao local pouco depois das 8 horas. Houve intenso confronto e duas pessoas ficaram feridas: um gari comunitário, baleado na perna, e um policial civil atingido por um tiro de raspão na barriga.

Cerca de uma hora depois, houve novo tiroteio. Desta vez, a troca de tiros ocorreu na Travessa Mangará, onde dois homens morreram e grande quantidade de drogas e armas foi apreendida. Foi em um imóvel na mesma via que os policiais apreenderam uma metralhadora ponto 30, dois fuzis e duas pistolas, além de 200 quilos de maconha.

Aproximadamente três horas após o início da ação, criminosos atearam fogo ao ônibus que fazia a linha 474 (Jardim de Alah-Jacarezinho) e trafegava pela Rua Ana Néri, no trecho entre as ruas Fausto Barreto e Abdon Milanez, em Benfica. Os passageiros contaram que seis homens armados e em três motos pararam o trânsito e expulsaram todos, avisando que iam tacar fogo no ônibus. Logo depois, jogaram vários coquetéis molotov no interior do veículo, que explodiu, atingindo a rede elétrica da rua. O óleo diesel do ônibus começou a vazar dando início a um rastro de chamas, que atingiu um outro carro da linha 312, que passava pela rua. Os passageiros e o motorista desse segundo coletivo conseguiram conter as chamas.

Por volta do meio-dia, o terceiro ônibus foi incendiado a poucos metros do primeiro, no Largo do Pedregulho. Duas horas depois, bandidos atearam fogo a um coletivo que fazia a linha 239 (Castelo-Água Santa) na Rua Presidente Castelo Branco, antiga Radial Oeste, em frente à Favela do Metrô.

O enterro aconteceu 24 horas após o previsto, devido a um contratempo no IML para liberação do corpo. Na época, o advogado do traficante, Ésio Lopes, afirmou que o atraso ocorreu porque não havia ficha papiloscópica de seu cliente no Instituto Félix Pacheco (IFP).

“Eles teriam o direito de permanecer com o corpo por 72 horas, mas o diretor do IML entendeu que isso não era necessário, tendo em vista que a autópsia já havia sido feita e meu cliente foi reconhecido pela família”, explicou, na ocasião.

Mesmo tendo o corpo – intacto, já que foi encontrada apenas uma perfuração na altura do peito – reconhecido por familiares acompanhados por toda documentação, Pitbull, que era integrante da facção criminosa Comando Vermelho (CV), não conseguiu ser enterrado com tanta rapidez como o rival da ADA.

Fotos: Pedro Pantoja

Recrutado pelo traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, 33 anos, considerado um dos criminosos mais procurados do Estado, para ser seu segurança particular e lhe passar informações privilegiadas sobre operações realizadas pela Polícia Civil na Favela da Rocinha, em São Conrado, Zona Sul do Rio, o ex-soldado da Polícia Militar Carlos Henrique Pereira Januária, também conhecido como Caíque, 29, foi preso por agentes da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter), na manhã desta sexta-feira, dia 26 de março.

O acusado foi surpreendido em sua casa na Favela da Tijuquinha, no Itanhangá, na Zona Oeste do Rio, território que, curiosamente, é controlado por um grupo paramilitar. No endereço, os policiais encontraram R$100 mil em espécie, o Astra placa KYI-0885, a motocicleta Yamaha placa KNT-4662, além de uma pistola Glock 9 mm, que teria sido furtada de um policial civil, munições de diversos calibres e dois rádios transmissores.

Segundo as investigações, o ex-PM atuava como uma espécie de agente duplo, ora como informante (X-9) da Polícia, levando informações aos agentes sobre esconderijos de armas e drogas, ora repassando ao chefão do pó da Rocinha dados pontuais sobre ações policiais que seriam realizadas na comunidade da Zona Sul, considerada o reduto da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA). Por cada informação precisa sobre a atividade policial, o acusado recebia R$20 mil das mãos do próprio Nem.

“Ele é o primeiro de muitos outros policiais militares e civis que serão presos por colaborar com o crime organizado. Essa ação é um recado claro para quem frequenta a delegacia travestido de informante, mas tem envolvimento com traficantes”, enfatizou o chefe de Polícia Civil, delegado Alan Turnowsky.

Nos últimos quatro anos – mesmo período em que o acusado serviu à Polícia Militar – todas as operações realizadas na Rocinha tiveram vazamento de informação, entre as principais aquela que terminou com a descoberta de uma refinaria de cocaína no alto da favela, em junho do ano passado, e a ocorrida no último dia 11, na qual sete seguranças diretos de Nem foram mortos e uma adolescente de 13 anos acabou ferida por estilhaços durante confronto entre policiais e traficantes.

Ainda de acordo com as investigações, Nem conseguiu escapar de pelo menos cinco grandes operações durante esse período. Em agosto de 2007, o inspetor da Polícia Civil Sérgio Luiz Albuquerque, 49, foi preso sob a acusação de vazar informações sobre uma operação feita por 12 delegacias especializadas. Em novembro de 2009, outra ação coordenada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e pela Polícia Federal para prender Nem e Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, morto na última terça-feira, dia 23, foi abortada logo no início. Os dois foram alertados por informantes e conseguiram fugir.

A relação do traficante com o ex-PM ia além do interesse por informações sobre as ações da Polícia. O chefão da Rocinha mantinha certo grau de confiança e amizade com o criminoso, inclusive para andar em seu carro pelas ruas da comunidade.

“Ele trazia boas informações que batiam com nossas investigações, mas em determinado momento do processo apuratório descobrimos o envolvimento dele com os bandidos. Ele fazia jogo duplo. Queria ficar bem com a Polícia e com os traficantes”, completou Turnowsky.

Para o delegado, com a morte de Roupinol, considerado o maior fornecedor de drogas da ADA, de sete seguranças do chefão da comunidade e a prisão do ex-PM, Nem está ficando cada vez mais vulnerável.

“Só falta pegar o camisa 10 desse time”, brincou.

Em nota divulgada à imprensa, a Polícia Militar informou que o ex-soldado pertenceu à corporação durante quatro anos. Em sua folha de serviço constam falhas administrativas, como faltas constantes ao trabalho. Para evitar ser considerado desertor, ele geralmente se apresentava antes que o prazo expirasse. Entretanto, Carlos Henrique acabou expulso da corporação no último dia 9 de março.

Não é a primeira vez que informantes da Polícia Civil se utilizam da instituição para atender interesses criminosos. Ano passado, o também ex-PM Francisco César da Silva de Oliveira, o Chico Bala, auxiliou nas investigações da 35ª DP (Campo Grande), cujo titular era o delegado Marcus Neves, para desarticular a milícia autodenominada Liga da Justiça, que agia na Zona Oeste do Rio. Com o desmantelamento do bando, o grupo paramilitar chefiado pelo ex-policial, o Comando Chico Bala (CCB), acabou ocupando os espaços deixados pelo grupo rival e passou a controlar a maior parte dos serviços de segurança e transporte ilegal na região. No dia 25 de fevereiro, Chico Bala foi preso em uma mansão de luxo em Guarapari, no Espírito Santo.

“Policiais como esse serão tratados piores do que bandidos, pois, além de servir ao crime, eles colocam a vida de outros policiais em risco”, finalizou o Chefe da Polícia Civil.

Fotos: Bruno Gonzalez

Um dos traficantes mais procurados do Rio, Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, 36 anos, foi morto após trocar tiros com policiais civis, durante uma operação no Morro do São Carlos, no Estácio, na região central do Rio, no início da manhã desta terça-feira, dia 23 de março. Apontado como principal distribuidor de drogas do Estado do Rio, Roupinol era procurado pelas polícias Federal e Civil, tendo mais de 28 mandados de prisão expedidos contra si.

A operação que terminou com a morte do principal fornecedor de drogas do Rio foi resultado de uma nvestigação minuciosa que durou pouco mais de dois anos e revelou o talento extraordinário Roupinol – também conhecido como Macaé e Lindão – tinha para transformar cocaína em dinheiro.

Para dissecar as finanças do bando, os agentes usaram uma estratégia engenhosa. Identificaram um a um e monitoraram os compradores dos insumos utilizados no refino da pasta base oriunda de países como a Bolívia e a Colômbia que chegava até as mãos da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), que domina o tráfico no Complexo do São Carlos e também na Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio.

Com base no volume de insumos adquiridos nos últimos dois anos, os agentes calcularam a quantidade de cocaína pura produzida e colocada no mercado e concluíram que a facção faturou o equivalente a R$ 96 milhões. Os contatos de Roupinol no exterior para a compra da pasta-base e o domínio que possuía do processo de refino da cocaína eram fundamentais no esquema que garantia o lucro milionário.

“O grande diferencial do Roupinol foi conseguir trazer o refino da cocaína para dentro das favelas, algo que nunca antes tinha sido feito, e com isso multiplicar os lucros da venda da droga”, disse o sub-chefe operacional da Polícia Civil, delegado Carlos Oliveira.

A fórmula da ADA era simples. Em quase três anos, a quadrilha investiu R$ 42 milhões na compra de seis toneladas de pasta-base (adquirida em média a R$ 7 mil o quilo) e outros R$ 75 mil na compra dos insumos. Aos cuidados do “químico”, como também era chamado, os insumos adicionados à pasta-base se transformavam em seis toneladas de cocaína com 100% de pureza, avaliada no mercado a R$ 16 mil, o quilo – um lucro de mais de 60%.

A droga era revendida a outras favelas da facção, garantindo ao grupo de Roupinol um faturamento bruto final de impressionantes R$ 96 milhões. A cocaína pura que chegava às mãos das outras favelas da ADA, por sua vez, era submetida a outros processos de mistura que chegam a multiplicá-la por 10 e aumentava o faturamento do bando em números que até os policiais consideram incalculáveis.

Só no mês de janeiro deste ano, de acordo com as investigações, a venda de cocaína no Morro da Mineira, favela “arrendada” por Roupinol, garantiu um faturalmento de mais de R$ 3 milhões. A fortuna financiava a compra de armas, subornos a policiais, guerras com facções rivais e até campanhas políticas.

Só em armas, segundo levantamento feito pelos agentes, o Morro da Mineira teria 27 fuzis, 20 pistolas, oito metralhadoras, duas metralhadoras anti-aéreas calibre ponto 30, capazes de derrubar helicópteros, duas sub-metralhadoras e três espingardas calibre 12.

Os policiais descobriram que durante o período os traficantes pagaram a 200 moradores das comunidades da Rocinha e do Complexo de São Carlos para adquirir os produtos químicos usados no refino da droga (éter, ácido clorídrico e ácido sulfúrico).

Para driblar a fiscalização do Ministério da Justiça, que limita a quantidade de produtos que podem ser usados na fabricação de entorpecentes, cada morador recebia em torno de R$ 40 para se cadastrar como comprador em uma das poucas empresas do Rio que trabalha com vendas no varejo.

“Como cada morador só podia adquirir o equivalente a dois litros em um intervalo de 30 dias, eles usavam uma tática formiguinha”, revelou o delegado Rodrigo Oliveira, chefe do Departamento de Polícia Especializada (DPE).

A Polícia Civil já pediu a prisão de 270 pessoas identificadas como compradores dos insumos químicos.

Horas após o confronto que resultou na morte do traficante, o corpo de Roupinol foi velado em uma quadra no alto do Morro de São Carlos, no Estácio, antes de seguir para o Cemitério Memorial da Igualdade, no bairro Santa Virgem, em Macaé. Após a denúncia de que traficantes armados estavam entre os presentes, equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foram até o local, no começo da manhã de quarta-feira, dia 24, e houve troca de tiros. Um PM foi ferido por estilhaços e pelo menos dois criminosos teriam sido baleados, mas ninguém foi preso.

Em uma casa no interior da favela, foram encontradas uma pistola Glock calibre 9 mm, adaptada para disparo em rajada, além de munições para fuzil e 1600 papelotes de cocaína. Na quadra, os policiais apreenderam um cartaz convocando os moradores para o funeral do traficante.

O chefe de Polícia Civil, Alan Turnowski, declarou que novas investigações estão sendo feitas para descobrir o destino do dinheiro gerado pela venda da droga.

“O Núcleo de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (NuCC LD), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), está trabalhando para descobrir o destino que este dinheiro está tendo. Esperamos poder divulgar resultados em breve sobre essas investigações”, afirmou, ressaltando a importância dos viciados terem noção do valor em dinheiro que os traficantes arrecadam com a venda de drogas.

“Não temos que tratar o usuário como responsável pelo crime organizado, mas é necessário que eles tenham idéia da quantidade de dinheiro que é gerada para esses traficantes com o consumo de droga”, ressaltou Turnowski.

Rogério Rios Mosqueira, o Macaé ou Lindão, 36 anos

Viciado no tranqüilizante que lhe rendeu o apelido de Roupinol, o traficante Rogério Rios Mosqueira – também conhecido como Macaé ou Lindão – 36 anos, era um dos traficantes mais procurados do Rio. Natural do Complexo das Malvinas, que é formado pelas favelas Nova Holanda, Santanna e Aroeira, localizadas em Macaé, ele era acusado de ser o principal distribuidor de drogas na cidade do Norte Fluminense.

Sandro Luís de Paula Amorim, o Lindinho, Peixe ou Foca, 33 anos

O criminoso cumpriu parte da pena à que foi condenado na Penitenciária Lemos Brito, no Complexo da Frei Caneca, onde conheceu Sandro Luís de Paula Amorim, o Lindinho, Peixe ou Foca, 33 – nascido e criado no Morro da Mineira, no Complexo de São Carlos, no Estácio. Os dois criaram um forte vínculo de amizade na cadeia e, quando Lindinho deixou a prisão, em junho de 2002, Roupinol lhe atribuiu a responsabilidade de controlar as bocas-de-fumo nas favelas de Macaé.

Beneficiado com a liberdade condicional dois anos depois – em dezembro de 2004 -, Lindão passou a ser considerado foragido da Justiça em março de 2007, quando a Polícia Federal desarticulou uma quadrilha de traficantes que mantinha uma refinaria de cocaína no município de Conceição de Macabu, na região norte do Estado do Rio. O laboratório tinha capacidade para refinar de 10 a 15 quilos de pasta base de cocaína por mês – droga que era enviada para as bocas-de-fumo dos complexos das Malvinhas e de São Carlos – composto pelos morros São Carlos, Mineira, Querosene e Zinco.

Anderson Rosa Mendonça, o Coelho ou Lindomar, 31 anos

Batizada como “Morpheu”, a operação envolveu 230 agentes federais e 70 viaturas e ocorreu simultaneamente em vários Estados. Foram presas 11 pessoas em Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e Rio de Janeiro. Ao todo, a Polícia cumpriu 40 mandados de prisão e alguns deles eram contra Lindinho e Lindão. Com a operação da PF, Roupinol deixou sua cidade natal e encontrou abrigo oferecido por Lindinho no Complexo do São Carlos. Ele ganhou prestígio no Morro da Mineira após pagar o resgate do traficante Anderson Rosa Mendonça, o Coelho ou Lindomar, 31. Sobrinho do traficante Irapuan David Lopes, o Gangan, morto aos 35 anos, em 2004, durante confronto com a Polícia Civil, ele teria sido seqüestrado por policiais, que exigiram dinheiro em troca da liberdade do criminoso.

A partir daí, Roupinol passou a controlar todo o Complexo de São Carlos e se transformou na principal liderança, em liberdade, da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) – cujo líder, Edmílson Ferreira dos Santos, o Sassá, Coroa ou Samuca, 38, está preso. Além de ser apontado como maior fornecedor de cocaína para as bocas-de-fumo controladas pela ADA, Roupinol foi apontado como o mandante do assassinato de três moradores do Morro da Providência, no Centro do Rio, em junho de 2008. Os jovens Marcos Paulo Rodrigues Campos, 17, Wellington Gonzaga da Costa Ferreira, 19, e David Wilson Florêncio da Silva, 24, foram seqüestrados por soldados do Exército e entregues ao traficante, que autorizou a execução para que não restassem testemunhas.

O traficante também foi acusado de envolvimento em outros seis homicídios. Um deles, o do secretário Transportes de Macaé, Fernando Magalhães – morto aos 56 anos, em agosto de 2006.

Relembre:
Polícia não encontra esconderijo de Roupinol na Rocinha

Anderson Eduardo Timóteo, o Skol ou Derson, 34 anos

Um dos gerentes do tráfico de drogas no Complexo de São Carlos, no Estácio, na região central do Rio, Anderson Eduardo Timóteo, o Skol ou Derson, 34 anos, morreu durante confronto com equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), na manhã desta sexta-feira, dia 15 de janeiro. Um policial militar também ficou ferido na troca de tiros. Atingido no pé, perna, braço e duas vezes de raspão no pescoço, o capitão Leandro Maia foi socorrido e levado para o Hospital Central da Polícia Militar (HCPM), localizado a poucos metros da favela.

Apontado pela Polícia como um dos homens de confiança dos traficantes Rogério Rios Mosqueira, Anderson Rosa Mendonça e Sandro Luís de Paula Amorim, que controlam as bocas-de-fumo do Complexo de São Carlos, Skol possuía um mandado de prisão expedido pela 40ª Vara Criminal do Rio. Com informações de que o bandido estava em uma casa no morro, as equipes do Bope subiram a favela.

Ao perceber a presença dos policiais, o criminoso, do alto de uma laje, efetuou diversos disparos de fuzis na direção dos policiais. Em resposta ao traficante, os PMs reagiram e acabaram baleando o procurado.
O tiroteio na área foi intenso e chegou a causar uma interdição do trânsito do Túnel Martins Sá, mais conhecido como Frei Caneca. Pessoas que estavam dentro dos ônibus se atiraram no chão dos veículos, enquanto quem passava pela rua buscava lugares para escapar dos tiros.

Os PMs detiveram a namorada do traficante, Priscila da Silva Vieira, 21, que foi autuada pelo delegado Fernando Reis, titular da 6ª DP (Cidade Nova), por associação para fins de tráfico. Prima do traficante Leandro Nunes Botelho, o Scooby, chefe do tráfico no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, a mulher – grávida de seis meses – foi flagrada em fotos empunhando o fuzil AK-47 usado pelo namorado e apreendido durante a ação do Bope. Se condenada, ela pode pegar de três a dez anos de cadeia.

Priscila da Silva Vieira, 21 anos

O tráfico de drogas no Complexo de São Carlos composto pelos morros São Carlos, Mineira, Querosene e Zinco é controlado pelo traficante Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, 36 anos. Viciado no tranqüilizante que lhe rendeu o apelido, o criminoso – também conhecido como Macaé ou Lindão – é natural do Complexo das Malvinas, que é formado pelas favelas Nova Holanda, Santanna e Aroeira, localizadas em Macaé.

Acusado de ser o principal distribuidor de drogas na cidade do Norte Fluminense, ele cumpriu parte da pena à que foi condenado na Penitenciária Lemos Brito, no Complexo da Frei Caneca, onde conheceu Sandro Luís de Paula Amorim, o Lindinho, Peixe ou Foca, 33 – nascido e criado no Morro da Mineira. Os dois criaram um forte vínculo de amizade na cadeia e, quando Lindinho deixou a prisão, em junho de 2002, Roupinol lhe atribuiu a responsabilidade de controlar as bocas-de-fumo nas favelas de Macaé.

Beneficiado com a liberdade condicional dois anos depois – em dezembro de 2004 -, Lindão passou a ser considerado foragido da Justiça em março de 2007, quando a Polícia Federal desarticulou uma quadrilha de traficantes que mantinha uma refinaria de cocaína no município de Conceição de Macabu, na região norte do Estado do Rio. O laboratório tinha capacidade para refinar de 10 a 15 quilos de pasta base de cocaína por mês – droga que era enviada para as bocas-de-fumo dos complexos das Malvinhas e de São Carlos.

Batizada como “Morpheu”, a operação envolveu 230 agentes federais e 70 viaturas e ocorreu simultaneamente em vários estados. Foram presas 11 pessoas em Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e Rio de Janeiro. Ao todo, a Polícia cumpriu 40 mandados de prisão e alguns deles eram contra Lindinho e Lindão. Com a operação da PF, Roupinol deixou sua cidade natal e encontrou abrigo oferecido por Lindinho no Complexo do São Carlos. Ele ganhou prestígio no Morro da Mineira após pagar o resgate do traficante Anderson Rosa Mendonça, o Coelho ou Lindomar, 31. Sobrinho do traficante Irapuan David Lopes, o Gangan, morto aos 35 anos, em 2004, durante confronto com a Polícia Civil, ele teria sido seqüestrado por policiais, que exigiram dinheiro em troca da liberdade do criminoso.

A partir daí, Roupinol passou a controlar todo o Complexo de São Carlos e se transformou na principal liderança, em liberdade, da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) – cujo líder, Edmílson Ferreira dos Santos, o Sassá, Coroa ou Samuca, 38, está preso. Além de ser apontado como maior fornecedor de cocaína para as bocas-de-fumo controladas pela ADA, Roupinol é apontado como o mandante do assassinato de três moradores do Morro da Providência, no Centro do Rio, em junho de 2008. Os jovens Marcos Paulo Rodrigues Campos, 17, Wellington Gonzaga da Costa Ferreira, 19, e David Wilson Florêncio da Silva, 24, foram seqüestrados por soldados do Exército e entregues ao traficante, que autorizou a execução para que não restassem testemunhas.

O traficante também é acusado de envolvimento em outros seis homicídios. Um deles, é o do secretário Transportes de Macaé, Fernando Magalhães – morto aos 56 anos, em agosto de 2006.

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Fotos: Henrique Esteves e Pedro Pantoja

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Apenas os oficiais lotados no Grupamento Aéreo-Marítimo (GAM) utilizam macacões feitos com tecido não-inflamável, que não derrete e apenas começa a sofrer danos em temperaturas superiores a 380°C. A denúncia foi feita ontem, durante enterro do corpo do cabo Izo Gomes Patrício, 36 anos. Ele era um dos três praças da unidade especializada que sofreram queimaduras durante ataque ao helicóptero em que estavam durante operação sobre o Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, no último sábado. Os outros dois PMs – os soldados Edney Canazarro de Oliveira, 30, e Marcos Standler Macedo, 40 – morreram ainda no local.

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“Se a roupa fosse adequada, poderia ter amenizado os ferimentos, ou mesmo evitado. O piloto e o co-piloto estavam usando e não sofreram queimaduras”, denunciou um policial militar que está na corporação há oito anos – mesmo tempo que o cabo Patrício.

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“Se não fosse por ele, eu não estaria aqui hoje. Há quatro anos, quando trabalhávamos juntos no 22º BPM (Benfica), eu sofri um acidente durante incursão no Complexo da Maré e foi ele quem me tirou da linha de tiro. Sempre foi corajoso e esse não foi o único ato heróico dele. Não perdemos somente um policial. Perdemos um policial herói”, ressaltou, pedindo para que não tivesse a identidade divulgada, por medo de represália.

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“A tropa está sofrendo. O policial na rua está se sentindo abandonado. Se sentimos insegurança, como vamos passar uma sensação de segurança para a população?”, questionou o PM, lotado atualmente no 9º BPM (Rocha Miranda).

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O tecido especial – chamado Nomex – é uma fibra utilizada também por profissionais como pilotos de aeronaves e de carros de automobilismo, por ser altamente resistente ao calor. Utilizada pela primeira vez em 1965, em um macacão de vôo para a Marinha dos Estados Unidos, atualmente a fibra Nomex é parte integrante de acessórios de pilotos e tripulantes de aeronaves, como macacões, balaclavas, coletes e luvas.
Resistente à chama, o tecido feito de Nomex só queima enquanto houver contato imediato com a fonte da chama. Além de criar uma barreira isolante, impedindo a queima do material, a fibra também diminui consideravelmente a transferência de calor, aumentando o tempo de permanência do usuário em um ambiente de alta temperatura.

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“Alguns de nós têm porque conseguimos por meios próprios. Eu ganhei de um amigo das Forças Armadas. Outros compraram. É um fardamento que deveria ser dado pela corporação, pois cada macacão desse custa R$ 1.500 e nem todos têm como adqüirir”, revelou um oficial lotado no GAM, que pediu para não ser identificado.

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Além dos três PMs mortos, outros três PMs faziam parte da tripulação do helicóptero Phênix – atingido por tiro disparado por traficantes ligados à facção criminosa Comando Vermelho (CV), no último sábado, dia 17: os capitães Marcelo Vaz de Souza, 38, e Marcelo de Carvalho Mendes, 29, respectivamente piloto e co-piloto, e o cabo Anderson Fernandes dos Santos, 34. Enquanto os dois oficiais já receberam alta – o primeiro sofreu queimaduras na mão esquerda e o segundo foi baleado no pé – o cabo permanecia internado, no Hospital da Força Aérea, na Ilha do Governador, até a tarde de ontem.

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Acompanhado por cerca de mil pessoas, entre familiares, amigos e colegas de farda, o cortejo que levou o corpo do cabo Izo Gomes Patrício, 36, ao Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste do Rio, reuniu emoção e revolta.

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“Toda missão tem baixa. Infelizmente meu irmão foi a estatística dessa baixa. Ele sempre foi muito família e dava valor ao profissionalismo. Morreu como herói”, enfatizou um dos irmãos do PM, o também cabo da Polícia Militar Robson Gomes Patrício, 39, lotado no Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (BPRv).

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A dona-de-casa Regina Gomes Patrício, mãe dos cabos e de uma filha e um outro filho que também é PM, Regina Gomes Patrício, fez um desabafo emocionado.

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“Só tenho a 7ª série, mas dei o Ensino Médio a todos os meus filhos. Os culpados são os pais, que não dão educação aos filhos. Povo da favela, povo do morro, nasceu o filho de vocês, modele ele desde o berço. A gente não pode esperar chegar os 14, 15 anos. Eles estarão perdidos. Se for do berço, eles serão obedientes e amigos de vocês. Jamais vão cair na vida, virar traficante e deixar toda sociedade apavorada”, desabafou.

Cabo da Polícia Militar Izo Gomes Patrício, 36 anos, lotado no Grupamento Aéreo-Marítimo (GAM)

Cabo da Polícia Militar Izo Gomes Patrício, 36 anos, lotado no Grupamento Aéreo-Marítimo (GAM)

Em nota, a assessoria de imprensa da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro afirmou que o GAM adqüiriu, em setembro deste ano, uniformes especiais para todos os tripulantes. Entretanto, segundo o órgão, os macacões de vôo não foram aprovados por não atenderem às exigências técnicas do edital e que o fabricante foi inquirido para que fizesse os ajustes necessários para o atendimento das necessidades do grupamento.

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“Ainda assim, esclarecemos que o macacão de vôo não suportaria o período de exposição ao incêndio ocorrido com a aeronave do GAM”, destaca a nota, finalizando: “todas as circunstâncias do acidente estão sendo investigadas em um inquérito instaurado pela corporação.”

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pimentao

Assalto, perseguição, troca de tiros e duas pessoas feitas reféns, em Niterói, na tarde desta quinta-feira, dia 15. Após roubarem o carro de uma psicóloga de 37 anos, no Centro, dois criminosos foram surpreendidos por policiais militares lotados no 12º BPM (Niterói), quando tentavam fugir com o veículo da vítima em direção ao Morro do Boa Vista, no bairro São Lourenço. Um deles acabou preso ao invadir uma residência, em um dos acessos à comunidade.

De acordo com a Polícia, o crime ocorreu por volta das 17 horas. A psicóloga seguia pela Avenida Marquês de Paraná, sentido Icaraí, quando teve seu Honda Civic fechado por uma motocicleta com dois ocupantes, em frente a um hipermercado. Armado com uma pistola, o homem que estava na garupa anunciou o assaltou, retirou a vítima do veículo puxando-a pelos cabelos e fugiu com o automóvel em direção ao Boa Vista.

Mesmo muito assustada, a psicóloga conseguiu abordar PMs que faziam patrulhamento na região. Eles iniciaram a perseguição aos criminosos, que se estendeu até o bairro São Lourenço, a aproximadamente dois quilômetros do local do crime. Houve confronto entre os policiais e os assaltantes. Durante a fuga, um deles perdeu o controle do veículo e bateu em um poste na Rua Saldanha da Gama. Cercado pelos PMs, ele invadiu uma casa e manteve uma idosa e uma adolescente como reféns.

Após breve negociação com os policiais, Rafael Lopes do Amaral, o Pimentão, 28 anos, decidiu se entregar. O outro suposto assaltante conseguiu fugir, deixando para trás a motocicleta utilizada no crime, uma Honda Twister preta, placa KYG-1803, que consta como roubada, segundo os policiais. No final da tarde, os militares realizaram uma incursão na comunidade, mas não conseguiram encontrá-lo.

“O conselho que eu deixo é que as pessoas entreguem todos os seus pertences sem reagir, pois o bem material pode ser recuperado. Também gostaria de elogiar a ação dos policiais, que fez aumentar minha confiança na polícia”, destacou a psicóloga.

Encaminhado à 78ª DP (Fonseca), Rafael foi reconhecido pela vítima e autuado por assalto à mão armada. Ainda de acordo com os policiais, ele teria uma anotação criminal por tráfico de drogas. A polícia investiga se o veículo roubado seria uma encomenda feita por traficantes do Morro do Boa Vista, ligados à facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA).

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menino de deus-02

Quatro anos após perder o controle das bocas-de-fumo do Morro da Chumbada, em São Gonçalo, o traficante Luís Paulo Gomes Jardim, o Luiz Queimado, 47 anos – um dos principais líderes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) no município – iniciou guerra pela retomada dos pontos de venda de drogas no local.

Luís Paulo Gomes Jardim, o Luiz Queimado, 47 anos

Luís Paulo Gomes Jardim, o Luiz Queimado, 47 anos

Preso há 18 anos, o criminoso – irmão de Paulo César Gomes Jardim, o Paulinho Madureira, 43, que também cumpre pena por tráfico de drogas, e filho de Maria Helena Gomes, a Vovó do Pó, 73, que está em liberdade condicional desde julho de 2003, após ficar presa por mais de uma década – controla o Morro Menino de Deus, juntamente com a família, desde os anos 70.

Paulo César Gomes Jardim, o Paulinho Madureira, 43 anos

Paulo César Gomes Jardim, o Paulinho Madureira, 43 anos

Ele teria dado a ordem para que um dos integrantes de sua quadrilha, identificado pela Polícia como Nenequinha, invadisse a Chumbada, controlada desde 2005 pela facção rival Amigos dos Amigos (ADA).
Segundo levantamentos da Polícia, a guerra na região teve início quando o traficante Reginaldo Alex da Conceição Simão, o Reginaldo Bocão, 35, foi morto por antigos aliados, dentro da cadeia.

Maria Helena Gomes, a Vovó do Pó, 73 anos

Maria Helena Gomes, a Vovó do Pó, 73 anos

Ele era um dos homens de confiança dos irmãos Luiz Queimado e Paulinho Madureira. Ainda segundo a polícia, revoltado com a traição, o irmão de Reginaldo Bocão – conhecido como Nei – se aliou à ADA e tomou o lugar dele, na Chumbada. Meses depois, ele foi morto em confronto com a PM. Quem assumiu o compromisso de vingança foi outro irmão – conhecido como Dodô – atualmente preso.

menino de deus-03

Os dois morros fazem divisa e possuem acessos pelos bairros Centro, Rocha, Galo Branco, Estrela do Norte e Mutondo, na região central de São Gonçalo. Na madrugada de sábado, cerca de 80 homens saíram do Menino de Deus e iniciaram a guerra, que deixou mais de 11 criminosos mortos, três presos e moradores feridos. Os traficantes do CV teriam recebido apoio de comparsas de morros e favelas localizadas em outros bairros, como o Martins, em Neves, e o Complexo da Coruja, em Vila Laje; e em outros municípios, como o Juca Branco, no Cubango, em Niterói; e Jacarezinho e Mangueira, no Rio.

chumbada (1)

Além de Nenequinha, Pindoba e Dudu – os três expulsos da Chumbada pela família de Reginaldo Bocão-, Mário Sérgio Rocha Martins, o Gugui, 31 (em liberdade condicional desde o mês de junho), Maicon dos Santos Douglas, o Gaguinho, TH, Leandro Caveira e Tuiú estariam à frente do bonde que invadiu a comunidade vizinha armados com fuzis e pistolas e usando coletes à prova de balas.

Mario Sergio Rocha Martins, Gugui

Mário Sérgio Rocha Martins, o Gugui, 31 anos

Na manhã desta segunda-feira, dia 5, policiais da 72ª DP (Mutuá) e da Coordenadoria de Polícia Regional do Interior (CRPI-SG) realizaram uma incursão no local para tentar localizar corpos e recuperaram a Hiunday Tucson placa KPP 1172, roubada na área da 79ª DP (Jurujuba). Havia vestígios de sangue no interior do veículo, mas os mortos não foram encontrados.

chumbada

Denúncias apontam o Cemitério São Miguel, localizado no bairro de mesmo nome e que dá fundos para o Morro da Chumbada, como uma das áreas escolhidas pelos traficantes para enterrar os corpos dos rivais.

chumbada (2)

No sábado, dia 3, o tiroteio durou cerca de três horas e assustou os moradores, que ficaram impedidos de sair de suas residências por ordem dos traficantes. Dois moradores, identificados como Rogério Augusto da Silva, 29, e Tailane dos Santos Mendonça, 13, foram baleados de raspão quando chegavam em suas residências. Os dois foram encaminhados ao Pronto Socorro de São Gonçalo (PSSG), no Zé Garoto, e liberados após receberem atendimento médico.

Outro ferido durante o confronto foi o garçom Carlos Henrique Freitas Brandão, 27. Morador da Chumbada, ele voltava do trabalho quando teve o carro cercado pelos bandidos. Levado para o alto do morro, ele foi torturado e esfaqueado no peito, mas conseguiu fugir. O garçom foi socorrido por médicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e lavado para o PSSG, onde permanece internado.

menino de deus-01

Policiais do 7º BPM (São Gonçalo) ocuparam a comunidade e apreenderam duas metralhadoras, uma pistola e uma granada. Em confronto com a PM, um criminoso conhecido como Contexto foi atingido e não resistiu aos ferimentos. A apreensão foi registrada na 74ª (Alcântara). Para tentar retomar as bocas-de-fumo da Chumbada e assumir também as do Menino de Deus, traficantes da Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, enviaram reforços para o município gonçalense.

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Quatro anos após perder o controle das bocas-de-fumo do Morro da Chumbada, em São Gonçalo, o traficante Luís Paulo Gomes Jardim, o Luiz Queimado, 47 anos – um dos principais líderes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) no município – iniciou guerra pela retomada dos pontos de venda de drogas no local.

Luís Paulo Gomes Jardim, o Luiz Queimado, 47 anos

Luís Paulo Gomes Jardim, o Luiz Queimado, 47 anos

Preso há 18 anos, o criminoso – irmão de Paulo César Gomes Jardim, o Paulinho Madureira, 43, que também cumpre pena por tráfico de drogas, e filho de Maria Helena Gomes, a Vovó do Pó, 73, que está em liberdade condicional desde julho de 2003, após ficar presa por mais de uma década – controla o Morro Menino de Deus, juntamente com a família, desde os anos 70.

Paulo César Gomes Jardim, o Paulinho Madureira, 43 anos

Paulo César Gomes Jardim, o Paulinho Madureira, 43 anos

Ele teria dado a ordem para que um dos integrantes de sua quadrilha, identificado pela Polícia como Nenequinha, invadisse a Chumbada, controlada desde 2005 pela facção rival Amigos dos Amigos (ADA).
Segundo levantamentos da Polícia, a guerra na região teve início quando o traficante Reginaldo Alex da Conceição Simão, o Reginaldo Bocão, 35, foi morto por antigos aliados, dentro da cadeia.

Maria Helena Gomes, a Vovó do Pó, 73 anos

Maria Helena Gomes, a Vovó do Pó, 73 anos

Ele era um dos homens de confiança dos irmãos Luiz Queimado e Paulinho Madureira. Ainda segundo a polícia, revoltado com a traição, o irmão de Reginaldo Bocão – conhecido como Nei – se aliou à ADA e tomou o lugar dele, na Chumbada. Meses depois, ele foi morto em confronto com a PM. Quem assumiu o compromisso de vingança foi outro irmão – conhecido como Dodô – atualmente preso.

menino de deus-03

Os dois morros fazem divisa e possuem acessos pelos bairros Centro, Rocha, Galo Branco, Estrela do Norte e Mutondo, na região central de São Gonçalo. Na madrugada de sábado, cerca de 80 homens saíram do Menino de Deus e iniciaram a guerra, que deixou mais de 11 criminosos mortos, três presos e moradores feridos. Os traficantes do CV teriam recebido apoio de comparsas de morros e favelas localizadas em outros bairros, como o Martins, em Neves, e o Complexo da Coruja, em Vila Laje; e em outros municípios, como o Juca Branco, no Cubango, em Niterói; e Jacarezinho e Mangueira, no Rio.

chumbada (1)

Além de Nenequinha, Pindoba e Dudu – os três expulsos da Chumbada pela família de Reginaldo Bocão-, Mário Sérgio Rocha Martins, o Gugui, 31 (em liberdade condicional desde o mês de junho), Maicon dos Santos Douglas, o Gaguinho, TH, Leandro Caveira e Tuiú estariam à frente do bonde que invadiu a comunidade vizinha armados com fuzis e pistolas e usando coletes à prova de balas.

Mario Sergio Rocha Martins, Gugui

Mário Sérgio Rocha Martins, o Gugui, 31 anos

Na manhã desta segunda-feira, dia 5, policiais da 72ª DP (Mutuá) e da Coordenadoria de Polícia Regional do Interior (CRPI-SG) realizaram uma incursão no local para tentar localizar corpos e recuperaram a Hiunday Tucson placa KPP 1172, roubada na área da 79ª DP (Jurujuba). Havia vestígios de sangue no interior do veículo, mas os mortos não foram encontrados.

chumbada

Denúncias apontam o Cemitério São Miguel, localizado no bairro de mesmo nome e que dá fundos para o Morro da Chumbada, como uma das áreas escolhidas pelos traficantes para enterrar os corpos dos rivais.

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No sábado, dia 3, o tiroteio durou cerca de três horas e assustou os moradores, que ficaram impedidos de sair de suas residências por ordem dos traficantes. Dois moradores, identificados como Rogério Augusto da Silva, 29, e Tailane dos Santos Mendonça, 13, foram baleados de raspão quando chegavam em suas residências. Os dois foram encaminhados ao Pronto Socorro de São Gonçalo (PSSG), no Zé Garoto, e liberados após receberem atendimento médico.

Outro ferido durante o confronto foi o garçom Carlos Henrique Freitas Brandão, 27. Morador da Chumbada, ele voltava do trabalho quando teve o carro cercado pelos bandidos. Levado para o alto do morro, ele foi torturado e esfaqueado no peito, mas conseguiu fugir. O garçom foi socorrido por médicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e lavado para o PSSG, onde permanece internado.

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Policiais do 7º BPM (São Gonçalo) ocuparam a comunidade e apreenderam duas metralhadoras, uma pistola e uma granada. Em confronto com a PM, um criminoso conhecido como Contexto foi atingido e não resistiu aos ferimentos. A apreensão foi registrada na 74ª (Alcântara). Para tentar retomar as bocas-de-fumo da Chumbada e assumir também as do Menino de Deus, traficantes da Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, enviaram reforços para o município gonçalense.

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