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Ricardo Alves dos Santos, o Dino, 29 anos

Apontado pela Polícia como chefe do tráfico na Favela Santa Lúcia, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Ricardo Alves dos Santos, o Dino, 29 anos, foi preso por policiais da Delegacia de Dedicação Integral ao Cidadão (Dedic) da 77ª DP (Icaraí), em Macaé. A prisão foi efetuada na noite desta segunda-feira, dia 4 de março. Contra o acusado havia dois mandados de prisão pendentes – um por tráfico de drogas e outro por homicídio.

O criminoso – que seria o responsável pela distribuição de cocaína, maconha e crack para os morros da Zona Sul de Niterói – ainda se identificou apresentando documentos de um irmão já falecido. No entanto, após consulta, os policiais constataram que a identidade era falsa. Além de ter os dois mandados de prisão contra si cumpridos, Dino também foi autuado em flagrante por uso de documento falso e falsidade ideológica.

Ele foi encaminhado a uma carceragem da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter), onde vai permanecer à disposição da Justiça.

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José Carlos dos Prazeres Silva, o Cem ou Joca, 30 anos

Acusado de matar dois policiais militares há seis anos e seis meses, José Carlos dos Prazeres Silva, o Cem ou Joca, 30 anos, foi preso por equipes do 22º BPM (Benfica), durante incursão na Favela de Manguinhos, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, nesta sexta-feira, dia 1º de abril.

O crime ocorreu no dia 2 de outubro de 2004, em Ramos, na Zona Norte do Rio. Dois policiais do 22º BPM foram executados por quatro homens armados com fuzis, às 7h, quando saíam de padaria na esquina das ruas Barreirose João Romariz. A caixa do estabelecimento, identificada como Miriam Leila Ribeiro, 44, foi atingida de raspão no braço esquerdo.

Baleado na cabeça, o sargento Télio de Jesus Graniço, 43, morreu a caminho do Hospital Geral de Bonsucesso. Já seu colega de farda, o cabo Robson Barros Rosa, 31, levou um tiro na barriga e morreu no centro cirúrgico.

O criminoso também é acusado de participação em um homicídio ocorrido uma semana antes. No dia 25 de setembro de 2004, ele atirou três vezes contra o advogado Acrísio Bicudo Fontes Neto, 27, no Engenho Novo, também na Zona Norte do Rio. A vítima era filha do desembargador José Ricardo Siqueira Regueira – preso em abril de 2007 na Operação Furacão, da Polícia Federal – e da juíza federal Lana Maria Fontes Regueira.

Dois meses depois, em novembro de 2004, José Carlos Prazeres dos Santos foi preso pela PF no sítio Recanto do Baby, no KM 99 da Estrada Rio-Teresópolis, em Guapimirim. Outras 15 pessoas também foram detidas na mesma ação, que investigava traficantes ligados à facção Comando Vermelho (CV). Todos foram indiciados por formação de quadrilha, roubo e furto, porte de arma de uso restrito e associação para o tráfico.

Condenado a 16 anos de prisão, ele recebeu o benefício do regime semi-aberto após cumprir um sexto da pena, em julho de 2009, e, um ano e dois meses depois, foi beneficiado com a Visita Periódica ao Lar (VPL).

Considerado um dos traficantes mais procurados de Niterói e acusado de comandar uma disputa sangrenta pela retomada das bocas de fumo do Complexo da Ititioca, na Zona Norte do município – que deixou pelo menos 13 mortos nos últimos cinco meses na região –, Antônio Marcos da Conceição, o Bolota, foi preso no Fórum do Rio nesta sexta-feira, dia 16 de abril, quando foi assinar sua liberdade condicional.

Sem saber que contra si havia um mandando de prisão por homicídio, expedido pela Justiça a partir de um inquérito instaurado na 77ª DP (Icaraí), ele voltou para a cadeia após declarar guerra contra antigos aliados, que assumiram a venda de drogas nas comunidades da Ititioca, Atalaia, Sapê e Badu, em 2003, quando o criminoso foi preso.

Ao deixar a prisão, em junho de 2009, Bolota se revoltou ao ser informado por Antônio Jorge Gonçalves dos Santos, o Tony ou Senhor das Armas – um dos maiores atacadistas de armas do Estado, preso por agentes da Delegacia de Repressão às Armas e Explosivos (DRAE), no Mato Grosso do Sul, em julho do ano passado – que não estava mais à frente do tráfico de drogas no Complexo da Ititioca. Dois traficantes, identificados apenas como Cachorrão e Dig Brown, teriam ocupado o lugar do criminoso.

De acordo com as investigações, Bolota chegou a ser chamado para uma reunião com integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, onde seria decidida uma nova comunidade para ele assumir o controle da venda de drogas. Temendo tratar-se de uma emboscada, ele preferiu não comparecer ao encontro. Enfraquecido no CV, o traficante decidiu se aliar à facção rival Amigos dos Amigos (ADA) e travar uma guerra para voltar ao seu antigo reduto.

Em novembro de 2009, a morte de Wagner Azevedo Bento, o Waguinho, 33 anos, deu início a disputa entre as facções rivais. Encontrado com marcas de tortura no Badu, ele era irmão de um dos antigos chefes do tráfico da Favela Sítio de Ferro. Uma semana depois do crime, um homem não identificado foi assassinado de forma semelhante no Sapê. No dia 16 de novembro do mesmo ano, o eletricista Djalma da Conceição, 46, e seus dois filhos, Rodrigo Caetano da Conceição, 23, e Robson Leonardo Caetano da Conceição, 19, que seriam parentes de Bolota, foram executados dentro de casa, também no Sapê. Na mesma noite, Daniel dos Santos Botelho, 29, foi morto a tiros no Morro do Céu.

Em fevereiro desse ano, quatro amigos foram encontrados mortos na Estrada do Capim Melado. Um mês depois Bruno Marcílio, 25, e Daniele Basílio, 24, foram encontrados mortos no intervalo de 24h na região. A Polícia investiga também a participação dos traficantes na morte de Francisca Cleoneide da Silva, 41, executada a pauladas dentro de casa no Complexo da Ititioca.

Policiais da 77ªDP informaram três revólveres calibre 38 foram apreendidos em uma casa utilizada por Bolota como esconderijo no Morro do Atalaia. Segundo os agentes, as armas serão submetidas à exame pericial para possibilitar o confronto balístico em inquéritos de homicídios cometidos na região.

Acusado de integrar uma quadrilha especializada em clonagem de veículos, Flávio do Couto, 29 anos, foi preso por policiais da 21ª DP (Bonsucesso). A prisão foi efetuada na última sexta-feira, dia 9 de abril, após um mês de investigações, e ele foi apresentado à imprensa na manhã desta terça-feira, dia 13.

Ele dirigia um Honda Civic roubado e se preparava para entregá-lo a um comprador em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, quando foi surpreendido pelos policiais.

“Ele chegou a se identificar como funcionário do Detran, mas não era verdade”, destacou o delegado Felipe Cury, adjunto da 21ª DP, que ressaltou que a Polícia está perto de desbaratar a quadrilha, que vem derramando carros clonados para serem revendidos em agências de automóveis de todo o Estado.

As investigações tiveram início após a apreensão, em fevereiro, de um veículo roubado que tinha a placa clonada de um automóvel do Consulado Russo. Depois de roubar carros, os criminosos usavam documentos de veículos de mesma marca, modelo e cor para esquentar a placa.

Além do Honda Civic em poder do acusado – que confessou que recebia até R$ 5 mil por veículo vendido – os policiais apreenderam outros seis carros que já haviam sido comprados por moradores de Nilópolis e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e também Vila Valqueire, na Zona Oeste do Rio.

A delegada Valéria de Castro, titular da 21ª DP, pretende investigar se há conivência de funcionários do Departamento de Trânsito do Rio (Detran-RJ), já que os documentos dos veículos também foram clonados.

“Precisamos saber se houve furto de algum lote de espelhos de documentos ou se eles falsificavam os mesmos com dados dos proprietários dos veículos”, afirmou.

A Polícia quer saber também se os donos das agências sabiam que estavam comprando veículos clonados ou se foram vítimas, a exemplo dos compradores dos veículos.

Foram recuperados três Honda Civic, duas Pajero, um Siena e um Peugeot. Os policiais conseguiram chegar aos verdadeiros proprietários dos veículos bons levantando o número do motor dos carros. Autuado em flagrante por receptação, Flávio também vai responder por formação de quadrilha.

Assim que desceu da viatura, em frente à delegacia, Amarildo Xavier Matos, 33 anos, disse: “Perdi, tá bom”. No entanto, momentos antes, ao ser surpreendido por policiais do Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 22º BPM (Benfica) no interior de uma casa onde se escondia, ele cagou nas calças.

“Estávamos realizando patrulhamento de rotina quando avistamos quatro homens em atitude suspeita. Vimos quando um deles entrou em uma casa e fomos atrás. Encontramos um menor com um rádio na mão e Amarildo com um rádio na cintura. Perguntamos onde estava a arma e ele a pegou embaixo do sofá”, contou um dos PMs que participou da ocorrência, nesta terça-feira, dia 14.

Além dos dois rádios transmissores, os policiais apreenderam uma pistola calibre 40 com a numeração raspada, de uso exclusivo da Polícia Civil. A arma possuía a inscrição “Cruzada Pistão”.

A prisão foi efetuada na Travessa C4, na localidade conhecida como Cruzada, na Favela Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré, em Benfica, na Zona Norte do Rio, onde criminosos ligados à facção Terceiro Comando Puro (TCP) controlam o tráfico de drogas. De acordo com os PMs, o líder da região é o traficante conhecido como Menor Poeta e Menor P.

Após entregar a arma aos policiais e se dirigir à viatura, Amarildo acabou defecando e sujando as calças. Os PMs tiveram que jogar água nele, da cintura para baixo, para não sujar a caçamba.

Ele e o menor, de 17 anos de idade, foram levados para a 21ª DP (Bonsucesso), onde foi registrado o flagrante. Após depoimento, o menor foi levado para a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e o maior foi encaminhado para uma carceragem da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter), onde vai permanecer à disposição da Justiça.

Apontado pela Polícia como segundo homem na hierarquia do tráfico de drogas no Complexo de Manguinhos, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio, Bruno Ricardo Corrêa da Silva, o Lambão, 26 anos, recebeu voz de prisão enquanto estava em cima de uma maca aguardando atendimento médico.

Policiais da 21ª DP (Bonsucesso) chegaram até ele através de denúncias anônimas, no início da noite desta segunda-feira, dia 12 de abril. Contra o acusado, que foi surpreendido pelos agentes na Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), havia um mandado de prisão expedido por tráfico de drogas e associação para fins de tráfico.

“Recebemos a informação de que ele estava realizando um exame de rotina em um hospital da área. Percorremos várias unidades de saúde e, no final do dia, o localizamos na FioCruz”, revelou o delegado Felipe Cury, adjunto da 21ª DP, que instaurou inquérito para apurar o tráfico de drogas em Manguinhos e iniciou as investigações há três meses.

Integrante da facção criminosa Comando Vermelho (CV), Lambão, segundo a Polícia, é o responsável pelo abastecimento e distribuição da maconha no Complexo de Manguinhos – composto pelas favelas Vila Turismo, Parque João Goulart, Parque Carlos Chagas ou Varginha e Mandela de Pedra, além de Parque Oswaldo Cruz ou do Amorim e os Conjuntos Habitacionais Nelson Mandela e Samora Machel.

Os nomes dos outros traficantes identificados no inquérito estão sendo mantidos em sigilo, mas todos também já estão com mandados de prisão expedidos pela Justiça.

“O inquérito ainda está em andamento e esperamos desmantelar a quadrilha nas próximas semanas”, ressaltou o delegado Felipe Cury.

Até o início da tarde de ontem, o acusado permanecia internado na unidade hospitalar. Ele será transferido para uma carceragem da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter), onde vai permanecer à disposição da Justiça.

Acusado de assassinar o cabo da Polícia Militar Marcelo Pimenta do Nascimento durante uma tentativa de assalto em 2006, Francisco Sabino Bezerra Filho, o Chiquinho, 28 anos, foi preso por policiais do Serviço Reservado (P-2) do 16º BPM (Olaria) na Favela do Dique, no bairro Jardim América, na Zona Norte do Rio, na tarde desta quarta-feira, dia 7 de abril.

Ele foi surpreendido pelos policiais quando saía de sua residência na Rua do Dique, número 459, um dos principais acessos à comunidade. De acordo com os PMs, que descobriram a localização de Chiquinho após receberem uma denúncia anônima, o bandido seria responsável por uma série de roubos de veículos no Trevo das Margaridas, em Irajá, e na Rodovia Presidente Dutra, na altura da Baixada Fluminense.

Uma das ações do criminoso terminou com a morte do cabo Marcelo Pimenta, no dia 11 de setembro de 2006. Lotado no Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), o PM passava de carro com a mulher e os dois filhos pelo Trevo das Margaridas, quando o criminoso anunciou o assalto. Ao ser identificado como policial, o cabo foi executado a tiros na frente dos familiares, mesmo após suplicar ao bandido para não ser morto.

“Ele liderava uma quadrilha responsável por uma série de arrastões e falsas blitzs que agia na região com o consentimento dos traficantes da Favela do Dique. O Chiquinho era o mais violento do bando e o único ainda em liberdade”, explicou um dos policiais militares responsáveis pela prisão.

Contra o acusado, havia um mandado de prisão por latrocínio (roubo seguido de morte) pela execução do PM. Ele foi encaminhado à 38ª DP (Brás de Pina), sendo posteriormente transferido para uma carceragem da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter), onde vai permanecer à disposição da Justiça.

Luiza Andréa Santos de Carvalho, 36 anos

Prima de Roseli dos Santos Costa, a Rose Peituda, 41 anos – uma das mais conceituadas traficantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) –, Luiza Andréa Santos de Carvalho, 36, foi presa por policiais do Serviço Reservado (P-2) do 16º BPM (Olaria) na Zona Norte do Rio, na manhã desta quarta-feira, dia 31 de março.

Ela foi surpreendida quando saía de sua residência na Rua Eivind Nepomuceno, no bairro Jardim América. Contra Luiza, havia um mandado de prisão por associação ao tráfico, expedido pela 2ª Vara Criminal de Maricá.

Segundo a Polícia, a acusada foi indiciada no inquérito sobre a tentativa de invasão à Favela de Vigário Geral, comandada por Rose Peituda no dia 4 setembro de 2007. Pelo menos seis pessoas foram mortas no confronto entre bandidos do CV e do Terceiro Comando Puro (TCP).

Uma semana após a ação criminosa, Rose Peituda foi presa por policiais da 82ª DP (Maricá), durante a operação Areia Branca, ao ser flagrada em interceptações telefônicas dando ordem a cerca de 20 traficantes para invadir a comunidade.

Em um dos trechos da escuta, os criminosos pedem a orientação de Rose para deixar a favela, que os questiona: “Não tem como vocês sair na bala, não”?

Roseli dos Santos Costa, a Rose Peituda, 41 anos

Nas investigações também foram indiciados Felipe Alexandre da Costa, filho do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, Alexandre Albuquerque de Souza, o Geminha, e Absalão Félix da Silva, o Bilão.

A quadrilha atuava na Favela Saco da Lama, em Maricá, na Região dos Lagos, e também distribuía drogas em diversas outras localidades situadas na Zona Norte do Rio (Dique, Furquim Mendes, Jardim América, Lixão e Lagunas) e em Duque de Caxias (Vila Ideal, um dos principais pontos de distribuição de drogas na Baixada Fluminense, dada à sua proximidade com a Linha Vermelha).

Os outros seis denunciados foram Anderson Luiz Monteiro de Carvalho Cunha, o Viado, Marcelo Gomes Ribeiro, o Drácula, François Soares Suassuna ou Jance Ferreira Suassuna (pessoa com duplicidade de nomes), o Jota ou Paraíba, e Jefferson dos Santos Costa.
De acordo com os PMs, após a prisão de Rose Peituda, Luiza passou a articular os contatos para a prima fora da cadeia. Ela foi encaminhada à 38ª DP (Brás de Pina), onde o mandado de prisão foi cumprido.

Muito respeitada na alta cúpula do CV, Rose ficou com a responsabilidade de recrutar e armar 20 homens, em 2007, para tentar retomar o controle do tráfico de um dos principais entrepostos de drogas do Rio, a Favela de Vigário Geral, de onde teria sido expulsa após a invasão de criminosos do TCP.

Há duas semanas, ela foi absolvida no 4º Tribunal do Júri da Capital da acusação de ter mandado matar Taís Louise Damasceno da Silva e Maria Carolina Saldanha Machado Lopes, na Ilha do Governador, em julho de 2006.

Fotos: Pedro Pantoja

Recrutado pelo traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, 33 anos, considerado um dos criminosos mais procurados do Estado, para ser seu segurança particular e lhe passar informações privilegiadas sobre operações realizadas pela Polícia Civil na Favela da Rocinha, em São Conrado, Zona Sul do Rio, o ex-soldado da Polícia Militar Carlos Henrique Pereira Januária, também conhecido como Caíque, 29, foi preso por agentes da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter), na manhã desta sexta-feira, dia 26 de março.

O acusado foi surpreendido em sua casa na Favela da Tijuquinha, no Itanhangá, na Zona Oeste do Rio, território que, curiosamente, é controlado por um grupo paramilitar. No endereço, os policiais encontraram R$100 mil em espécie, o Astra placa KYI-0885, a motocicleta Yamaha placa KNT-4662, além de uma pistola Glock 9 mm, que teria sido furtada de um policial civil, munições de diversos calibres e dois rádios transmissores.

Segundo as investigações, o ex-PM atuava como uma espécie de agente duplo, ora como informante (X-9) da Polícia, levando informações aos agentes sobre esconderijos de armas e drogas, ora repassando ao chefão do pó da Rocinha dados pontuais sobre ações policiais que seriam realizadas na comunidade da Zona Sul, considerada o reduto da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA). Por cada informação precisa sobre a atividade policial, o acusado recebia R$20 mil das mãos do próprio Nem.

“Ele é o primeiro de muitos outros policiais militares e civis que serão presos por colaborar com o crime organizado. Essa ação é um recado claro para quem frequenta a delegacia travestido de informante, mas tem envolvimento com traficantes”, enfatizou o chefe de Polícia Civil, delegado Alan Turnowsky.

Nos últimos quatro anos – mesmo período em que o acusado serviu à Polícia Militar – todas as operações realizadas na Rocinha tiveram vazamento de informação, entre as principais aquela que terminou com a descoberta de uma refinaria de cocaína no alto da favela, em junho do ano passado, e a ocorrida no último dia 11, na qual sete seguranças diretos de Nem foram mortos e uma adolescente de 13 anos acabou ferida por estilhaços durante confronto entre policiais e traficantes.

Ainda de acordo com as investigações, Nem conseguiu escapar de pelo menos cinco grandes operações durante esse período. Em agosto de 2007, o inspetor da Polícia Civil Sérgio Luiz Albuquerque, 49, foi preso sob a acusação de vazar informações sobre uma operação feita por 12 delegacias especializadas. Em novembro de 2009, outra ação coordenada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública e pela Polícia Federal para prender Nem e Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, morto na última terça-feira, dia 23, foi abortada logo no início. Os dois foram alertados por informantes e conseguiram fugir.

A relação do traficante com o ex-PM ia além do interesse por informações sobre as ações da Polícia. O chefão da Rocinha mantinha certo grau de confiança e amizade com o criminoso, inclusive para andar em seu carro pelas ruas da comunidade.

“Ele trazia boas informações que batiam com nossas investigações, mas em determinado momento do processo apuratório descobrimos o envolvimento dele com os bandidos. Ele fazia jogo duplo. Queria ficar bem com a Polícia e com os traficantes”, completou Turnowsky.

Para o delegado, com a morte de Roupinol, considerado o maior fornecedor de drogas da ADA, de sete seguranças do chefão da comunidade e a prisão do ex-PM, Nem está ficando cada vez mais vulnerável.

“Só falta pegar o camisa 10 desse time”, brincou.

Em nota divulgada à imprensa, a Polícia Militar informou que o ex-soldado pertenceu à corporação durante quatro anos. Em sua folha de serviço constam falhas administrativas, como faltas constantes ao trabalho. Para evitar ser considerado desertor, ele geralmente se apresentava antes que o prazo expirasse. Entretanto, Carlos Henrique acabou expulso da corporação no último dia 9 de março.

Não é a primeira vez que informantes da Polícia Civil se utilizam da instituição para atender interesses criminosos. Ano passado, o também ex-PM Francisco César da Silva de Oliveira, o Chico Bala, auxiliou nas investigações da 35ª DP (Campo Grande), cujo titular era o delegado Marcus Neves, para desarticular a milícia autodenominada Liga da Justiça, que agia na Zona Oeste do Rio. Com o desmantelamento do bando, o grupo paramilitar chefiado pelo ex-policial, o Comando Chico Bala (CCB), acabou ocupando os espaços deixados pelo grupo rival e passou a controlar a maior parte dos serviços de segurança e transporte ilegal na região. No dia 25 de fevereiro, Chico Bala foi preso em uma mansão de luxo em Guarapari, no Espírito Santo.

“Policiais como esse serão tratados piores do que bandidos, pois, além de servir ao crime, eles colocam a vida de outros policiais em risco”, finalizou o Chefe da Polícia Civil.

Último líder do Comando Chico Bala (CCB) ainda me liberdade, o ex-policial militar Alexander da Silva Monteiro, o Popeye, 38 anos, foi preso por policiais da 35ª DP (Campo Grande), em sua casa, no distrito de Santa Cruz da Serra, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no final da tarde desta sexta-feira, dia 19 de março.

Com ele, foram encontradas máquinas caça-níquel, documentos de contabilidade e até uma peruca, usada em disfarces. A Polícia estima que Popeye e seu grupo chegam a faturar até R$ 100 mil em um dia extorquindo motoristas do transporte alternativo em bairros da Zona Oeste do Rio.

A prisão de Popeye foi efetuada 21 dias após a do também ex-PM Francisco César de Oliveira, o Chico Bala, que foi surpreendido por agentes da 35ª DP em Guarapari, litoral do Espírito Santo, para onde fugiu com a família em setembro do ano passado. Foragido há oito meses, Chico Bala foi surpreendido durante churrasco em comemoração ao aniversário de 11 anos de seu filho, em uma mansão de mil metros quadrados com seis quartos, piscina, churrasqueira, câmeras de segurança e muros de quatro metros de altura, além de cerca eletrificada. O imóvel, localizado na Rua Rosa Simões de Almeida, no balneário capixaba, foi alugado pelo valor de R$ 2,5 mil em janeiro desse ano.

No mês anterior, no dia 17 de janeiro, outro ex-PM que, junto com Popeye, era um dos homens de confiança de Chico Bala também saiu de cena. O ex-cabo Ronald Sílvio Guerino Bortolozzo, 36, foi executado dentro de sua casa, em Ponta Negra, distrito de Maricá, na Região dos Lagos, no final da madrugada. Os assassinos entraram na residência, na Avenida Central, por volta das 5 horas, e pouparam a mulher e o filho do ex-PM.

Após receber informações de que Popeye estava escondido na região, o delegado Luiz Lima Ramos Filho, titular da 60ª DP (Campos Elíseos), recebeu há cerca de um mês a informação de que Popeye estaria escondido na região e entrou em contato com o delegado Fábio Barucke, titular da 35ª DP, que coordenou a operação conjunta para prender o miliciano – que possuía três mandados de prisão, um por porte de arma e dois por homicídio.

“Com a prisão de Popeye, a milícia de Chico Bala ficou sem líderes. Agora, a gente espera que Toni Ângelo, da Liga da Justiça, se entregue”, afirmou Barucke, que revelou que o CCB explorava cerca de 2 mil motoristas só em Campo Grande, onde cada um pagava R$ 50.

Em sua casa, Popeye escondia três caça-níqueis e uma oficina para a manutenção dos aparelhos, que foram apreendidos e encaminhados para perícia. Outro objeto que chamou a atenção dos agentes foi uma peruca encontrada no local. A peça era utilizada como disfarce por Popeye.

“Como ele é bastante forte e poderia ser facilmente reconhecido, usava essa peruca para não ser notado”, afirmou o titular da 35ª DP.

Ele é suspeito de participação no atentado ao Destacamento de Policiamento Ostensivo (DPO) de Sambaetiba, em março de 2009, quando o sargento Yolando Flávio Silva, 38 anos, e o cabo Robson da Silva Reis, 35, lotados no 35º BPM (Itaboraí), foram baleados. O sargento foi o primeiro atingido e sequer teve tempo de reagir. O cabo e um outro policial lotado no DPO sacaram suas armas e deram início a um confronto. Enquanto o sargento foi baleado várias vezes, Robson foi atingido na mão e nas nádegas. O primeiro não resistiu aos ferimentos. Segundo a Polícia, a intenção era roubar as armas dos PMs para fortalecer a milícia.

ARQUIVO EXCLUSIVO SOBRE A GUERRA DAS MILÍCIAS:
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Guerra da Milícia: Liga da Justiça x Comando Chico Bala – O Início de Tudo