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Considerado um dos traficantes mais procurados de Niterói e acusado de comandar uma disputa sangrenta pela retomada das bocas de fumo do Complexo da Ititioca, na Zona Norte do município – que deixou pelo menos 13 mortos nos últimos cinco meses na região –, Antônio Marcos da Conceição, o Bolota, foi preso no Fórum do Rio nesta sexta-feira, dia 16 de abril, quando foi assinar sua liberdade condicional.

Sem saber que contra si havia um mandando de prisão por homicídio, expedido pela Justiça a partir de um inquérito instaurado na 77ª DP (Icaraí), ele voltou para a cadeia após declarar guerra contra antigos aliados, que assumiram a venda de drogas nas comunidades da Ititioca, Atalaia, Sapê e Badu, em 2003, quando o criminoso foi preso.

Ao deixar a prisão, em junho de 2009, Bolota se revoltou ao ser informado por Antônio Jorge Gonçalves dos Santos, o Tony ou Senhor das Armas – um dos maiores atacadistas de armas do Estado, preso por agentes da Delegacia de Repressão às Armas e Explosivos (DRAE), no Mato Grosso do Sul, em julho do ano passado – que não estava mais à frente do tráfico de drogas no Complexo da Ititioca. Dois traficantes, identificados apenas como Cachorrão e Dig Brown, teriam ocupado o lugar do criminoso.

De acordo com as investigações, Bolota chegou a ser chamado para uma reunião com integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV) no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, onde seria decidida uma nova comunidade para ele assumir o controle da venda de drogas. Temendo tratar-se de uma emboscada, ele preferiu não comparecer ao encontro. Enfraquecido no CV, o traficante decidiu se aliar à facção rival Amigos dos Amigos (ADA) e travar uma guerra para voltar ao seu antigo reduto.

Em novembro de 2009, a morte de Wagner Azevedo Bento, o Waguinho, 33 anos, deu início a disputa entre as facções rivais. Encontrado com marcas de tortura no Badu, ele era irmão de um dos antigos chefes do tráfico da Favela Sítio de Ferro. Uma semana depois do crime, um homem não identificado foi assassinado de forma semelhante no Sapê. No dia 16 de novembro do mesmo ano, o eletricista Djalma da Conceição, 46, e seus dois filhos, Rodrigo Caetano da Conceição, 23, e Robson Leonardo Caetano da Conceição, 19, que seriam parentes de Bolota, foram executados dentro de casa, também no Sapê. Na mesma noite, Daniel dos Santos Botelho, 29, foi morto a tiros no Morro do Céu.

Em fevereiro desse ano, quatro amigos foram encontrados mortos na Estrada do Capim Melado. Um mês depois Bruno Marcílio, 25, e Daniele Basílio, 24, foram encontrados mortos no intervalo de 24h na região. A Polícia investiga também a participação dos traficantes na morte de Francisca Cleoneide da Silva, 41, executada a pauladas dentro de casa no Complexo da Ititioca.

Policiais da 77ªDP informaram três revólveres calibre 38 foram apreendidos em uma casa utilizada por Bolota como esconderijo no Morro do Atalaia. Segundo os agentes, as armas serão submetidas à exame pericial para possibilitar o confronto balístico em inquéritos de homicídios cometidos na região.

Fotos: Bruno Gonzalez e Vitor Silva

A proibição da entrada de pessoas que não fossem parentes no enterro e o velório a portas fechadas do corpo do traficante Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, 36 anos, levantou uma suspeita: será que o criminoso seria mais um integrante da facção Amigos dos Amigos (ADA) a se fingir de morto para conseguir identidade diferente e recomeçar vida nova desfrutando do dinheiro ganho com a venda de drogas?

Em janeiro deste ano, policiais da Divisão de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) descobriram que Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nêm, 33, líder do tráfico na Favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, pagou ao médico Dalton Jorge por um atestado de óbito. Por assinar o documento, afirmando que o traficante havia morrido por insuficiência renal e diabetes – diagnóstico que garantiria que o corpo não passasse pelo Instituto Médico Legal (IML) para necropsia -, Dalton acabou sendo preso por falsidade ideológica e associação ao tráfico.

Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nêm, 33 anos

Também no atestado, ele havia registrado que o criminoso morreu em um imóvel no número 170 da Rua Major Rubens Vaz, na Gávea, na Zona Sul. No endereço fica localizada a 15ª DP (Gávea), delegacia responsável pelas investigações relativas ao tráfico de drogas na Favela da Rocinha. O enterro chegou a ser marcado: às 16h15 do dia 29 de janeiro no Cemitério do Catumbi, no bairro de mesmo nome – próximo ao Complexo do São Carlos, onde Roupinol teria morrido – e não haveria velório.

Quem assinou o pedido de sepultamento à Funerária Rio Pax de Copacabana foi Antônio Carlos Santana Rosa, cunhado de Nêm. No documento, ele declarava que o traficante havia morrido em casa, às 9h40m – menos de sete horas após o horário previsto para o enterro.

Preparado para uma nova vida, Nêm chegou a encomendar uma nova identidade, sem muitas alterações: mudou a data de nascimento de 25 para 24 de janeiro de 1976 e o nome de Antônio Francisco Bonfim Lopes para Antônio Francisco. O número pertence ao documento de uma outra pessoa – João Paulo Romildo dos Santos -, que não possui antecedentes criminais.

O delegado Márcio Mendonça, titular da DRFA, iniciou investigação para apurar a participação de funerárias, médicos e cemitérios na falsificação de atestados de óbito e realização de falsos enterros. Segundo o delegado, em casos como o de Nêm, cujo sepultamento seria feito sem velório, nenhum funcionário do cemitério observa se há cadáver no caixão.

Paulo César Silva dos Santos, o Linho, 38 anos

Parceiro de Roupinol, Nêm queria seguir os passos de outro líder da ADA: Paulo César Silva dos Santos, o Linho. Em 2003, aos 31 anos, ele teria sido morto em São Paulo. No entanto, o Disque-Denúncia continuou recebendo informações sobre possíveis esconderijos do traficante. De 2003 a 2008, foram 673 denúncias. O corpo nunca foi encontrado e até hoje ninguém conseguiu comprovar a morte, que teria sido anunciada pelo irmão dele, Wagner da Silva Santos.

Preso em janeiro de 2004, aos 29 anos, por agentes da extinta Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e da 40ª DP (Rocha Miranda), ele era acusado de participação na lavagem de dinheiro para a quadrilha do irmão e teria afirmado aos policiais que Linho havia sido morto em janeiro do ano anterior. De acordo com a Polícia, ele contou que o irmão desapareceu no dia 23 de janeiro de 2003.

Na ocasião, ele teria saído de casa, em um condomínio luxuoso no bairro Pinheiros, na Zona Sul de São Paulo, por volta do meio-dia, e seu último contato teria sido por telefone com a mulher, Michele Lucena Fernandes, 24, duas horas depois. Ainda de acordo com Wagner, no mesmo dia um dos comparsas do irmão, o traficante Ubiratan da Silva, o Bira, teria ligado para Michele dizendo que Linho havia sido seqüestrado por policiais que pediam R$ 2 milhões para o resgate. No dia 13 de fevereiro do mesmo ano, um corpo que seria de Bira foi encontrado sem a cabeça e as pernas.

Investigações policiais comprovaram que Linho morava em São Paulo desde 1997, tendo passado por 18 municípios. Em 2003, Linho – que usava documentos com pelo menos sete nomes falsos – teve residências em seis cidades. Ele também possuía, em nomes de terceiros, um posto de combustível e uma farmácia na capital paulista. Ainda segundo a Polícia, o irmão era o responsável por um lava a jato em Santo André. Ele vendeu o estabelecimento – sete meses após a suposta morte do irmão – e voltou para o Rio de Janeiro, onde acabou sendo preso em uma casa em Marechal Hermes, na Zona Norte, por força de um mandado de prisão expedido pela 2ª Vara Criminal da Ilha do Governador.

Enquanto a tentativa de Nêm foi frustrada, o sumiço de Linho é considerado uma fuga bem-sucedida entre integrantes da facção Amigos dos Amigos, hoje representada pelo traficante Edmilson Ferreira dos Santos, o Sassá, 39. Também conhecido como Samuca ou Coroa, ele foi preso em novembro de 2005 por policiais da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) que o encontraram em um buraco aberto no chão do depósito de um supermercado na Favela Salsa e Merengue, no Complexo da Maré, em Bonsucesso, na Zona Norte.

Ao perceber a chegada dos agentes, o criminoso gritou “perdi, perdi”. Depois, ofereceu R$ 1 milhão em troca da liberdade. No momento da prisão ele foi flagrado com duas pistolas, uma granada, cinco rojões de fabricação argentina e um lança rojão, além de quatro bombas caseiras e centenas de munições de diversos calibres. Ao ser questionado sobre a morte de Linho, respondeu: “ouvi dizer” e se limitou a falar que nunca mais havia mantido contato com ele.

Rogério Rios Mosqueira, o Roupinol, 36 anos

A morte de Roupinol foi divulgada na manhã da terça-feira, dia 23 de março, em ação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil. Mesmo tendo sido atingido por um tiro de fuzil no rosto, o corpo do traficante foi liberado do Instituto Médico Legal (IML) no mesmo dia e um velório em uma quadra no alto do Morro da Mineira foi anunciado através de cartazes espalhados pela comunidade.

Apesar do convite, ninguém conseguiu ver o corpo no caixão e o enterro, realizado no Cemitério Memorial da Igualdade, no bairro Santa Virgem, em Macaé, foi acompanhado somente por quem comprovou parentesco com o criminoso. Nenhum incidente – como ordens para fechamento do comércio ou ações de represália à morte do traficante – foi registrado nas proximidades do Complexo de São Carlos, composto pelos morros São Carlos, Mineira, Zinco, Querosene e Coroa – que corta os bairros Estácio, Rio Comprido e Catumbi, na Zona Central do Rio.

Ausência de luto forçado levanta suspeitas

A falta de luto em homenagem a Roupinol não é comum nos casos de morte de traficantes que ocupam cargos de liderança em morros e favelas do Rio de Janeiro. Um exemplo ocorreu no dia 28 de janeiro do ano passado, quando a morte do traficante Leandro Monteiro Reis, o Pitbull, levou tensão aos arredores do Complexo da Mangueira, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio.

Pertencente à família que domina o tráfico de drogas na favela desde a década de 80, ele morreu sete horas após ter sido baleado em confronto com policiais civis. Sobrinho de Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, 43, e primo de Alexander Mendes da Silva, o Polegar, ele trocou tiros com equipes da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), da Core e da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat), na localidade conhecida como Buraco Quente, por volta das 9 horas.

Atingido na barriga, ele ainda conseguiu descer por uma ribanceira e correu em direção à localidade conhecida como Elvis, onde teria se escondido na casa de moradores. Policiais revistaram diversos imóveis, mas não conseguiram encontrá-lo.

No início da tarde, equipes da 17ª DP (São Cristóvão), DRFC e DRFA também foram para a favela e policiais do 4º BPM (São Cristóvão) e do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) ocuparam os acessos ao complexo. Às 16h30, o traficante deu entrada no Hospital Municipal Souza Aguiar, já sem vida.

Mesmo antes da confirmação da morte do traficante, o clima ficou tenso no entorno do Complexo da Mangueira – composto pelos morros Telégrafos, Chalé, Faria, Santo Antônio, Red Indian, Olaria, Pedreira, Pindura Saia, Buraco Quente, Tengo-Tengo, Curva da Cobra, Joaquina, Candelária e Pedra. As primeiras equipes de policiais chegaram ao local pouco depois das 8 horas. Houve intenso confronto e duas pessoas ficaram feridas: um gari comunitário, baleado na perna, e um policial civil atingido por um tiro de raspão na barriga.

Cerca de uma hora depois, houve novo tiroteio. Desta vez, a troca de tiros ocorreu na Travessa Mangará, onde dois homens morreram e grande quantidade de drogas e armas foi apreendida. Foi em um imóvel na mesma via que os policiais apreenderam uma metralhadora ponto 30, dois fuzis e duas pistolas, além de 200 quilos de maconha.

Aproximadamente três horas após o início da ação, criminosos atearam fogo ao ônibus que fazia a linha 474 (Jardim de Alah-Jacarezinho) e trafegava pela Rua Ana Néri, no trecho entre as ruas Fausto Barreto e Abdon Milanez, em Benfica. Os passageiros contaram que seis homens armados e em três motos pararam o trânsito e expulsaram todos, avisando que iam tacar fogo no ônibus. Logo depois, jogaram vários coquetéis molotov no interior do veículo, que explodiu, atingindo a rede elétrica da rua. O óleo diesel do ônibus começou a vazar dando início a um rastro de chamas, que atingiu um outro carro da linha 312, que passava pela rua. Os passageiros e o motorista desse segundo coletivo conseguiram conter as chamas.

Por volta do meio-dia, o terceiro ônibus foi incendiado a poucos metros do primeiro, no Largo do Pedregulho. Duas horas depois, bandidos atearam fogo a um coletivo que fazia a linha 239 (Castelo-Água Santa) na Rua Presidente Castelo Branco, antiga Radial Oeste, em frente à Favela do Metrô.

O enterro aconteceu 24 horas após o previsto, devido a um contratempo no IML para liberação do corpo. Na época, o advogado do traficante, Ésio Lopes, afirmou que o atraso ocorreu porque não havia ficha papiloscópica de seu cliente no Instituto Félix Pacheco (IFP).

“Eles teriam o direito de permanecer com o corpo por 72 horas, mas o diretor do IML entendeu que isso não era necessário, tendo em vista que a autópsia já havia sido feita e meu cliente foi reconhecido pela família”, explicou, na ocasião.

Mesmo tendo o corpo – intacto, já que foi encontrada apenas uma perfuração na altura do peito – reconhecido por familiares acompanhados por toda documentação, Pitbull, que era integrante da facção criminosa Comando Vermelho (CV), não conseguiu ser enterrado com tanta rapidez como o rival da ADA.

abadia plasticas

Recorrer a cirurgiões para mudar a fisionomia com o intuito de escapar da cadeia não é exclusividade de traficantes internacionais. Um dos criminosos mais procurados do Rio e fundador da facção Terceiro Comando Puro (TCP), Nei da Conceição Cruz, o Facão, 37 anos, teria se submetido a uma cirurgia plástica para não ser reconhecido pela Polícia.
A informação foi dada pela matuta Patrícia Fernandes Pereira Campos de Oliveira, a Morena do Pó ou Pati, 42, presa por agentes da Coordenadoria de Informação e Inteligência Policiais (Cinpol), no último dia 12 de agosto. Considerada a maior fornecedora de armas e drogas do TCP, ela seria amiga pessoal do bandido e de seu comparsa, Márcio José Sabino Pereira, o Matemático, 34.

“Ela nos disse: com essa foto dele nas mãos, ninguém o prende. Ele fez plástica e está muito diferente”, revelou um dos policiais que participou da ocorrência.

Nei da Conceição Cruz, o Facão, 37 anos

Nei da Conceição Cruz, o Facão, 37 anos

Foragido da Justiça desde abril – quando conquistou o benefício de cumprir a pena em regime semi-aberto para trabalhar e não retornou à cadeia – Facão é apontado como responsável pela guerra que deixou mais de dez mortos, em dois meses, no Complexo da Maré, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio. Líder do tráfico nas favelas do Timbau e Baixa do Sapateiro, ele estaria tentando reassumir as bocas-de-fumo da Favela Vila dos Pinheiros, que estava sob controle de traficantes da facção rival Amigos dos Amigos (ADA). Para a ação, Facão conta com apoio de Matemático, líder das favelas da Zona Oeste pertencentes ao TCP e também foragido da Justiça há pouco mais de um mês, além de auxílio de criminosos que controlam a venda de drogas no Morro do Dendê, na Ilha do Governador – considerado um dos principais redutos da facção criada por Facão, em 2002.

Nei da Conceição Cruz, o Facão, 37 anos

Nei da Conceição Cruz, o Facão, 37 anos

O traficante saiu do Instituto Penal Cândido Mendes, no Centro do Rio, com a promessa de que trabalharia como auxiliar administrativo na ADG Comércio de Metais e Ferragens, localizada no Timbau – onde o tráfico de drogas é controlado por ele. Preso em 2003, Facão tem 14 anotações criminais e quatro condenações que, somadas, chegam a 14 anos e oito meses de prisão. Desde maio, dezenas de pessoas – entre traficantes das duas facções, moradores e policiais militares – já morreram na disputa, que fez com que a Polícia passasse a caçá-lo ainda mais.

Nei da Conceição Cruz, o Facão, 37 anos

Nei da Conceição Cruz, o Facão, 37 anos

Antes de Facão, outros criminosos já recorreram a mesas de cirurgias. Entre eles, o traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia, o Chupeta, 46, que teria feito pelo menos quatro operações, em clínicas nos Estados Unidos e também em São Paulo. Preso em agosto de 2007, ele era um dos traficantes mais procurados do mundo, de acordo com o DEA (Drug Enforcement Administration, a agência antidrogas norte-americana), e chegou a acumular US$ 1,8 bilhão em dez anos – período em que teria enviado mil toneladas de cocaína para os Estados Unidos e cometido 15 homicídios no território americano e pelo menos 300 na Colômbia.

O traficante Juan Carlos Ramirez Abadia, o Chupeta, 46 anos, teria feito pelo menos quatro operações, em clínicas de cirurgia plástica nos Estados Unidos e também em São Paulo

O traficante Juan Carlos Ramirez Abadia, o Chupeta, 46 anos, teria feito pelo menos quatro operações, em clínicas de cirurgia plástica nos Estados Unidos e também em São Paulo

Pela captura do colombiano, os EUA ofereciam US$ 5 milhões – valor abaixo somente da recompensa oferecida pelo terrorista Osama Bin Laden. Um dia antes da prisão, ele e a mulher estiveram em uma clínica de cirurgia plástica localizada na Rua Bento de Andrade, no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo. O traficante – que estava há dois anos no Brasil – se escondia há oito meses naquela cidade, após morar no Rio Grande do Sul e em Curitiba. O colombiano fez plásticas para afinar o nariz, criar uma cova no queixo e deixar o rosto quadrado com implante de silicone.

Juan Carlos Ramirez-Abadia, o Chupeta, 46 anos

Juan Carlos Ramirez-Abadia, o Chupeta, 46 anos

Quatro anos antes, outro criminoso mudou de rosto para tentar enganar a Polícia. O traficante Luciano Geraldo Daniel, 35, acusado de mandar 1 tonelada de cocaína para a Espanha todos os meses, fez plástica nos olhos, nas orelhas e no nariz. Apontado pela Polícia Federal como um dos maiores fornecedores de cocaína do País, ele também tingiu os cabelos de loiro e emagreceu. Acabou preso, em julho de 2006, na Operação Ícaro, realizada pela PF em São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Robson André da Silva, o Robinho Pinga

Robson André da Silva, o Robinho Pinga

No Rio de Janeiro, outros três traficantes também já teriam se submetido à faca: Robson André da Silva, o Robinho Pinga – da mesma facção que Facão; Paulo César Silva dos Santos, o Linho – da ADA; e Antônio José de Souza Ferreira, o Tota, do Comando Vermelho (CV). De acordo com a Polícia, este último chegou a fazer operação para reduzir o tamanho do estômago.

Antônio José de Souza Ferreira, o Tota

Antônio José de Souza Ferreira, o Tota

Mas procurar cirurgiões plásticos não é atitude nova: em julho de 1969, o guerrilheiro Carlos Lamarca, já procurado pelos militares, submeteu-se a uma cirurgia em uma casa em Santa Teresa, no Rio. Reduziu o nariz, aumentou o queixo, tirou sulcos da testa. O cirurgião, Afrânio Azevedo, não sabia quem era o paciente. Procurado pelo médico Almir Dutton Ferreira, militante de esquerda, sabia apenas que era alguém da VPR, a Vanguarda Popular Revolucionária. O paciente alegou que era cabeleireiro e internou-se com o nome de Paulo César de Castro. Na época, Afrânio foi processado pela Justiça Militar.

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