Sumiço de menino de 3 anos movimenta a Maré

Publicado: 13 de abril de 2010 em Uncategorized
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Uma história com final feliz. Assim pode ser definida a aventura do pequeno Maicon Douglas Menezes Silva, morador do Conjunto Esperança, no Complexo da Maré, em Benfica, na Zona Norte do Rio. Com apenas três anos de idade – completados em janeiro – o menino acordou e, ao não encontrar a mãe, abriu a porta de casa, desceu três lances de escada, passou pelo portão do prédio onde mora com a mãe, a avó, um irmão e duas tias, atravessou a rua e foi parar na Avenida Brasil, na manhã desta terça-feira, dia 13 de abril.

Ele foi encontrado próximo à passarela da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), no sentido Zona Oeste da via, em frente à Favela Vila do João, também no Complexo da Maré – composto, ainda, pelas localidades Baixa do Sapateiro, Conjunto Bento Ribeiro Dantas, Conjunto Marcílio Dias, Conjunto Pinheiro, Nova Holanda, Nova Maré, Parque Maré, Parque Roquete Pinto, Parque Rubens Vaz, Parque União, Praia de Ramos, Salsa e Merengue, Timbau e Vila dos Pinheiros. O conjunto de favelas é dividido entre as facções criminosas Amigos dos Amigos (ADA), Terceiro Comando Puro (TCP) e Comando Vermelho (CV), e também tem áreas controladas por milicianos.

“Uma mulher atravessou a passarela com ele e o deixou com uma ambulante que vendia doces em uma barraquinha no sentido Centro da Avenida Brasil. Nós fomos chamados e percorremos a Maré com ele, mas ninguém o conhecia. Chegamos a perguntar a mototaxistas na Baixa do Sapateiro se alguém procurava por uma criança, mas eles não sabiam e não o reconheceram”, contou o sargento Carvalho, do 22º BPM (Benfica).

Lotado no Patrulhamento Motorizado Especial (Pamesp) Escolar da unidade, ele estava acompanhado pelo cabo Sandoval.

“Queríamos evitar que ele fosse levado para o Conselho Tutelar, mas esgotou o que estava ao nosso alcance. O trouxemos à delegacia para ver se a família estava procurando por ele”, revelou o sargento.

Levado para a 21ª DP (Bonsucesso), o pequeno Maicon sensibilizou a delegada Valéria de Castro, titular da distrital, que limpou o menino, comprou uma bermuda, uma camiseta e um par de sandálias. Chorando muito, Maicon só repetia o nome da mãe, Keila, e o apelido do irmão, conhecido como Miúdo. Ao recusar biscoitos, ele acabou ganhando uma chupeta que um policial foi comprar em um armazém próximo à delegacia.

A delegada acabou levando Maicon aos estúdios da Rede Record, onde o deputado estadual e apresentador Wagner Montes falou sobre o caso, na esperança de que algum familiar visse o garoto e avisasse à família.
Desesperada na busca pelo filho, a camelô Keila Regina da Silva Corrêa, 24, nem chegou a assistir ao programa. Ela foi localizada por PMs do Posto de Policiamento Comunitário (PPC) da Vila do João, que a levaram até a 21ª DP.

Imaginando que o filho tinha sido levado pelo ex-marido, com quem briga na Justiça há três meses, ela chegou a pedir a ajuda de criminosos para buscas na casa do pai do menino.

“Estou brigando para ele pagar pensão para o filho. Ele chegou a me ameaçar de morte e a mãe dele também. Em fevereiro ele mandou só R$ 50 e, em março, R$ 60. O oficial de Justiça falou que, se ele não pagar o próximo mês completo e com a diferença, eu posso denunciá-lo para ele ser preso. Imaginei que ele tivesse pegado meu filho”, desabafou Keila, que estava no trabalho, no Largo do Machado, quando foi avisada do sumiço de Maicon.

“Consegui esse emprego há três dias. Ainda pensei que ele não ia se adaptar à minha ausência porque ainda mama no peito e eu fico longe de casa das 8h às 17h. Eram umas 10h quando meu peito começou a encher de leite e endureceu. Ainda pensei nele, achando que ele devia estar sentindo fome naquele momento. Foi a hora em que ele sumiu”, contou a camelô, revelando que pretende deixar o emprego.

“Eu não consegui vaga em nenhuma creche. Em uma delas, ele ficou em oitavo lugar na fila de espera. Em outra, na vigésima posição”, desabafou, ressaltando que o filho é muito esperto para a idade que tem.

“Quando vou comprar pão, ele pede pra comprar o de dez reais, que é o que tem coco por cima, e quando está chateado comigo, não me chama de mãe, só me chama de Keila. Não sei como ele conseguiu abrir a porta de casa, descer três lances de escada e chegar até próximo da Avenida Brasil, mas vamos prestar mais atenção”, garantiu Keila, que levou um puxão de orelha da delegada Valéria de Castro, que chegou a cogitar a possibilidade de prendê-la por abandono de incapaz.

“Depois que o menino pegou o peito e começou a mamar, resolvi reconsiderar, mas avisei para ela tomar mais cuidado com o filho. Que o susto sirva de lição”, afirmou Valéria, uma das responsáveis pelo final feliz da história.

“Infelizmente, nos meus muitos anos na PM, já encontrei muitas crianças perdidas e nem todas tiveram um final feliz. Ainda bem que dessa vez foi diferente”, comemorou o sargento Carvalho, que passou toda a manhã e parte da tarde na ocorrência.

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comentários
  1. Sylvio disse:

    Parabéns…
    Mesmo morando em Fortaleza, sou um leitor assíduo.

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